Argentina

Como posicionamento de Javier Milei pode transformar o futebol argentino que conhecemos hoje

Javier Milei, o recém-eleito presidente da Argentina, quer realizar mudanças no futebol de seu país

No último domingo (19), Javier Milei foi eleito o presidente da Argentina. O candidato do partido Liberdade Avança venceu o segundo turno contra Sergio Massa (peronista) com recorde de votos no país: 14.476.462. E o ultraliberalista promete transformar o futebol como conhecemos hoje.

Isso porque Milei já adiantou que promoverá a chegada das sociedades anônimas para instituições esportivas, algo semelhante às SAFs do Brasil. O modelo de capital privado é proibido por lei na Argentina, onde os clubes operam como sociedades civis.

Caso o presidente do país cumpra com sua promessa, as equipes poderão deixar de ser associações civis sem fins lucrativos. Só que essa possibilidade fez com que centenas de times argentinos, incluindo desde os gigantes Boca Juniors e River Plate, até os de Segunda Divisão, se manifestassem contra, assim como ex-jogadores.

Fato é que o governante do Liberdade Avança expressou seu desejo de privatizar as equipes. O ultraliberalista deixou claro que é a favor da transformação, citando os casos envolvendo o futebol de outros países. Como exemplo, ele se apoiou no futebol da Inglaterra:

“Gosto do modelo inglês. Eles não estão indo mal. Eles têm clubes que estão listados em bolsa e tudo mais. Boce poderia ser comprado por capitais árabes, o River por capitais franceses. O que importa de quem é o clube se você vence o River por 5 a 0 e é campeão mundial e tudo mais? Ou prefere continuar nesta miséria que temos, com um futebol de qualidade cada vez pior? Como vemos cada vez que saímos da Argentina?”.

Proposta de Javier Milei não é novidade na Argentina

Vale ressaltar que a ideia de criar sociedades anônimas no futebol não é novidade na Argentina. Nos anos 1990, Mauricio Macri, então presidente do Boca Juniors, liderou uma iniciativa nesse sentido, mas o comitê executivo da Associação do Futebol Argentino (AFA) barrou o projeto.

Quase duas décadas depois, Macri voltou a fazer uma tentativa para permitir a mudança no futebol do país. Em 2018, o ex-presidente da Argentina viu clubes e torcedores rejeitarem o projeto. Nesta semana, foi a vez de Javier Milei insistir no modelo de privatização dos clubes:

“Por que restringir a possibilidade de existirem clubes que sejam sociedades anônimas? E se alguém quiser que seu clube seja como o Manchester City? Qual é o problema?”.

Clubes se unem contra a transformação proposta pelo presidente da Argentina

A iniciativa do presidente argentino caiu como uma bomba no país. Clubes filiados à AFA, como o Boca, chegaram se manifestar abertamente contra o candidato ultraliberalista. Diante dessa ameaça iminente, a federação convocou os parlamentares para um plebiscito visando rejeitar o modelo de sociedas anônimas de instituições esportivas.

Um comunicado enviado aos conselheiros dos clubes diz: “Na próxima quinta-feira, 23/11/2023, ao término do último ponto a ser discutido pela Assembleia Geral Ordinária, os Delegados serão submetidos a votação sobre a incorporação das Sociedades Anônimas Desportivas (SAD) ao Estatuto Social da AFA. A votação terá caráter de Plebiscito e seu resultado será incorporado à Ata da Assembleia”. As informações são do jornal espanhol Sport.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Unesp, é apaixonado por esportes, acima de tudo o futebol. Por mais redundante que seja, ama escrever sobre o que é apaixonado, ficando de olho em tudo o que acontece dentro e fora de campo. Após passar por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia, se juntou à equipe da Trivela com muita vontade de continuar crescendo.
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