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O ataque levou a Argentina à Copa. A defesa pode dar a taça

Não há dúvidas sobre o talento disponível no ataque da Argentina. Se dependesse só de Lionel Messi, a Albiceleste já teria um setor ofensivo poderosíssimo. No entanto, o camisa 10 ainda pode contar com Agüero, Higuaín e Di María ao seu lado – isso sem contar Lavezzi, Tevez, Palacio, Lamela e outros com tanta capacidade de marcar gols quanto os titulares do time de Alejandro Sabella. Graças ao talento de seus goleadores, os argentinos foram os primeiros sul-americanos a se classificar nas Eliminatórias. Mas precisam pensar em outros problemas se também quiserem se dar bem na Copa do Mundo de 2014.

A Argentina tinha obrigação de vir ao próximo Mundial, mas não dá para negar os méritos de Alejandro Sabella na garantia da vaga. O técnico assumiu a seleção depois da decepcionante eliminação na Copa América e é o responsável pela excelente fase vivida pela Albiceleste. Os argentinos não perdem um jogo com a equipe principal desde outubro de 2011 – por sinal, a única derrota de Sabella com seus melhores jogadores à disposição. O tropeço aconteceu contra a Venezuela, fora de casa, também no único revés do país nestas Eliminatórias.

O diferencial de Sabella foi transformar o amontoado de craques argentinos em uma equipe de verdade. Sobretudo, o técnico conseguiu encontrar um encaixe para seus homens de frente, com Messi alimentando Agüero e Higuaín. Não à toa, o craque vive sua melhor fase com a camisa azul e branca, autor de 20 gols em 22 jogos desde a Copa América. E, impulsionada pelo artilheiro do qualificatório, a Albiceleste também conta com o melhor ataque da competição, com média superior a dois tentos por partida.

O retrospecto recente traz ótimas perspectivas à Argentina. Ainda assim, há um porém. A falta de segurança da defesa continua tirando o sono de boa parte dos torcedores. Se o time tem funcionado nas Eliminatórias e nos amistosos, há a desconfiança de como o setor poderá se portar na Copa do Mundo. Sergio Romero está longe de ser uma unanimidade no gol, enquanto a lateral esquerda segue sem um dono.

A goleada sobre o Paraguai em Assunção, no jogo que confirmou a classificação, é um exemplo da antítese argentina. Messi, Agüero, Di María e Maxi Rodríguez protagonizaram a goleada por 5 a 2, em mais uma prova da eficiência do ataque. Contudo, a defesa foi capaz de tomar dois gols bobos. O primeiro, em uma trapalhada coletiva após cruzamento. A outra, dando brechas demais ao contra-ataque da Albirroja.

As falhas não foram suficientes para estragar a festa antecipada da Argentina, mas servem de aviso. Sabella foi rápido ao resolver o ‘problema fácil’ na seleção, encontrando o melhor posicionamento para tirar o máximo de seus atacantes. Nos próximos nove meses, precisa quebrar a cabeça sobre a parte difícil de seu trabalho, dando solidez a uma defesa que possui algumas boas opções, como Ezequiel Garay e Hugo Campagnaro, mas que segue com suas carências.

Afinal, os atacantes argentinos têm grande capacidade para brilhar na Copa, mas devem encontrar adversários bem mais duros na competição. E, se os homens de frente não funcionarem, ficar à mercê das fragilidades da defesa não parece uma boa opção para a Albiceleste. Em uma de suas frases mais célebres, Michael Jordan dizia que “um bom ataque ganha jogos, enquanto uma boa defesa ganha campeonatos”. E o conselho da lenda do basquete cabe muito bem a Messi, naquela que é a maior lacuna da carreira do gênio do futebol.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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