Argentina

‘Dói muitíssimo’: o relato de Paredes sobre o estado de Di María após receber ameaças

Por conta da crise de violência que assola Rosário, meia-atacante repensa retorno ao futebol argentino

No final de maio, Di María voltou a ser alvo de ameaças em Rosário, sua cidade natal na Argentina. Um mural com o rosto do meia-atacante foi pichado com o questionamento “Ainda vai voltar?”. No mesmo dia, bandidos atiraram contra um posto de gasolina e deixaram um bilhete endereçado ao jogador do Benfica.

— Estamos te esperando, Di María. Os rosarinos — dizia o bilhete.

Em março deste ano, Di María e sua família já haviam recebido ameaças em Rosário. A situação entristece o jogador, que desejava retornar para atuar no Rosário Central, clube que o revelou no futebol.

Leandro Paredes, companheiro de Di María na seleção argentina, comentou sobre a situação do amigo. Segundo o volante da Roma, o camisa 11 sonhava com o retorno e sua frustração é visível durante os treinos da albiceleste.

— O vi muito triste, porque ele tinha uma expectativa muito grande de poder voltar agora. Estamos conscientes de que parte do país não está nas melhores condições para podermos voltar. Tem suas filhas bastante crescidas. Foram criadas na Europa, e voltar a um país em que se passa isso seguramente não é fácil — disse Paredes, em entrevista à DSports.

— Sou dos que querem que os amigos cumpram os seus sonhos e pensar que ele não possa fazê-lo dói muitíssimo. Temos que colocar muitas coisas na balança, e uma é a insegurança no país. Nós que estamos há tanto tempo fora pensamos muito antes de voltar.

Di María e Paredes celebram vitória argentina sobre a seleção brasileira, no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo 2026 (Foto: Icon Sport)

Entenda a violência em Rosário

Há alguns meses a realidade em Rosário é preocupante. A cidade, situada na província de Santa Fé e terceira mais populosa da Argentina, enfrenta uma crise sem precedentes na segurança pública.

Em março, uma onda de assassinatos assolou a cidade. Dois taxistas, um motorista de ônibus e um frentista faleceram. Em virtude dos atentados, sistemas de transporte, escolas e postos de gasolinas foram fechados às pressas.

Patricia Bullrich, ministra da segurança do governo Javier Milei, usou o termo “narco terroristas” para denominar os criminosos responsáveis pelas cenas de guerra em Rosário. Milei, por sua vez, também falou em lei antiterrorismo. A cidade ultrapassou a marca de 22 homicídios a cada 100 mil habitantes.

Dias após a primeira ameaça contra Di María e sua família, em março, a polícia de Rosário prendeu o principal suspeito. Investigado por narcotráfico, o criminoso foi encontrado com 135 gramas de cocaína e uma pistola calibre 22.

A tensão na cidade é aumentada com o retorno de figuras renomadas como Di María. Isso porque, se por um lado o regresso do jogador traz alegria, por outro acaba mobilizando facções criminosas a atuarem com intimidações.

Desse modo, a calorosa Rosário se encontra dividida entre a idolatria e o risco atribuído à presença de sua estrela.

O apoio do Rosario Central a Di María

Desde a primeira ameaça, o Rosario Central saiu em defesa de Di María. O clube se colocou à disposição do jogador e deixou a decisão sobre voltar ou não à cidade exclusivamente com ele.

“O clube repudia os fatos de conhecimento público, em que se registraram ameaças contra um reconhecido jogador surgido de nossa base. Não se pode permitir que queiram amedrontar os jogadores ou atentar contra eles e seus familiares, que são os protagonistas principais dos espetáculos esportivos, assim como tampouco se pode permitir violência contra nenhum integrante da família do futebol.

Isso tem de terminar de forma definitiva na cidade. Estamos firmes em avançar como clube que se sente diretamente danificado por esses fatos. Solicitaremos sanções até as últimas consequências a quem estiver envolvido”, diz a nota emitida pelo Rosario”.

O contrato de Di María com o Benfica se encerra no próximo dia 30 de junho, e até o momento ele não decidiu onde atuará na próxima temporada. Apesar da crise de violência, o meia-atacante ainda cogita a possibilidade de voltar à Argentina. Se juntar a Lionel Messi no Inter Miami também é uma forte possibilidade.

Enquanto não define o futuro, Di María se prepara para seu último ato pela Argentina. Nos Estados Unidos, o veterano tentará conquistar o bicampeonato da Copa América antes de se aposentar da seleção albiceleste.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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