O River acumula 20 vitórias seguidas em casa, algo inédito na era profissional argentina
O River Plate só sofreu uma derrota no Monumental desde a reinauguração do estádio e ganhou todas as partidas em casa desde março

A reforma do Monumental de Núñez inaugurou também uma nova era para o River Plate. A modernização do estádio era fundamental, não apenas para garantir mais fontes de receitas, como também para melhorar a atmosfera nas arquibancadas. É inegável que o projeto de trazer o público para mais perto do gramado transformou as sensações ao redor do caldeirão. E isso impacta positivamente dentro de campo: o River acumula 20 vitórias consecutivas como mandante. Tal marca é inédita desde que o profissionalismo foi adotado no Campeonato Argentino, em 1931.
O marco foi estabelecido pelo River Plate nesta quarta-feira, com a vitória por 3 a 0 sobre o Independiente, pela Copa da Liga Argentina. Foi um resultado importante, diante da boa fase do Rojo sob as ordens de Carlos Tevez. Não à toa, o triunfo permitiu que o River tomasse a liderança do Grupo A, agora dois pontos à frente do time de Avellaneda. Miguel Borja anotou dois gols dos millonarios, enquanto Pablo Solari fechou a contagem. A imposição da equipe de Martín Demichelis na sequência de vitórias impressiona. São 46 gols anotados e apenas nove sofridos. Que a campanha na Libertadores não tenha sido a esperada, com a queda diante do Internacional, o River pelo menos conquistou o Campeonato Argentino e desponta como forte candidato na Copa da Liga.
River ⬜️🟥⬜️ alcanzó las 20 victorias consecutivas como local en El Monumental. Es récord para el fútbol argentino durante el Profesionalismo. pic.twitter.com/Z3YOhFuujb
— VSports Team (@VSportsTM) October 26, 2023
O recorde anterior de vitórias como mandante no futebol profissional da Argentina tinha sido estabelecido pelo Rosario Central. Os canallas ganharam 18 jogos consecutivos no Gigante de Arroyito em 1974, tempos nos quais eram estrelados por Aldo Poy e Mario Kempes. O River Plate já passou confortavelmente esta marca. Pensando também em tempos amadores, outros três times aparecem à frente dos millonarios: o Independiente em 1926/27, com 24 vitórias; o Racing em 1917/19, com 23 vitórias; e o Boca Juniors em 1923/25, com 21 vitórias. Até o final da fase de classificação da Copa da Liga, o River pode alcançar os xeneizes, com duelos diante de Huracán e Instituto de Córdoba em casa.
A abertura oficial do novo Monumental de Núñez aconteceu em 12 de fevereiro, com vitória por 2 a 1 sobre o Argentinos Juniors. A única derrota ocorreu exatamente na partida seguinte, com os 2 a 1 do Arsenal de Sarandí pelo Campeonato Argentino. Desde então, os millonarios ganharam todos os seus compromissos em casa. Foram mais 11 partidas pela Superliga, quatro pela Libertadores e cinco na atual Copa da Liga. E isso porque a conta não inclui ainda dois amistosos nos quais os anfitriões fizeram as honras da casa.
O novo Monumental também impulsiona os resultados da seleção da Argentina desde a conquista da Copa do Mundo. O aproveitamento da Albiceleste em casa é impecável ao longo de 2023. A equipe de Lionel Scaloni ganhou seus três duelos no estádio, com quatro gols marcados e nenhum sofrido. O momento dos argentinos é inspiradíssimo, com oito vitórias nos oito jogos disputados desde a final no Estádio Lusail, sem que sofressem gols em todos esses compromissos.
A base do sucesso
Obviamente, o sucesso do River Plate no novo Monumental de Núñez vai além da mística do estádio ou do apoio mais presente da torcida. Martín Demichelis tem méritos à frente dos millonarios, dando conta do recado ao substituir o histórico Marcelo Gallardo. O ex-zagueiro vinha sob certa desconfiança, pela falta de experiência como treinador principal, após trabalhar na base do Bayern de Munique. Entretanto, seu nível de desempenho é excelente, com 31 vitórias em 48 partidas e um aproveitamento de 69% dos pontos. Consegue montar um time competitivo, apesar das muitas mudanças.
Já dentro de campo, o River Plate vive uma transição de protagonistas. Os millonarios revelaram muitos talentos ao longo dos últimos anos, mas cada vez mais os destaques do time fazem as malas para a Europa. Ainda há referências de outras glórias que seguem sendo essenciais à equipe titular, como Franco Armani, Milton Casco, Enzo Pérez e Nicolás de la Cruz. Todavia, há um processo de repatriar ídolos que se nota sobretudo no meio-campo, com Nacho Fernández, Matías Kranevitter, Manuel Lanzini e Pity Martínez. Já o ataque conta com uma mescla de figuras tarimbadas, a exemplo de Miguel Borja e José Salomón Rondón, com promessas do calibre de Pablo Solari e Santiago Simón. A roda continua a girar.
Diante do momento de crise da economia argentina como um todo, o River Plate não consegue montar o time mais competitivo para o cenário continental. Gallardo contou com elencos mais fortes ao longo de seu ciclo, assim como fazia um trabalho coletivo excepcional para potencializar os jogadores. Em anos mais recentes, a base se tornou primordial à competitividade. De qualquer maneira, a profundidade do grupo e a experiência de muitas opções ainda alimenta o sucesso doméstico dos millonarios. O Boca Juniors até conseguiu voltar a uma final de Libertadores com muitos medalhões em seu elenco. Mas, em torneios de mais fôlego, o River é superior em tempos recentes.
Os únicos poréns para o River Plate no ano ficam mesmo em relação aos mata-matas. Os millonarios caíram nas oitavas de final da Libertadores diante do Internacional, mas num confronto apertado, no qual foram superados apenas nos pênaltis em Porto Alegre. Antes disso, o time também havia caído na Copa Argentina contra o Talleres. Nem tudo é perfeito sob as ordens de Demichelis, vide algumas derrotas duras fora de casa, como os 5 a 1 do Fluminense no Maracanã ou os 3 a 1 do Strongest em La Paz. Todavia, dentro de casa, nunca se viu um River tão avassalador. Na Argentina sob o profissionalismo, nunca ocorreu nada igual.



