Argentina

‘Pessoas estão sofrendo’: Jogador argentino critica governo de Javier Milei

Atleta se mostra contrário às ideias defendidas pelo presidente argentino desde 2023 e acredita que as eleições legislativas na província de Buenos Aires são uma resposta da população

O zagueiro Juan Cruz Komar, do Rosario Central, foi entrevistado pela emissora local “Comunidad Fan” e questionado sobre temas além do futebol argentino, como a política. Ele fez duras críticas ao governo de Javier Milei na Argentina.

No episódio, foram mencionadas as eleições legislativas na província de Buenos Aires, onde moram quase 40% dos eleitores do país. Os resultados preliminares indicaram vitória da Fuerza Patria (centro-esquerda) sobre a La Libertad Avanza (direita), partido do presidente Milei, por 46,9% contra 33,8%.

A votação é considerada uma espécie de “sinal” das eleições de meio de mandato, que devem ocorrer em outubro.

Acho que os resultados foram contundentes e mostram a raiva e a rejeição de grande parte do eleitorado em relação às políticas do governo. Acho que era de se esperar, porque as pessoas estão sofrendo dia após dia — declarou Komar.

‘Discurso de ódio’: Komar e outros jogadores se posicionaram contra Javier Milei

O economista foi eleito presidente da Argentina em novembro de 2023 ao superar Sergio Massa no 2º turno. Komar integrou um grupo chamado “Futbolistas Unidxs” na época, coletivo de jogadores que demonstrou preocupação com os ideais de extrema-direita defendidos por Milei e apoiou o opositor.

Outros atletas a participar foram os campeões mundiais com a seleção argentina Ubaldo Fillol, Jorge Olguín e Héctor Enrique, o atacante do Boca Juniors Milton Giménez e a jovem artilheira Paulina Gramaglia, que se transferiu do Red Bull Bragantino ao Tenerife em setembro.

Para o defensor de 29 anos do Rosario Central, a escolha por Milei passou pela indignação e desejo de mudança dos cidadãos, mas ele destacou acreditar que o político não conseguiu reverter o cenário.

O presidente tomou posse em um momento de crise financeira no país, com alta inflação, dívidas e dois quintos da população em situação de pobreza, segundo o “g1”.

Ele promoveu série de ajustes econômicos para tentar contornar o problema, o que incluiu retirar subsídios das contas de água, luz, gás e transporte público e parar de repassar verba aos estados.

As decisões respingaram na população com alta nos preços. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) informou que a inflação argentina foi de 1,9% em agosto, se mantendo estável em relação a julho e abaixo das projeções de 2% feitas por economistas. No acumulado de 12 meses, o dado ficou em 33,6%.

Além disso, 52,9% viviam em situação de pobreza no primeiro semestre de 2024, e mesmo com queda para 38,1% no segundo semestre do ano, ainda seriam mais de 11 milhões de cidadãos nestas condições na Argentina.

O mandato de Milei — que termina em 2027 — sofreu com outra crise após a denúncia de suposto envolvimento de sua irmã, Karina Milei, em escândalo de corrupção. Ela também é secretária-geral da presidência e teria cobrado propina de farmacêuticas para a compra de medicamentos destinados à rede pública.

Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), foi o responsável por denunciar, segundo a imprensa argentina, e Karina estaria atuando no esquema ao lado de Eduardo “Lule” Menem, subsecretário de gestão institucional.

— A situação econômica não está melhorando, não há obras públicas, aposentados estão sofrendo cortes e sendo maltratados, pessoas com deficiência também. Há escândalos de corrupção. É muita coisa que as pessoas não toleram — criticou Komar.

Milei também já esteve no noticiário esportivo argentino. Ele já declarou em campanha ter o desejo de promover na Argentina algo semelhante às SAFs do Brasil, as SADs (Sociedades Anônimas Desportivas), o que é proibido no país.

— Não queremos, com nosso silêncio, ser cúmplices do discurso de ódio que este candidato, Javier Milei, prega há muito tempo, da violência verbal que sabemos que se transforma em violência física, da negação do que aconteceu durante a última ditadura, que, entre os 30.000 compatriotas que levou, incluía 220 atletas. (…) Seguimos fervorosamente o lema que diz: ‘uma criança a mais no clube é uma criança a menos na rua’. Nossos clubes eles visam a inclusão de milhares, e acreditamos que a paixão não pode ser privatizada — dizia parte do texto do “Futbolistas Unidxs”.

Suas declarações foram acompanhadas de muitas críticas do mundo do futebol. Juan Román Riquelme, grande ídolo e atual presidente do Boca Juniors, foi um dos que encabeçou a lista de opositores à chegada das SAD.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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