Argentina

Clubes das divisões de acesso da Argentina farão greve e ganham apoio de jogadores da elite

A federação argentina vive uma das maiores crises de sua história. Os problemas políticos causam uma queda de braço entre os principais clubes do país, que desejam a criação de uma “superliga”, e os demais que se sentem prejudicados pela ideia. Neste limbo, a AFA está sem direção. E quem sofre são justamente os pequenos. Os clubes do Ascenso (como são chamadas as divisões inferiores, a partir da segunda) não vêm recebendo o dinheiro devido pela entidade nacional, sem saber sequer quanto lhes é devido e como será a repartição. Na última semana, pegaram apenas parte dos valores necessários para bancar gastos com segurança e viagens – que consideram exorbitantes. Assim, haverá greve.

VEJA TAMBÉM: Por que os clubes criaram a Superliga Argentina e como ela funciona

Representantes do Ascenso e mesmo alguns da primeira divisão se reuniram para discutir sua postura, ratificando a paralisação e enviando uma carta à Fifa para reclamar do descaso. E a solidariedade inclui alguns dos principais jogadores do futebol argentino. Na última hora, os astros apareceram segurando cartazes com a mensagem “Não matem o Ascenso”. Entre eles estavam Tevez, Cuesta e Erviti. O craque do Boca Juniors chegou a almoçar com o elenco do Barracas Central e com Chiqui Tapia – líder do movimento, candidato à presidência da AFA e também um dos principais opositores à superliga. Enquanto isso, em nome dos atletas do San Lorenzo, Romagnoli chegou a afirmar que, se o Ascenso não começar, o clube também não entra em campo na rodada inicial do Campeonato Argentino. Algo que pode se espalhar por outros times.

Mesmo os clubes defensores da superliga compartilham a defesa de ajuda e mudanças ao ascenso. O presidente do River Plate, Rodolfo D’Onofrio, chamou o formato da segunda divisão de absurdo, pela quantidade de viagens que as equipes precisam fazer. “Falamos muitas vezes com os dirigentes do Ascenso e entendemos que, assim como está armado o torneio, com menos de 1,5 milhão de pesos por mês ele é inviável”, declarou ao Fox Sports.

O início da primeira divisão está marcado para a quinta-feira da próxima semana, enquanto a segundona teria seu pontapé inicial já nesta sexta. E, ao que parece, a situação não deve se resolver tão já. O futebol argentino possui um histórico longo de greves de jogadores, e não surpreenderia a solidarização dos profissionais da elite com os colegas do Ascenso. Entrave gigantesco para a “comissão normalizadora” que atualmente dirige a AFA resolver. Mas que, no fim das contas, depende de uma reforma que foge de uma solução imediata.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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