A greve se confirmou: Campeonato Argentino tem seu retorno adiado por paralisação dos jogadores

Ao longo dos últimos dias, a Futebolistas Argentinos Agremiados já tinha dado vários avisos: os jogadores não iam entrar em campo para o reinício das competições nacionais enquanto os atletas com salários atrasados não recebessem. Uma postura que se reforçou na última segunda, durante o Carnaval, apesar da promessa dos dirigentes de que o dinheiro cairia a tempo antes de sexta-feira, data marcada para os primeiros jogos. No entanto, as palavras dos cartolas ficaram ao vento. E os futebolistas cumpriram o que disseram. O retorno dos torneios será adiado por uma semana, por conta da greve.
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Os dirigentes até tentaram dar o seu jeitinho para a questão. Enquanto a FAA batia o pé sobre a paralisação, os cartolas ameaçaram entrar em campo de qualquer jeito, nem que fossem com as equipes compostas apenas por juvenis. Fogo de palha. Diante do imbróglio, resolveram mesmo postergar a rodada. Ainda assim, algumas equipes farão amistosos, já que os jogadores se recusam apenas a participar das competições oficiais. Já nas divisões de acesso, parte da rodada ocorrerá, com atletas amadores ocupando os postos dos semi-profissionais.
“É uma situação que os clubes devem definir. Quero agradecer muito os treinadores que se demonstraram solidários e comentaram que não iriam dirigir suas equipes. Se jogassem com os juvenis, seria um ato de covardia, porque os que têm instituições corretas não têm que atacar os atletas, mas sim aos outros clubes que produziram isso”, declarou Sergio Marchi, representante da FAA.
Segundo Marchi, não houve qualquer proposta dos clubes devedores ou da AFA, a federação argentina, para tentar solucionar o entrave. Nesta sexta, aconteceu uma reunião com representantes dos clubes e do Ministério do Trabalho: “Se existisse uma proposta por escrito que satisfizesse nossas demandas, acha que a gente não ia jogar? Não há solução. A situação está pior que antes. Parecia que o Ministério do Trabalho dependia da AFA. Ao invés de pressionar o empregador, eles nos pressionavam. Pressionavam o trabalhador que não recebe há quatro meses. Estamos pedindo que paguem aquilo que é nosso direito”.
Parte dos clubes endividados esperavam a rescisão do contrato com a Fútbol Para Todos para sanar as dívidas. Entretanto, por causa do feriado de Carnaval, os valores só seriam depositados na quarta-feira e havia o temor de que não caíssem a tempo. Segundo Rodolfo D’Onofrio, presidente do River Plate, o dinheiro está lá e seu clube até mesmo ofereceu um empréstimo para contornar a solução. Nada que tenha chegado aos futebolistas. “Os clubes que estão endividados têm que solucionar os seus problemas ou receber punições. Não pode acontecer que nos façam parar por causa dos que administram mal”, comentou.
As greves são relativamente comuns no futebol argentino e resultaram em vitórias históricas: o início do profissionalismo (1931), uma melhora salarial e uma abertura maior nas transferências (1949), o reconhecimento do futebolista com os direitos de qualquer outro trabalhador (1971), a assinatura de um convênio coletivo de trabalho (1975), a conquista do passe livre para alguns dos jogadores do Deportivo Español (1998). Como das outras vezes, os atletas apenas exigem os seus direitos, e ainda um dos mais básicos. É de se imaginar que a solução não demore a se concretizar.



