Não é só por aqui: Grandes argentinos começam a articular a criação de uma SuperLiga

Federação envolvida em casos de corrupção e recorrentes desmandos. Clubes descontentes com o potencial financeiro desperdiçado por isso. Você pode até aplicar este cenário, com as devidas adaptações, ao futebol brasileiro. Mas a discussão recorrente por aqui também toma forma na Argentina. Durante esta semana, ganhou força a ideia de criar uma SuperLiga no país: um campeonato nacional gerido pelos próprios clubes, enquanto a AFA permaneceria no controle das divisões inferiores e da seleção nacional. A intenção é adaptar o modelo das ligas europeias, como a Premier League ou a Bundesliga, para a realidade argentina.
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Nesta segunda-feira, representantes dos principais clubes locais se reuniram em um restaurante para discutir a ideia. Chegaram a um acordo sobre o modelo, que separaria a primeira e a segunda divisão da AFA, buscando uma gestão mais profissional. A intenção é encabeçada pelos “quatro grandes” (Boca Juniors, River Plate, San Lorenzo e Racing), contando até mesmo com o aval do governo nacional – de Mauricio Macri, liberal que ascendeu politicamente a partir de sua passagem pela presidência do Boca. Times como Vélez, Huracán, Estudiantes e Banfield também simpatizam com a iniciativa.
No entanto, apesar da simpatia do poder público, a SuperLiga deverá enfrentar alguns tantos obstáculos para seguir em frente. O primeiro estaria dentro da própria AFA, que precisaria concordar com os termos propostos pelos clubes. Caso isso não aconteça, a liga já estaria disposta a uma cisão, independente da disputa legal. Além disso, equipes menores do futebol nacional também não se sugerem satisfeitas com a quebra no modelo, temendo que acabem deixadas de lado. Um movimento de resistência entre eles já se desenha. Vale lembrar que a atual edição do Campeonato Argentino possui 30 equipes. A adoção da SuperLiga possivelmente enxugaria a tabela e, diante do protagonismo dos grandes, não é de se duvidar que isso acontecesse de maneira seletiva.
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A divisão ainda ocorre em momentos decisivos para a AFA, que passará por eleições em 30 de junho. Nesta terça, o Comitê Executivo da entidade se reuniu, mas sem a presença dos grandes, que preferiram evitar a discussão da SuperLiga no âmbito geral. Entre os principais antagonistas ao novo sistema está Claudio Chiqui Tapia, candidato que desponta à presidência da AFA. O presidente do Barracas Central é entusiasta da abertura da elite do campeonato nacional e conta com amplo apoio das equipes do interior.
“Esta é uma clara reação ante um cenário eleitoral no qual nem o governo e nem este grupo de clubes puderam lançar um candidato que reúna certo consenso. Então buscam este disparate que é criar a SuperLiga”, declarou Tapia. De fato, a disputa entre os clubes sinaliza a dois modelos distintos de reger o futebol: a expansão promovida durante as últimas temporadas e o projeto mais liberal de autonomia aos clubes. Em ambos, de qualquer maneira, houve/há certa interferência do governo argentino.
A disputa política deverá ser longa e se intensificar principalmente às vésperas das eleições na AFA. Os novos rumos da entidade, aliás, serão determinantes para o tamanho da cisão que se desenha na Argentina. Não é de se estranhar a queda de braço, quando há tanto poder e dinheiro na disputa. De qualquer maneira, os clubes argentinos precisam procurar um caminho que não atravanque sua competitividade por causa do jogo de interesses.



