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Em bombardeio do Santos, pesou o talento de seus especialistas, Renato e Ricardo Oliveira

Foi um jogo mais fácil do que se previa antes de a bola rolar, mas, por aquilo que se desenrolou nos 90 minutos, mais difícil do que precisava ser. O Santos bateu o Strongest com autoridade na Vila Belmiro, embora tenha demorado a completar o serviço. Uma partida boa de se assistir (especialmente se você não torce para o Peixe), com muita intensidade das duas equipes e repleta de chances de gol. No fim, pesou a qualidade daqueles que continuam entre os melhores de suas posições no país, independentemente da idade. Ricardo Oliveira e Renato chamaram a responsabilidade e mostraram a importância dos treinamentos, decidindo em dois lances de bola parada, garantindo o triunfo por 2 a 0. Os nomes da primeira vitória santista nesta Copa Libertadores, assumindo a liderança da chave.

Como já era de se esperar, o Strongest seria um adversário complicado. Os bolivianos retomavam a formação dos outros jogos como visitante, no 4-1-4-1. Resguardavam-se na defesa para tentar decidir no talento de seus destaques. E o Santos deu uma baita sorte aos quatro minutos, quando Pablo Escobar esteve a um triz de abrir o placar. O camisa 10 quase reproduziu o famoso gol de Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra em 2002: cobrança de falta venenosa pelo lado do campo, encobrindo o goleiro Vladimir. Mas a bola, caprichosa, bateu no travessão e na trave, antes de ser neutralizada. Alívio aos alvinegros.

Apesar do ótimo lance do Strongest, o Santos era melhor na partida. Pressionava bastante, diante da abnegada marcação e organizada aurinegra. O time da casa levava muito perigo pelo lado esquerdo de seu ataque, com as subidas de Zeca e, principalmente, com a potência de Bruno Henrique. O novo reforço santista criou as melhores oportunidades de sua equipe, indo à linha de fundo com frequência. Algumas vezes, até mesmo tentou bater direto ao gol, parando no goleiro Daniel Vaca. Enquanto isso, o Peixe continha bem os contra-ataques do Tigre. Renato e Thiago faziam um excelente trabalho na cabeça de área.

A partir dos 42 minutos, o duelo se abriu ao Santos. Walter Veizaga recebeu o segundo cartão amarelo ao cometer falta em Lucas Lima na entrada da área. E a vantagem já ressoou logo na cobrança de Ricardo Oliveira. O veterano bateu com muita categoria na bola, com curva, por cima da barreira. O goleiro Vaca sequer pulou para tentar salvar o chute que foi no canto. Nos acréscimos, depois de uma saída de bola ensaiada que quase complicou os anfitriões, Pablo Escobar ainda teve mais uma oportunidade em chute de fora da área, mas não passou dos susto. Vantagem importante para que os alvinegros saíssem um pouco mais tranquilos aos vestiários.

Já o segundo tempo seguiu no ritmo de uma luta de boxe em que só o Santos batia, mas não derrubava. O time de Dorival Júnior ia criando chance após chance, e desperdiçando. A zaga do Strongest chegou a salvar em cima da linha um chute de Bruno Henrique, enquanto o veterano Vaca também ia muito bem sob as traves. De qualquer maneira, preponderava a falta de pontaria dos alvinegros, que construíam bem as jogadas, mas pecavam na hora de finalizar – mesmo Ricardo Oliveira entre aqueles que pecavam pela falta de precisão. Se a defesa sofria, o Tigre ao menos buscava responder com ataques rápidos, sem abrir mão do jogo. Entretanto, os santistas davam o combate com firmeza e mal deixavam se aproximar de sua área. E a qualidade ofensiva dos aurinegros despencou quando o técnico César Farías resolveu substituir Alejandro Chumacero e Pablo Escobar num intervalo de sete minutos.

A partir de então, o Santos continuava se aproximando da área do Strongest com extrema facilidade, embora não finalizasse mais tantas vezes. O gol que sacramentou a vitória saiu aos 38 minutos. Lucas Lima, em outra boa partida, cobrou falta pelo lado direito da área. Mandou a bola no capricho na primeira trave, para Renato cabecear com autoridade para as redes. Jogada de treinamento. Por fim, coube ao Peixe cozinhar o resultado, sem mais perigo de desperdiçar pontos em um lance fortuito dos bolivianos.

Foi uma prova de força do Santos na Vila Belmiro. O time de Dorival Júnior jogou muito bem, contra um adversário que faz bom início de Libertadores e poderia ser perigoso. Bruno Henrique, sobretudo, se mostra como uma excelente contratação, depois de já entrado bem contra o Sporting Cristal. E se questiona se Vladimir Hernández também não poderia ter uma chance no 11 inicial. Além disso, destaque para a solidez oferecida pela dupla de volantes, em nova partidaça de Renato, jogando muito desde o último Brasileirão. Entretanto, fica a sensação de que dava para ter sido uma goleada, diante do excesso de gols perdidos. Ponto a melhorar. Mas, em um grupo que promete ser difícil, a primeira vitória tem grande representatividade.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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