Família de Bauza suspeita que época de jogador causou demência no ex-técnico do São Paulo
Argentino de 67 anos convive há quatro anos com a doença neurodegenerativa
Há quatro anos o ex-técnico Edgardo Bauza, conhecido também como Paton, que passou pelo São Paulo em 2016, convive com o diagnóstico da demência frontotemporal, uma doença neurodegenerativa sem cura.
A enfermidade causa problemas na fala, na memória e em outras áreas relacionadas ao comportamento, personalidade e linguagem. Tudo isso exige o cuidado 24 horas de sua família, que contou, de forma emocionante, como tem sido esse processo em entrevista ao jornal peruano “Diario Expreso”.
A esposa do histórico ex-treinador campeão da Libertadores por LDU e San Lorenzo, Maritza Gallardo, revelou o susto com o diagnóstico e a aceitação da doença agora como cuidadora.
— No começo foi um choque. Nunca se pensa que uma pessoa tão jovem e saudável vai passar por isso. Com os anos, você passa por diferentes fases como cuidador: da confusão até a aceitação. Só então entendi que era necessário falar sobre isso em voz alta — disse.
Ela ainda detalhou como é a rotina com o Paton. Além de Gallardo, Bauza recebe o cuidado diário do filho mais novo, Nicolás, de 11 anos. Os mais velhos, Emiliana e Maximiliano (que trabalha no clube Delfin, do Equador), tentam se manter presentes mesmo à distância.
— Edgardo já não se comunica verbalmente, mas está sempre de bom humor. Vive em paz, e isso também nos dá paz. O importante é que ele recebe nosso carinho todos os dias — contou a esposa do ex-técnico que também passou pela seleção argentina.

A reportagem do “Diario Expreso” também revelou que a família Bauza suspeita que os tempos de zagueiro do argentino, com passagens por Rosario Central, Independiente, seleção argentina e outros, possam ter influenciado para demência.
“Embora a causa exata da doença não seja conhecida, a família acredita na hipótese de que os repetidos cabeceios durante a carreira como jogador possam ter contribuído“, aponta. A confirmação disso, porém, só é possível com exames após o falecimento.
Edgardo Bauza recebeu emocionantes homenagens da LDU
Em janeiro deste ano, a LDU, equipe que, além da Libertadores de 2008, Bauza conquistou dois Campeonatos Equatorianos e a Recopa Sul-Americana, homenageou o ex-técnico antes de um amistoso. Patón reencontrou ex-comandados do histórico título continental e foi ovacionado pela torcida no Estádio Casa Blanca.
Já no meio de 2025, o clube de Quito deu o nome do comandante para seu novo centro de treinamentos: Centro de Alto Rendimiento Edgardo Bauza.
— Foi uma grande honra. Saber que cada vez que alguém for até lá verá o nome dele é muito emocionante. É como manter viva sua marca no clube — exaltou Maritza Gallardo.
— O carinho das pessoas ele conquistou por mérito próprio. Sempre foi trabalhador e amou o que fazia. Teve a sorte de viver do futebol, primeiro como jogador e depois como treinador. Esse será seu grande legado — disse, em outra resposta.
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Ex-São Paulo ganhará documentário sobre a doença
Uma fundação argentina está produzindo um documentário chamado “La cima de la vida – el valor de la memoria” (“O topo da vida – o valor da memória”, na tradução livre) sobre doenças neurodegenerativas e contará a história de Bauza.
— Essas doenças ainda são um estigma, e isso faz com que os cuidadores se sintam sozinhos. Por isso é tão importante falar sobre isso, buscar grupos de apoio, compartilhar vivências. Aprende-se muito no dia a dia com outros cuidadores — às vezes mais do que com os próprios médicos — afirmou a esposa de Paton.
Maritza também deixou um recado às famílias que possuem membros com doenças do tipo. “Minha mensagem para outras famílias é: vocês não estão sozinhas. Busquem ajuda, falem sobre o assunto, não se isolem. Compartilhar esse caminho torna tudo um pouco mais leve”, finalizou.



