Em clássico pegado e de muita vontade, a força ofensiva da Argentina prevaleceu

Impossível assistir a um Argentina x Uruguai e não esperar um jogo pegado. Pois o clássico mais antigo do continente cumpriu à risca as expectativas, e também foi além. Afinal, durante o segundo tempo, deu para acompanhar um bom jogo, com muita vontade das duas equipes. A técnica pode não ter sido das mais refinadas desta vez, assim como o couro comeu mais do que deveria. Mas, na pegada e na pressão, os 45 minutos finais se desenrolaram emocionantes. E a Albiceleste conquistou uma vitória importantíssima para se encaminhar às quartas de final da Copa América, com Kun Agüero definindo o 1 a 0 no placar.
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O jogo seguiu a tônica do que as escalações prometiam no papel. A Argentina tinha a iniciativa, com um time de muito mais qualidade no ataque. Agüero e Pastore comandavam as ações, com Di María e Messi aparecendo menos do que deveriam pelos lados do campo. Já o Uruguai se entrincheirava na defesa e tentava aproveitar os contra-ataques, assim como as bolas levantadas na área adversária – onde Otamendi aparecia soberano. Mas, em um primeiro tempo morno, poucas foram as chances reais de gol. A melhor delas veio com Agüero, que cabeceou cruzado e parou em grande defesa de Fernando Muslera.
A posse de bola permanecia nos pés dos argentinos. Mas a criatividade quase sempre ficava a encargo de Pastore, que, apesar da iniciativa, não contava muito com a colaboração dos companheiros. E muito menos dos adversários, trancando bem a cabeça de área. Do outro lado, Cavani não chamava a responsabilidade, com Diego Rolán se tornando o homem mais perigoso na Celeste. Destaque mesmo, no geral, apenas para a quantidade de faltas ríspidas dos dois lados. Mas, ao contrário do que costuma fazer a arbitragem brasileira, Sandro Meira Ricci deixou o rolar. Só apareceu quando expulsou o técnico Tata Martino por reclamação.
A necessidade dos três pontos, no entanto, fez o clássico subir muito de nível no segundo tempo. A Argentina se tornou mais agressiva, se impondo no campo de ataque e adiantando seus jogadores. Até que, aos 11 minutos, o gol saiu. Em um lindo drible sobre Álvaro Pereira, Pastore limpou a marcação e abriu para Zabaleta, livre na direita. O lateral cruzou na medida para o companheiro de Manchester City, Agüero, que se antecipou à marcação tripla dentro da área e não deu tempo de reação a Muslera. Grande jogada coletiva de um ataque que precisava se combinar mais para infiltrar.
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Mesmo sem arrematar tanto, a Argentina mantinha a Celeste contra a parede e trabalhava bem os passes. Foi quando o jogo esquentou de vez, em vários lances nos quais os rivais se estranhavam. Já Sandro Meira Ricci mantinha a política das conversas e, mesmo em trocas de empurrões ou em entradas mais ríspidas, preferiu guardar o cartão amarelo – quanto mais o vermelho. Uma postura que faz questionar principalmente as orientações da comissão de arbitragem no Brasil.
O jogo de nervos ajudou o Uruguai. A Argentina diminuiu o seu ímpeto no ataque e passou a tomar sufoco da Celeste. Diego Rolán teve chance claríssima de buscar o empate, mas perdeu um gol feito após um rebote de Romero, quando o goleiro ainda estava caído. A partir de então, os uruguaios exploravam principalmente os cruzamentos e os escanteios. Romero operou um milagre para evitar o tento de Abel Hernández. Enquanto isso, a Argentina tentava aproveitar as brechas e, depois de Messi parar em outra boa intervenção de Muslera, Tevez desperdiçou a chance do segundo em um contra-ataque ótimo. Para sua sorte, não custou tão caro assim, com o placar prevalecendo até o apito final.
Não foi a partida perfeita, nem o que se espera por todo o potencial individual, mas a Argentina ao menos conquistou os três pontos desta vez. Só que Messi (injustamente eleito o melhor em campo) e Di María seguem devendo um bocado. Em um sistema no qual ambos não têm muitas companhias nas pontas, com os laterais mais presos, talvez seja melhor repensar suas funções – em especial, do camisa 10, por todo o potencial que tem. Desta vez, Agüero e Pastore fizeram o suficiente.
Já o Uruguai, que não dá muita margem de confiança sem Luis Suárez, terá uma partida decisiva contra o Paraguai. Talvez o empate seja suficiente para a classificação como um dos melhores terceiros colocados, mas a vitória garante a equipe de Óscar Tabárez nas quartas de final. Precisarão ser bem mais efetivos no limitado jogo ofensivo que apresentam. Enquanto isso, a Argentina tem tudo para se garantir na primeira colocação da chave, fechando sua participação na primeira fase contra a fraca Jamaica. Para, quem sabe, ambos poderem se encontrar outra vez nas semifinais, em mais um clássico pegado. Com a marca da história do futebol jogado nas margens do Rio da Prata.




