América do Sul

Por que a Recopa Sul-Americana virou prioridade para o Fluminense?

Premiação, taça no Maracanã e vitória sobre algoz fazem da Recopa Sul-Americana prioridade do Fluminense em 2024

O ano começou mais tarde para o Fluminense, mas a primeira decisão já chegou. Nesta quinta-feira (22), às 21h30 (de Brasília), o Tricolor decide uma taça inédita em sua história, a Recopa Sul-Americana. Não à toa, a competição é prioridade para o clube em 2024.

O ineditismo é só um dos motivos pelos quais a Recopa se tornou o principal objetivo do início de temporada do Flu. Colocar o título recém conquistado e tão sonhado da Libertadores à prova pode dar mais uma taça ao clube.

Depois de dar fim à sua obsessão, o Fluminense também deseja criar uma cultura de conquistas internacionais, sul-americanas e de copas. Por considerar que as competições de pontos corridos necessitam de fortes investimentos, o Tricolor também vê os mata-matas de forma diferente.

A Recopa Sul-Americana ainda tem outros adicionais especiais para o Flu. A possibilidade de conquistar mais uma taça internacional em casa e contra um velho algoz aumenta ainda mais a importância da competição.

— A prioridade, obviamente, nesse momento, é a disputa da Recopa porque é a decisão mais próxima — afirmou Fernando Diniz.

Recopa pode exorcizar fantasma LDU no Fluminense

O adversário da final não traz boas recordações ao Fluminense. Na verdade, é o maior de todos os fantasmas que o Tricolor deseja exorcizar, depois de um 2023 de muito sucesso no quesito.

A LDU é o grande calcanhar de Aquiles do Flu. Responsável pelas frustrações na Libertadores de 2008 e na Copa Sul-Americana de 2009, o time equatoriano nem de longe é tão forte quanto no passado, mas segue com o mesmo craque: a altitude.

Em Quito, a 2850m do nível do mar, o Fluminense será exposto a uma questão que foge ao futebol. Em 2023, quando foi à La Paz com reservas e acabou derrotado, o técnico Fernando Diniz afirmou que jogar nessas condições é “criminoso”.

— Jogar nesse tipo de altitude é quase sempre criminoso. Ninguém está preparado para isso. Times jogam no nível do mar, quando vêm para cá é outro esporte. Por isso que os times daqui, historicamente, fazem o tanto de pontos que fazem em casa. É muito diferente o jogo. E não é só o desgaste físico, jogo muda completamente. Aqui erra passe que não se erra a nível do mar. Cai de maneira drástica a qualidade do jogo. Quando o jogo vai chegando perto do final, e a gente precisando correr atrás do resultado, fica ainda mais desumano jogar aqui. Foi o que aconteceu com River também. Jogar nesse tipo de altitude, o princípio da igualdade fica maculado, é muito desigual jogar aqui. Não sei qual seria a medida, mas não dá para jogar aqui — opinou.

Premiação da Recopa é importante para o Fluminense

Sem desmanchar o elenco que conquistou a Libertadores em 2023, o Fluminense precisa de novas receitas. O Tricolor, portanto, também se fortaleceria com a premiação dada pela Conmebol ao campeão da Recopa Sul-Americana.

Quem faturar a Recopa leva 1,8 milhão de dólares para casa (R$ 8,9 milhões). O Flu já garantiu 900 mil dólares (R$ 4,5 milhões) pela participação, já que o vice-campeão tem direito a este prêmio.

Fluminense pode se tornar maior campeão sul-americano do Maracanã

Depois de conquistar a Libertadores em casa, o Fluminense terá a oportunidade de se tornar o único clube do Rio de Janeiro a ter mais de uma taça no Maracanã. Até hoje, além do Flu, Flamengo e Botafogo já foram campeões.

Mas ambos têm apenas uma taça. O Bota foi o primeiro, em 1993, quando levantou a Copa Conmebol, a competição de terceiro escalão do continente à época, atrás da Libertadores e da Supercopa Sul-Americana. Os alvinegros chegaram a jogar pela Recopa contra o São Paulo, que unificou as duas principais conquistas da América do Sul em 1993, mas à época, a competição era em jogo único e foi disputada no Japão. Os paulistas foram campeões.

Depois de ser vice da Supercopa Libertadores (1995) e da Copa Sul-Americana (2017) no Maracanã, ambas para o Independiente, o Flamengo conquistou a Recopa Sul-Americana em 2020, sobre o Independiente del Valle, rival que devolveria o título no estádio em 2023.

Em 1999, ano em que o Vasco poderia disputar a Recopa como campeão da Libertadores, a competição não foi realizada. A taça só voltaria em 2003, com a criação da Copa Sul-Americana, já que de 1999 a 2002 não havia bem definido pela Conmebol uma taça de segundo escalão.

Também por isso, se faturar a Recopa Sul-Americana em 2024, o Fluminense terá conquistado duas taças continentais no Maracanã, se tornando o maior campeão sul-americano do estádio.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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