Argentina

Com aval da Fifa, Maradona quer limpar AFA e critica torneio de 30 clubes

A relação de Diego Maradona com a Fifa sempre foi de inimigos. Desde que se tornou uma estrela mundial, a relação é conturbada com a entidade que dirige o futebol mundial. A chegada de Gianni Infantino à presidência do órgão parece ter mudado isso. O suíço de origem italiana conseguiu convencer Maradona a estar mais perto. E o argentino se mostrou disposto a trabalhar para mudar o futebol. Colocou um objetivo claro: limpar a AFA (Asociasión del Fútbol Argentino).

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“Eu cheguei à Fifa para limpar a AFA. E eu vou fazer. Se tiver que pisar em cabeças, farei isso. Não vou perdoar ninguém. Já disse a Infantino que a Comissão Normalizadora vão embora. Da mesma forma que queremos a Fifa transparente, queremos o mesmo para a AFA. Infantino quer que eu dê a última martelada”, afirmou Maradona em entrevista à rádio Rivadavia.

“Na AFA quero gente honesta e que não tenha roubado. Eu me reuni com ‘Chiqui’ Tapia e também farei isso com Daniel Angelici, mas a reunião ainda não aconteceu. Precisamos de um homem com nobreza, dignidade e que não queira enriquecer com o futebol. Chega de roubar”, continuou o ídolo.

Um ponto muito criticado no futebol argentino foi também alvo de Maradona. “É preciso organizar os torneios. Não é possível mostrar espetáculos vergonhosos como o torneio de 30 times”, disse El Pibe.

A metralhadora de Maradona não se restringiu a dirigentes. Os jogadores também foram alvo, de certa forma, com a crítica ao secretário-geral do sindicato dos jogadores (Futbolistas Argentinos Agremiados), Sergio Marchi.

“Se verá uma mudança no sindicato que vai ser muito forte. Eu garanto. Marchi está lá desde Grondona… E Grondona morreu. Não quero que Marchi morra, mas quero que ele saia de lá”, declarou Maradona. “Queremos caras novas que nos defendem e digam: ‘Se não  me pagam, como todo trabalhador, não corro atrás de uma bola’. No futebol nos conhecemos a todos. Marchi: chega”, criticou o ex-jogador.

A seleção argentina também foi assunto da entrevista com Maradona. “Se queremos a nossa bandeira, não falemos mais que não vamos nos classificar: tenhamos fé. A equipe não está mal. Messi tem que ser o dono da partida, mas quando tiver que descansar, que os demais trabalhem. Tenho uma relação ótima com Bauza desde a Copa de 90 e gosto muitíssimo dele. Em 90, Bauza era o primeiro a treinar e se sacrificar. Ele falava e não era convocado… Como não vou ajudá-lo?” , afirmou Maradona.

Se você sentia falta de Maradona no futebol, pois fique tranquilo. O ídolo argentino e mundial disse que permanecerá trabalhando no esporte que o consagrou. “Hoje estou bem, não tenho que pensar em nada: estou fadado a trabalhar. E digo sem soberba: o futebol precisa de mim”.

O futebol argentino está um caos. Precisa da ajuda de quem puder. Maradona, com o seu tamanho e, agora, pela primeira vez próximo à Fifa, quer aproveitar esse poder – e a necessidade de Infantino em ter os jogadores históricos por perto – para finalmente fazer com que o futebol do seu país melhore. Se Maradona é a pessoa para fazer isso, não sabemos. Pela primeira vez em muitos anos, ele tem força para isso.

(Foto: Philipp Schmidli/Getty Images)

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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