Desorganização em campo, abafa e sofrimento gremista
Raça, vontade, determinação, essas coisas todas que os torcedores adoram nos jogadores é um ótimo complemento para a comida, mas passa longe de ser suficiente para o prato principal. O Grêmio, não se pode negar, teve valentia. Quis jantar batata frita, mas o Huachipato veio para a Arena e preferiu um arroz com feijão. Simples, com tempero bem preparado. O Grêmio saiu com fome. O Huachipato voltou com o bucho cheio e três pontos ao vencer por 2 a 1.
Luxemburgo levou a campo três jogadores estreantes: André Santos na lateral esquerda, Adriano como volante e Barcos no ataque. Um dos que saíram foi Fernando, volante forte, técnico e dos melhores na posição no futebol brasileiro. Saiu mesmo assim. Opção pela confiança do técnico no novo contratado, vindo do Santos. A confiança foi pelo ralo pelo primeiro tempo ruim que o jogador fez. E acabou nem voltando para o segundo tempo, quando os chilenos já tinham aberto o placar, aproveitando espaço deixado por André Santos e a falta de cobertura de Adriano.
Só que se estava ruim, ficou ainda pior com a mudança de Luxemburgo no segundo tempo. Saiu Adriano, entrou Marcelo Moreno. Uma tentativa de dar poder ofensivo ao time, mas o que se viu foi o tricolor perder o meio-campo. E veio o segundo golpe chileno na partida, com uma cabeçada mortal do centroavante Braian Rodríguez. Uma cabeçada llá no alto, com visão privilegiada de Cris, que quando resolveu subir de cabeça, era tarde.
O Grêmio continuava com raça. Muita determinação, com Barcos perdendo a bola no ataque e vindo recuperar no meio-campo. Se raça fosse um quesito, o Grêmio receberia 10. Mas tomaria um 6 em harmonia, 4 em evolução. A organização do time lembrava o Manchester City em momentos que está perdendo o jogo. Isso mesmo: inexistente. O time jogava na base do abafa. Esquema tático Zé-Roberto-joga-no-Barcos-e-seja-o-que-Deus-quiser. Poderia ter dado certo. Veio um pênalti achado em chute de Barcos que bateu na mão adversária. Gol do Pirata.
Zé Roberto, 38 anos, camisa 10, craque, fez a sua parte. Foram deles as melhores jogadas tricolores, mesmo quando virou ala esquerdo, já no desespero. Fez uma grande jogada no fim do jogo e cruzou para Welliton perder o gol. Nos acréscimos, em escanteio, fez a cobrança na cabeça de Barcos, que obrigou o goleiro Nery Veloso a grande defesa.
Não era dia do Grêmio. Mas não por azar. Por incompetência. Faltou organização. Faltou entrosamento. Faltou ser um time. Foi um bando, com criação capenga e desespero. O Huachipato, mesmo sem ser a mesma equipe que foi campeã do Clausura, soube ser um time. Jogou, levou perigo e chutou só duas vezes menos que o Grêmio. Saiu de campo depois de jantar um arroz com feijão. De quebra, ainda marca seu nome na história como o primeiro time a derrotar o tricolor gaúcho na Arena.
O Grêmio comeu a batata frita, mas ficará com fome até a semana que vem, quando volta a campo pela Libertadores. Preferencialmente preparando um prato mais consistente.