Argentina

Após mudança no regulamento da Libertadores, River Plate recheia o elenco de medalhões

Diversos questionamentos pairam sobre a idoneidade do River Plate. Na última semana, o clube teve dois jogadores envolvidos em caso de doping, pegos durante o jogo contra o Melgar pela Libertadores. Logo depois, coincidentemente, a Conmebol mudou seu regulamento para que o número de novos inscritos às oitavas de final do torneio continental fosse aumentado de três jogadores para seis. E embora, apesar das suspeitas, a entidade sul-americana tenha informado que nenhum outro atleta foi flagrado nos testes pelo uso do diurético proibido, os argentinos anunciaram quatro reforços nesta semana. Quatro jogadores experientes, que repetem a estratégia em Núñez durante a conquista da taça há duas temporadas: Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco.

VEJA TAMBÉM: Caso múltiplo de doping abala o River Plate e põe em xeque a campanha na Libertadores

Todos os quatro jogadores incluídos no elenco de Marcelo Gallardo passam dos 31 anos de idade e já foram convocados pela seleção argentina. Contudo, apenas Ignacio Scocco e Javier Pinola foram relacionados para o primeiro jogo contra o Guaraní, pelas oitavas de final da Libertadores. Segundo as mudanças sucessivas no regulamento da Libertadores, outros quatro novatos podem ser incluídos até a partida de volta. Scocco vai suprir a ausência de Sebastián Driussi. Apesar dos temores de que ele também pudesse ser pego no doping, nada foi provado. Mesmo assim, o treinador preferiu descartá-lo, diante da iminente saída ao Zenit. Pinola, por sua vez, pode ocupar a lacuna deixada pelo zagueiro Lucas Martínez Quarta, um dos que caíram no teste, ao lado do meio-campista Camilo Mayada. Apesar do escândalo, tanto o River quanto a comissão médica da Conmebol suspeitam de uma contaminação.

Scocco já era um sonho antigo de Gallardo. O atacante não possui carreira tão regular, mas fez um bom Campeonato Argentino pelo Newell’s Old Boys. Versátil, pode se encaixar em diferentes formações no ataque, além de ter uma rodagem que contribui neste momento decisivo da Libertadores. Pinola, por sua vez, vinha muito bem após se recuperar de uma longa lesão, que o afastou por meses do Rosario Central. O jogador de 34 anos, de trajetória longa principalmente pelo futebol alemão, aparecia entre os melhores defensores do Campeonato Argentino e só não integrou a primeira convocação de Jorge Sampaoli por causa de uma gripe. Sua saída dos canallas, aliás, causou enorme revolta entre os torcedores, que chegaram a escrever ameças na frente da escola frequentada pelos filhos do veterano.

Entretanto, enquanto a dupla vem em boa forma, há mais dúvidas sobre Lux e Pérez, os dois que acabaram de fora da Libertadores neste primeiro momento. O goleiro se destacou em Núñez antes de rumar à Europa, há 11 anos. Na última temporada, reconquistou a titularidade no Deportivo de La Coruña, mas não vinha em forma tão impressionante. De qualquer maneira, aos 34 anos, pode suprir uma das maiores carências do River Plate, sem que Augusto Batalla transmita grande confiança. Já Pérez parece distante de sua boa fase por Estudiantes e Benfica. O meio-campista foi uma das contratações mais frustradas do Valencia nos últimos anos, sem agradar no Mestalla. A transferência aos Millonarios, ao menos, realiza um sonho de infância. A família inteira do veterano de 32 anos torce para o clube, a ponto de ter sido batizado para homenagear Enzo Francescoli. Paixão que traz a esperança de que possa se recuperar no Monumental.

Agora, Gallardo precisará encontrar o melhor encaixe para o time que se saiu bem na fase de grupos da Libertadores, embora tenha oscilado no Campeonato Argentino. Algo que conseguiu em 2015, com a baciada trazendo de volta Pablo Aimar, Javier Saviola e Lucho González para os momentos decisivos na Libertadores. Nem todos foram protagonistas, mas a experiência certamente valeu ao River Plate na campanha rumo ao título que não faturavam desde 1996. No conjunto, até por outros jogadores em melhor fase, aquele time era mais forte comparado com o atual. Mas nada que os impeça de almejar outra boa campanha.

Os Millonarios só precisam ter maturidade para lidar também com as críticas e com os imbróglios. As incertezas sobre o caso de doping persistem. Além disso, as acusações dos adversários sobre o favorecimento junto à Conmebol serão constantes. Aliás, já começaram, pela voz do técnico do Guaraní, Daniel Garnero: “Não concordo com o River. É triste que se modifique o regulamento quando ele não corresponde. O Grêmio pediu o mesmo há alguns anos e negaram. Cara de tonto todos temos. Sabemos perfeitamente por que aconteceu: porque o River teve problemas e botou pressão. Sabíamos que íamos enfrentar uma adversidade esportiva importante, mas não imaginávamos que também seria no regulamento. É injusto e faz mal à competição”. De fato, a sucessão de acontecimentos causa suspeita. Mas ainda precisam fazer valer a possível ajuda em campo.

 

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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