Por atrasos salariais, jogadores argentinos prometem greve, adiando reinício do campeonato

O futebol argentino lida com um turbilhão de problemas. Nos últimos dias, os dirigentes dos clubes e da federação se ocuparam de diferentes tarefas. Realizaram assembleias para mudar o estatuto, acertar os detalhes da rescisão de contrato com a Fútbol Para Todos e analisar novas propostas aos direitos de TV. Enquanto isso, parte dos cartolas se esquecem dos direitos mais básicos. E, diante dos atrasos salariais, os jogadores de todas as divisões prometem não entrar em campo no próximo final de semana, quando os campeonatos nacionais deveriam ser retomados.
Não é a primeira vez nos últimos meses que os futebolistas agem desta maneira. Em agosto, os atrasos já eram comuns nos clubes das divisões da acesso, sem receber o dinheiro da federação. Diante do impasse, os jogadores da primeira divisão se uniram à causa e encabeçaram a campanha para não “matarem o ascenso”. Tevez, Erviti e Cuesta estiveram entre os que se manifestaram publicamente. Agora, a falta de pagamento se repete, levando outra vez à situação extrema.
“A Futebolistas Argentinos Agremiados mantém a sua postura de não dar começo à segunda parte dos torneios profissionais organizados pela AFA, previstos inicialmente para o dia 3 de março. Os irresponsáveis dirigentes de numerosos clubes, que geraram (uma vez mais) a descomunal dívida que mantêm com os futebolistas, continuam com sua indiferença, não respondendo às reclamações. Assim, seguimos firmes na decisão de não participar dos jogos oficiais em protesto”, afirmou a entidade, em nota oficial.
E as expectativas não são tão seguras para a retomada das atividades. Os primeiros jogos estão marcados para a próxima sexta, enquanto as atividades bancárias no país, por causa do Carnaval, serão retomadas quarta. Os clubes precisam receber o dinheiro da rescisão do contrato com a Fútbol Para Todos, que está para ser depositado pelo governo argentino. A partir de então, o entrave seria solucionado.
Apesar dos temores, o presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, tentou colocar panos quentes sobre a situação. “A ideia é que a bola volte a rolar, porque assim é mais fácil de solucionar o problema. Já vimos essa novela todos os anos. Os clubes precisam ser mais responsáveis no momento de contratar os jogadores. Logo virá uma nova etapa no futebol de nosso país, com um fair play financeiro muito duro”, apontou o cartola, um dos líderes das negociações com a federação e aliado do governo. Enquanto olham para o próprio umbigo, os dirigentes se esquecem de questões básicas. O cobertor anda curto demais, e quem sofre é a parte mais fraca.



