Morte de La Bruja: Verón pai fez gol ‘à la Maradona’ em final da Libertadores contra Palmeiras
Falecido aos 81 anos, La Bruja foi o maior jogador da história do Estudiantes e o principal craque da geração tricampeã da América
Muito antes de Diego Armando Maradona driblar meio time da seleção inglesa e marcar um dos gols mais icônicos da história do futebol nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, outro argentino balançou as redes em um jogo gigante com um roteiro quase igual. Era Juan Ramón Verón, na decisão da Libertadores de 1968 contra o Palmeiras. O ídolo do Estudiantes faleceu nesta terça-feira (27), aos 81 anos.
Na ocasião, na ida da primeira competição continental que seria conquistada pelo time de La Plata, o grande craque daquela geração recebeu a bola de Raúl Madero na direita da intermediária ofensiva. O primeiro adversário a ficar para trás foi Rinaldo, seguido por Ferrari, Adhemir e Osmar. Quando chegou na área, La Bruja (bruxa), como era conhecido o atacante, mandou uma bomba e superou Valdir.
O relato descrito acima não veio após assistir a um vídeo do golaço. Na verdade, veio de artes da mídia argentina do que aconteceu no lance, pois não há registro em imagens do gol do ídolo do Estudiantes.


Essa semelhança entre os gols foi respaldada por Carlos Bilardo, ex-jogador do Estudiantes que viu do campo o tento de Verón e também técnico da Argentina em 1986. Quando questionado sobre o gol de Maradona no vestiário após a vitória sobre a Inglaterra, ele relembrou do golaço contra o Palmeiras.
— O gol do Diego me lembrou um que o Juan Ramón Verón marcou contra o Palmeiras em La Plata. Ele começou como camisa oito e terminou embaixo do gol — disse, segundo o site argentino “Infocielo”.
Há outra coincidência que une La Bruja e “El Dios”: as mães da dupla nasceram na mesma cidade de Esquina, na província de Corrientes.
Gol de Maradona de Verón seria o primeiro de três contra o Palmeiras
O golaço histórico contra o time brasileiro foi o do empate na ida, já que o Alviverde vencia a partida com gol de Servílio Filho. Eduardo Flores ainda virou e deu a vantagem aos argentinos. Na volta no Pacaembu, Verón marcou de novo, porém, o Palmeiras venceu sem dificuldades, 3 a 1, com dois de Tupãzinho e um de Rinaldo.
O regulamento da época da Libertadores previa um jogo extra em caso de uma vitória para cada lado na final, independente do agregado. Então, o Estádio Centenário, em Montevidéu, foi palco da decisão, vencida por 2 a 0 pelo Estudiantes com mais um de La Bruja, além de Ribaudo.
— O Palmeiras é um grande clube e tinha grandes jogadores. Foi uma final muito equilibrada, mas fizemos uma boa partida em Montevidéu e isso nos deu a possibilidade de ser campeões. Um jogo muito duro, difícil e parelho, mas acho que ganhamos bem — disse Juan Ramón ao site da “Gazeta Esportiva” em 2021.
Incrivelmente, o gol à la Maradona não foi o mais especial da carreira do maior jogador da história do clube de La Plata, nem nenhum dos outros contra o Palmeiras. O título continental de 1968 levou o clube de La Plata à Copa Intercontinental, na qual encarou o Manchester United de Sir Matt Busby com Bobby Charlton, Denis Law e George Best.
Após vencer o primeiro jogo com gol solitário de Conigliaro, a equipe argentina abriu o marcador na volta com uma cabeçada certeira de seu principal craque e o empate de Willie Morgan nos minutos finais não foi suficiente para tirar o título mundial dos Pincharratas em uma decisão marcada por polêmicas sobre o jogo violento dos sul-americanos.
Verón também seria decisivo em mais dois títulos da Libertadores (completando um tri entre 1968 e 1970 só superado pelo Independiente) conquistados pela melhor geração da história do Estudiantes e um dos times mais marcantes da América do Sul comandado pelo professor Osvaldo Zubeldía.
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Verón pai terminou carreira como maior da história do Estudiantes

La Bruja deixou o gigante de La Plata em 1972 para defender o Panathinaikos, da Grécia, mas retornou entre 1975 e 1976. Na sequência, passou por Júnior Barranquilla e Cúcuta Deportivo antes de retornar aos Pinchas para se aposentar com 324 jogos e 90 gols em 1982.
Após deixar os gramados, Juan Ramón só se aventurou como técnico uma vez, em 1996, como comandante da seleção da Guatemala, alcançando o quarto lugar da Copa Ouro daquele ano.
Ele preferiu assistir ao filho Juan Sebastián Verón brilhar nos gramados por Lazio, Manchester United, Internazionale e Chelsea até voltar à Argentina e ser campeão continental, como o pai, com o Estudiantes, em 2009. Hoje, La Brujita (bruxinha) é presidente do time.
— O Estudiantes anuncia com profundo pesar o falecimento de Juan Ramón Verón, símbolo indiscutível da nossa história, símbolo absoluto da nossa identidade e símbolo eterno do compromisso, da humildade e do pertencimento que distinguem o clube — lamentou o clube, em comunicado.
— Nascido em La Plata em 17 de março de 1944, Juan Ramón Verón foi um protagonista central da era mais gloriosa do Estudiantes. […] Sua figura permanece entre as mais transcendentes do futebol argentino. Um jogador de futebol excepcional, ele também foi um treinador comprometido e um modelo humano essencial para gerações inteiras — completou.



