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As armas de San Lorenzo e Nacional para conquistar a Libertadores inédita

Ok, você não vai ver o futebol de uma Alemanha campeã do mundo disputando a decisão da Libertadores. Afinal, para quem se esqueceu, mesmo os alemães estiveram longe de um futebol tão perfeito assim na Copa do Mundo, especialmente até as quartas de final. O que não dá para tornar isso um demérito do tetra do Nationalelf. E nem de Nacional e San Lorenzo, que começam a decidir quem será o campeão da América a partir desta quarta, no Estádio Defensores del Chaco. Porque, se paraguaios e argentinos estão na final, tiveram todos os méritos para isso, mesmo que não tenha sido na base do toque de bola e do furor ofensivo. Se o futebol é tão surpreendente, é porque consagra times de estilos tão diferentes. Ainda bem.

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As campanhas de Nacional e San Lorenzo foram construídas com muita eficiência. Força defensiva, sim, mas também qualidades no ataque. Foi no toque de bola rápido que os tricolores deixaram tantos favoritos pelo caminho, principalmente em Assunção. Assim como a precisão dos cuervos derrotaram Grêmio e Cruzeiro. Dois clubes que podiam não ser os favoritos no começo da copa, mas nem por isso devem ser achincalhados. A história que construíram nesta campanha já diz mais do que qualquer peso de camisa. E, independente de quem reclama, deverão fazer uma final de Libertadores histórica. Um campeão inédito que, por suas surpresas e trunfos, não serão esquecidos tão cedo.

O que esperar do Nacional

Os jogadores do Nacional comemoram o segundo gol

Para quem ficou com a impressão de que o Nacional é retranqueiro, não se engane. Se os tricolores fazem tanto sucesso nesta Libertadores, é porque tem aproveitado muito bem os jogos de ida da competição, quando estão em casa. E não deverá ser diferente desta vez no Defensores del Chaco. O trunfo da equipe de Gustavo Morinigo é saber utilizar a vantagem de quando está em seus domínio, derrotando os amplamente favoritos Vélez e Defensor. E mesmo a vitória magra por 1 a 0 contra os argentinos ou os 2 a 0 sobre os uruguaios não condizem tanto com a realidade dos paraguaios. O Nacional jogou para vencer por mais, só faltou um pouco mais de capricho na definição.

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Sobretudo, porque o Nacional possui uma equipe muito bem encaixada. Não tem tantos valores individuais ou apresenta inovações táticas. No entanto, coletivamente a equipe funciona muito bem, especialmente nas trocas de passes no ataque. Se derem espaço a Benítez, Orué, Melgarejo e os outros homens de frente do Trico, a chance de gol surge em poucos passes, rápidos e bem tramados. Na frente, ainda há a adição de Brian Montenegro, que chegou ao clube como reforçopara a fase final da Libertadores, mas se adaptou rápido e foi o melhor da equipe nas eliminatórias contra o Defensor.

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Sem a bola, o Nacional sabe se defender muito bem, com duas linhas de quatro jogadores. Por vezes, vacila nas jogadas aéreas, mas dificilmente abre espaços a lances pela faixa central do campo ou chutes de fora da área. E, se os paraguaios precisarem, contam com o goleiro Ignacio Don fazendo ótimas partidas nesta campanha. É um dos pilares do time que não deve temer a pressão e o favoritismo que o San Lorenzo impõe. Afinal, depois de deixar para trás Vélez e Arsenal de Sarandí, o Trico já mostrou que encarar o futebol argentino está longe de ser um problema nesta Libertadores.

O que esperar do San Lorenzo

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O San Lorenzo pode ser considerado o time dos milagres na Libertadores 2014. A classificação em cima do Botafogo na primeira fase, os pênaltis contra o Grêmio, o duelo contra o Cruzeiro: boa parte da campanha foi escrita com drama. A forma como o time destroçou o Bolívar na semifinal, entretanto, aponta para outro caminho. O Ciclón também pode ser considerado o time da eficiência. Aquele que espera para dar o bote no momento certo, e dificilmente perdoa um erro do adversário.

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O sucesso do San Lorenzo no torneio é baseado nessa precisão. A equipe treinada por Edgardo Bauza se compõe muito bem na defesa, especialmente pela consistência dada por sua dupla de volantes. O entrosamento entre Mercier e Nestor Ortigoza é enorme, protegendo uma linha defensiva que costuma liberar um pouco mais os laterais. Ainda assim, mesmo os homens de frente são empenhados na recomposição. E o goleiro Torrico tem feito milagres nesta Libertadores, salvando as falhas do sistema.

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O grande trunfo dos cuervos, entretanto, está na maneira sorrateira como ataca. Muitas vezes a equipe azulgrana troca passes sem tanta projeção. Na verdade, está à espreita de apenas um ataque rápido para fuzilar. O apoio de Piatti e Villalba (os dois principais talentos individuais) pelas pontas é excelente, tornando os contra-ataques uma força. E a velocidade seria ainda maior se Ángel Correa não tivesse sofrido um problema no coração que o tirou do time. O substituto é o velho conhecido Romagnoli, de mais cadência, mas que também potencializa outra arma do Ciclón: a bola parada. Foi assim que os argentinos demoliram muitos de seus adversários. E, com a força da torcida no Nuevo Gasómetro, o serviço ficou bem mais fácil.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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