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Corinthians/Audax conquista a Libertadores com as mulheres, em momento importante para o futebol feminino no Brasil

Ao longo dos últimos meses, o Corinthians/Audax se estabeleceu como uma das melhores equipes do futebol feminino no Brasil. Conquistou a Copa do Brasil em 2016, torneio no qual as alvinegras não poderão defender sua coroa, depois que foi extinto pela CBF. As corintianas também alcançaram a decisão do Campeonato Brasileiro em 2017, deixando o título escapar diante do Santos. Já neste final de semana, se encarregariam de trazer a Libertadores de volta ao país. Depois de uma tensa final contra o Colo-Colo, em que o empate por 0 a 0 prevaleceu, a goleira Lelê terminou como heroína para, nos pênaltis, garantir a taça inédita ao seu clube.

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Diante do incipiente calendário do futebol feminino, o Corinthians/Audax pôde desenvolver uma preparação específica ao torneio continental. Seis jogadoras foram contratadas para a disputa da Libertadores, incluindo a veterana Rosana. Reforços que davam novo impulso às brasileiras, tentando retomar a hegemonia do país na competição. Depois de seis títulos nas sete primeiras edições, o Brasil perdeu o trono em 2016, quando o Foz Cataratas parou nas semifinais e o troféu acabou erguido pelo Sportivo Limpeño.

Cabe dizer, porém, que os problemas na organização atrapalharam a Libertadores feminina. Não é de hoje que a Conmebol realiza o torneio sem o maior dos zelos, chegando a deixar para anunciar a sede de 2016 dois meses antes do pontapé inicial. Desta vez, a entidade sul-americana trouxe a competição para debaixo suas asas, em Assunção. Não impediu que o caos a tomasse, com uma intoxicação alimentar que afetou mais da metade dos elencos, hospedados em um resort na capital paraguaia. Por conta do episódio, a Conmebol adiou jogos no início do torneio.

Apesar dos percalços, o Corinthians/Audax não teve problemas para se impor. Venceu os três compromissos na fase de grupos, eliminando o Sportivo Limpeño. Nas semifinais, as alvinegras atropelaram outro anfitrião, o Cerro Porteño, com vitória por 3 a 0. As dificuldades vieram apenas na decisão contra o Colo-Colo, uma das equipes sul-americanas mais tradicionais no futebol feminino, com um título e dois vices anteriormente. Dominantes durante os 90 minutos de bola rolando, as corintianas não conseguiram aproveitar da melhor maneira as chances que criaram, enquanto as colo-colinas deram alguns sustos. Com o placar zerado prevalecendo até o apito final, o título seria determinado nos pênaltis. E foi então que a goleira Lelê brilhou.

A sorte parecia estar do lado do Colo-Colo, depois que Cacau desperdiçou logo a primeira cobrança corintiana. No quarto chute das chilenas, Lelê apareceu para negar o tento de Soto, permitindo logo depois as alternadas, com o empate por 4 a 4 na série inicial. Na sequência, logo depois que Yasmin perdeu para o Corinthians, a goleira voltou a salvar mais um arremate. E na sétima batida chilena, depois que Ana Vitória finalmente colocou as brasileiras em vantagem, Rocio Soto bateu para fora, garantindo a conquista para o clube de Parque São Jorge. Foi a redenção de Lelê, que havia falhado feio na decisão do Brasileiro, contra o Santos.

Ao lado de Santos e Colo-Colo, o Corinthians/Audax se torna o terceiro time a “unificar” as Libertadores masculina e feminina. Além disso, é o quarto clube brasileiro a se consagrar entre as mulheres. Tricampeão continental, o São José permanece como maior vencedor do torneio, com dois títulos do Santos e outro da Ferroviária. Uma conquista que motiva o projeto, em tempos nos quais o apoio ao futebol feminino volta a se retrair, diante de tudo o que ocorre na CBF. A relevância de um clube de peso é fundamental.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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