‘Campeã’ das Eliminatórias, Argentina não pode se iludir
A Argentina nadou de braçada nas Eliminatórias da Copa. A classificação ao Mundial saiu com duas rodadas de antecedência, enquanto a primeira colocação foi confirmada na penúltima rodada, com a virada por 3 a 1 sobre o Peru. Um título simbólico, que serve para representar a excelente fase da Albiceleste sob o comando de Alejandro Sabella. Mas que maneira alguma deve iludir a equipe, como aconteceu em outras duas ocasiões.
Desde que as Eliminatórias passaram a adotar os pontos corridos, na campanha rumo ao Mundial da França, a Argentina foi “campeã” em três das cinco edições do torneio. Em 1998, sem o Brasil pelo caminho, a Albiceleste teve um primeiro turno turbulento, mas arrancou no returno com cinco vitórias consecutivas. Acabou eliminada nas quartas de final da Copa, pela Holanda.
Já em 2002, a campanha da Argentina foi impecável e dificilmente será repetida tão cedo. Treze vitórias em 18 jogos e apenas uma derrota – os 3 a 1 para o Brasil no Morumbi, com dois gols de Vampeta e outro de Alex. O time de Marcelo Bielsa fechou a competição com 79,6% de aproveitamento e 12 pontos de vantagem para o Equador, o segundo colocado. Garantia de sucesso no Japão e na Coreia? Pelo contrário, como a amarga eliminação na fase de grupos bem lembra.
Na edição seguinte das Eliminatórias, a Albiceleste continuou fazendo boa campanha e só não foi a primeira colocada porque o Brasil tinha saldo de gols superior. Em 2010, o ponto fora da curva, com a classificação sofrida ao Mundial da África do Sul, incluído a inesquecível derrota por 6 a 1 para a Bolívia em La Paz.
Na caminhada rumo ao Brasil, a Argentina manteve os pés no chão. Conquistou boas vitórias em Buenos Aires, com destaque para os 4 a 1 sobre o Chile, na estreia, e para os 3 a 0 sobre o Uruguai, há um ano. E, fora de casa, o time não teve medo de jogar feio. Venceu sim, Chile, Colômbia e Paraguai. Mas também segurou o empate quando preciso e só acabou derrotada uma vez, pela Venezuela.
A produtividade do ataque é a maior credencial para a Copa. Com Lionel Messi, Gonzalo Higuaín e Sergio Agüero afinados, os argentinos mantiveram média superior a dois gols por jogo. Mas também precisam ter consciência da limitação de sua defesa, que deu uma mostra do pesadelo que pode ser no gol de Claudio Pizarro, que abriu a virada sobre os peruanos. Afinal, ganhar as Eliminatórias pode até ser empolgante, mas o título que realmente importa só estará em disputa a partir de junho de 2014 – e, este, a Albiceleste não leva há 27 anos.



