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E se sudacas disputassem a Bola de Ouro desde o início? France Football revisou 12 vencedores

Até 1994, a Bola de Ouro esteve restrita a jogadores europeus. Somente os nascidos no continente ou naturalizados (casos de Di Stéfano e Sívori) podiam concorrer à honraria. Em 1995, a abertura condecorou George Weah. Mesmo assim, a principal premiação do futebol mundial se manteve restrita aos clubes europeus até 2007, quando finalmente admitiu jogadores que atuassem em outras partes do planeta – e os pioneiros foram Riquelme, Rogério Ceni e Younis Mahmoud. Desde então, o troféu se tornou realmente global. Tanto que acabou fundido com o prêmio de melhor do mundo oferecido pela Fifa em 2010.

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As dúvidas, porém, sempre acompanharam a Bola de Ouro. Como seria o prêmio se a votação fosse global desde os primórdios, em 1956? Nós mesmos aqui na Trivela chegamos a fazer essa pergunta, questionando sobre quantos troféus Pelé ganharia ao longo da carreira – e, segundo a nossa análise, se aposentaria com sete. Já nesta semana, com a revelação dos três presentes na cerimônia de gala em 2015, a France Football resolveu fazer o revisionismo “oficial”. Os próprios jornalistas da revista francesa olharam para trás e mudaram o destinatário do troféu.

Ao todo, 12 Bolas de Ouro mudariam de mãos entre 1958 e 1994. E sete delas iriam justamente para Pelé, em resultado parecido com o imaginado pela Trivela meses atrás – ainda que sem coincidir exatamente nos mesmos anos. Segundo a revista francesa, o Rei desbancaria Kopa, em 1958; Di Stéfano, em 1959; Luis Suárez, em 1960; Sívori, em 1961; Yashin, em 1963; Law, em 1964; e Gerd Müller, em 1970. Viveria sete temporadas arrasadoras até completar 24 anos de idade, perdendo apenas para Garrincha em 1962. Depois disso, retomaria a condecoração com o tri.

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Tirando Pelé, apenas as Copas do Mundo inspiraram o revisionismo da France Football. O título mundial seria determinante para Garrincha, assim como para Kempes em 1978, para Maradona em 1986 e para Romário em 1994. E, em 1990, Maradona receberia pela segunda vez o troféu, mesmo vice-campeão na Copa. Pesaria não apenas o fato de ter carregado uma seleção limitada da Argentina, como também a glória máxima com o Napoli, dono do scudetto ao desbancar o poderoso Milan. No fim das contas, o Brasil seria o maior vencedor da Bola de Ouro, com 14 premiações; contando Di Stéfano, a Argentina somaria oito; já a melhor seleção europeia seria a Holanda, com sete.

Vale ainda indagar, contudo, se outras mudanças ainda não seriam possíveis. Se Didi não merecia mais do que Pelé em 1958. Ou em 1983, por exemplo, quando a World Soccer entregou o seu prêmio mundial a Zico, que trocara o Flamengo pela Udinese no meio da temporada. Além disso, outros nomes importantes despontaram na eleição feita pelo jornal El País na América do Sul a partir dos anos 1970, como Tostão, Cubillas, Figueroa e Francescoli. Talvez tivessem força suficiente ao menos para aparecer entre os finalistas. De qualquer maneira, esse tipo de eleição sempre deixa margem à discussão. E é válido ver diferentes opiniões, ainda mais quando elas vêm da própria criadora da Bola de Ouro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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