A morte do ‘pai da democracia portuguesa’ fez os três grandes clubes se unirem em respeito

Portugal perdeu uma das figuras mais notáveis de sua política neste final de semana. Mário Soares ajudou a coordenar o período de redemocratização do país após o fim da ditadura de Antonio de Oliveira Salazar, ocupando o cargo de primeiro ministro nos quatro primeiros governos provisórios, entre 1976 e 1978. Por isso, costumava ser chamado de “pai da democracia portuguesa”. Nesta época, iniciou o processo de descolonização dos países africanos – o que, no entanto, também gerou críticas às consequências de suas decisões. Voltou a atuar como primeiro ministro entre 1983 e 1985. Além disso, o político presidiu os lusitanos por dois mandatos, entre 1986 e 1996, e participou da integração da nação à Comunidade Econômica Europeia. Faleceu neste sábado, aos 92 anos, após passar cerca de um mês internado com o estado de saúde debilitado.
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Que não fosse unanimidade como político, o respeito ao papel de Soares como pessoa e dentro da história de Portugal no Século XX imperou. Fez com que os três grandes clubes do país se alinhassem para prestar condolências ao ex-estadista. Benfica, Porto e Sporting se manifestaram com pesares. Além disso, durante a última rodada do Campeonato Português, o minuto de silêncio foi guardado em todas as partidas.
“Nesta hora de enorme perda para o país e para a lusofonia de uma grande personalidade, fundadora da democracia portuguesa, promotora da adesão de Portugal à União Europeia e titular dos principais cargos políticos de Portugal, em meu nome pessoal e do Sport Lisboa e Benfica expresso o mais profundo pesar pelo falecimento do Dr. Mário Soares”, declarou Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica. Em 1992, Soares condecorou Eusébio com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, um dos principais reconhecimentos por serviços prestados ao país, em pleno Estádio da Luz.
O Porto, por sua vez, exaltou a representatividade política de Soares, além de suas ligações com o clube. O lisboeta foi nomeado Dragão de Honra em 1986. “Soares foi reconhecido internacionalmente como um grande lutador pela liberdade, que não se inibiu de apelar ao direito à indignação quando os direitos, liberdades e garantias básicas não se encontravam garantidas”, apontou o clube, em nota oficial.
Já o Sporting, por meio do presidente Bruno de Carvalho, ressaltou o caráter humano do falecido: “Morreu Mário Soares, ex-Presidente da República, ex-primeiro-ministro e um dos homens a quem devemos a conquista da nossa democracia. Com todos os seus defeitos e virtudes – era um ser humano como todos nós – não deixou de ser um estadista”.
A Federação Portuguesa de Futebol fez coro ao luto nacional, na voz do presidente Fernando Gomes: “Mário Soares foi e será sempre uma referência única na história moderna de Portugal. O seu combate por uma sociedade mais democrática, plural e progressista serviu e servirá sempre de referência a quem, como ele, amava profundamente e queria servir Portugal. Mário Soares, ao lutar pelos seus ideais de justiça, liberdade e igualdade, tornou-se não só num dos mais importantes político da nossa história moderna, mas, igualmente, contribuiu para tornar muito melhor o nosso país”.
Por fim, a morte também repercutiu no futebol brasileiro, através da Portuguesa. Em 1987, o então presidente lusitano visitou o clube e ganhou uma placa em homenagem no Canindé. Os rubro-verdes enviaram uma carta de condolências ao Consulado Geral de Portugal em São Paulo.



