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Boca Juniors já tentou implementar torneio parecido com a Superliga na América do Sul

A Liga Sul-Americana surgiu na cola do escândalo de corrupção que assolou instituições ligadas à Fifa

Antes de existir o papo da polêmica Superliga Europeia, a América do Sul teve um projeto similar encabeçado pelo Boca Juniors. Em 2016, o Boca convocou clubes de Argentina, Brasil, Uruguai, Chile e Equador para criar a Liga Sul-Americana, uma concorrente da Libertadores, em moldes bem similares ao da competição anunciada no Velho Continente, há dois anos.

A Liga Sul-Americana surgiu na cola do escândalo de corrupção que assolou instituições ligadas à Fifa, em 2015. Naquele período, as entidades latinas passaram por uma espécie de inquisição, e nomes como José Maria Marín, ex-presidente da CBF, Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol, e José Luis Meiszner, ex-secretário da Conmebol, caíram como dominós.

Após as denúncias virem à tona, um novo presidente foi eleito pela Conmebol, em janeiro de 2016. Enquanto isso, equipes da América do Sul começaram a tratar de novos acordos políticos e econômicos, de forma aberta. Foi aí que a ideia de uma liga independente surgiu.

O Boca Juniors, à frente das negociações, que também envolvia outros grandes clubes da Argentina, como River Plate, San Lorenzo, Racing, convidou Grêmio, Corinthians, Internacional e São Paulo.

– Uma das questões da América do Sul, que faz todo sentido, é que a Conmebol, pelo menos para o Brasil, não é boa. Quer dizer, o Brasil gera muito mais dinheiro para a Conmebol e os clubes brasileiros recebem menos. Mais de metade do faturamento da Conmebol vem do mercado brasileiro, já que o mercado brasileiro é praticamente a metade da América Latina. Então depende muito do futebol brasileiro. Então, os clubes brasileiros, argentinos, colombianos, chilenos e de outros países podem se unir e, sim, fazer uma competição aos moldes da Superliga – ponderou Amir Somoggi, especialista em marketing esportivo e diretor da Sports Value.

Dinheiro é sempre a motivação

O resumo da ópera é óbvio: projeto não deu certo. Depois de reuniões e mais reuniões, o plano seguiu um caminho parecido com o que a Superliga tem trilhado na Europa. Mas vale citar que ambas as empreitadas foram motivadas pela mesma insatisfação, a financeira.

– Tudo gira em torno de dinheiro, mas também de uma discussão que é correta por parte dos clubes. Pelas minhas contas, a Champions League gera um valor importante, e cerca de 1 bilhão de euros (R$ 5 bilhões) não chega aos clubes, fica pelo caminho, fica na Uefa, tem outros gastos que poderiam chegar aos clubes – avaliou Somoggi.

– Vamos fazer uma conta simples, se fecha um grupo e tem mais de 1 bilhão ainda, além do que ele já recebem, eles faturariam muito mais. Então, individualmente faz sentido, por isso que é tão polêmico, porque não pensa no todo, não pensa na função que a Uefa, que é destinar (verba) para outras confederações menores.

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Tem solução para a insatisfação dos clubes? Especialista diz que “sim”

Os seis clubes ingleses pularam fora do barco da Superliga depois que Fifa e a Uefa ameaçarem aplicar sanções a quem se rebelar contra as entidades. Inclusive, no próximo ano, o Governo Britânico vai instaurar uma legislação, que endurece ainda mais as leis a respeito de torneios independentes. Se alguma equipe não as seguir, poderá ser banida da Premier League.

– O City está lá jogando com o Real Madrid, e um quinhãozinho daquilo acaba sendo para produzir riqueza para outras nações menores. Então, a Uefa e as outras entidades têm esse papel. É por isso que os clubes estão brigando, por uma participação (na Superliga) sem risco. O Barcelona, por exemplo, perde dinheiro cada vez que não joga a Champions, então ele o que eles querem é, como a Liga Americana, fixar os times sem nunca mais sair da competição – disse Amir.

Na visão do especialista, para conter os ânimos e impedir que a crescente insatisfação culmine na saída de grandes times do guarda-chuva das instituições, essas entidades precisam fazer concessões.

– Pessoalmente, creio que a solução seria ter um pagamento maior para os clubes grandes, assim eles não saem desse modelo que também se preocupa com os menores. Sem os grandes, os times menores dos mercados de todo o mundo não sobreviveriam com as verbas insignificantes, que é o que acabaria acontecendo se você tirasse do gigantes da conta – concluiu.

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