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Nacional riu na cara do perigo, mas segurou o Defensor na raça para ir à final

Não precisava ser tão difícil. Ou precisava, já que o Nacional está acostumado às adversidades. Não é um dos maiores clubes do Paraguai e deve se sentir mais à vontade nesse tipo de situação. Recuado, tentando igualar a qualidade do outro time na base da raça, do coração e do sangue. Foi desse jeito que coroou uma campanha histórica com um feito que nenhum outro time paraguaio, exceto o Olimpia, conseguiu: está na final da Libertadores da América.

MAIS NACIONAL: Querido ou não, o Nacional tem força para surpreender ainda mais

A missão no Centenário não era tão complicada depois da vitória por 2 a 0 em Assunção e o estádio nem estava lotado para empurrar o Defensor. O Nacional poderia perder por 1 a 0 que se classificaria, mas abdicou do ataque muito cedo. Desde os primeiros minutos a estratégia parecia ser apenas se defender o quanto pudesse, com quase todos os jogadores. Funcionou, é verdade, mas foi por pouco. Riu na cara do perigo muitas vezes.

O Defensor deu uma mãozinha no primeiro tempo porque limitou os seus recursos a cruzamentos desesperados à área adversária. Muito pouco para quem pode contar com a qualidade de Arrascaeta e Gedoz pelas pontas. Foram vinte bolas alçadas e apenas três certas nos 45 minutos iniciais, segundo dados da Footstats. De tanto bater, uma hora a água mole fura a pedra dura, e Arrascaeta teve ótima oportunidade em uma cavadinha de Gedoz. Quem salvou foi o goleiro Ignacio Don.

Don teve muito mais trabalho depois do intervalo. O Defensor decidiu que talvez colocar a bola no chão também fosse um meio de criar jogadas ofensivas e ficou mais perigoso. Gedoz dominou na ponta esquerda, por onde aterrorizou a zaga paraguaia a partida inteira, e chutou rente à trave. Dois minutos depois, aos 10, Arrascaeta cruzou rasteiro para Luna completar às redes e incendiar a partida. A pressão ficou ainda maior. O empate parecia questão de minutos, e a disputa de pênaltis, uma inevitabilidade.

Eis que as traves escolheram um lado nesta guerra. Por mais que fossem mais familiarizadas com o Defensor, decidiram que era a vez de o Nacional, o Querido, o simpático clube cujo site de torcedores ainda é maravilhosamente tosco, disputar a final da Libertadores. O poste esquerdo, com o pé, afastou um lindo chute de Gedoz, e Arias mandou o rebote para a lua. Mas quem salvou o dia mesmo foi o travessão.

Foi um lance inexplicável. Fosse o San Lorenzo protagonista, creditariam ao Papa Francisco. Fosse um clube brasileiro, a Deus, já que dizem que ele nasceu por essas bandas. Como tantas vezes, houve uma confusão na grande área e a bola se recusou a ser afastada. Caiu aos pés de Herrera a não mais que alguns centímetros da linha de fundo. O lateral direito não conseguiria errar se quisesse. Mas quis acertar e errou. A bola acertou o travessão, o chão e as últimas esperanças do torcedor uruguaio.

Sem problemas. O Defensor também merece muitos méritos por ter chegado tão longe na Libertadores e tão perto da decisão. Tem dois grandes talentos em Gedoz e Arrascaeta e foi uma questão de detalhe que fez a balança pender a favor do Nacional, agora o único time que se classificou com a pior campanha da fase de grupos e chegou à final da competição. O bastante para fazer inveja ao Cerro Porteño e aos outros clubes paraguaios que nunca conseguiram tanto.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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