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“Todos se uniram como um só”: O que os jogadores sentiram diante da atmosfera em Dortmund

Para quem viu apenas de longe, através das câmeras, as cenas do Signal Iduna Park neste domingo já causaram enorme impacto. As arquibancadas ficaram em silêncio, após receberem a notícia de que dois torcedores sofreram ataques cardíacos no local. Já ao término do jogo entre Borussia Dortmund e Mainz 05, o canto de “You’ll Never Walk Alone” tomou o ambiente, antes dos aplausos e das homenagens junto aos jogadores. Em campo, porém, ninguém sabia o que havia acontecido até o apito final. A informação sobre a tragédia só saiu pelos autofalantes após o encerramento da partida, bem como ninguém que sabia da notícia do lado de fora quis interferir. De qualquer forma, a atmosfera pesada influenciou o duelo.

Assim, fica evidente a espontaneidade em tudo o que aconteceu no Signal Iduna Park. O que torna as cenas mais impressionantes. O respeito tomou os torcedores sem restrições, enquanto o tributo às vítimas não seguiu nenhum script. Após o jogo e nesta segunda, os personagens dos dois clubes comentaram o que sentiram no estádio. Ressaltaram a tristeza pelo ocorrido, mas também a admiração pela força dos aurinegros.

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Julian Weigl, volante do Dortmund

“Eu definitivamente me arrepiei quando nós nos abraçamos em frente à torcida. Foi um momento muito emocionante. Talvez ofereça um pouco de conforto. Foi impressionante ver a união de nossos torcedores nesta situação. O momento em que entoaram ‘You’ll Never Walk Alone’ mostra o quão inacreditáveis são os nossos torcedores. Aqui, realmente ninguém fica sozinho, como a canção diz”.

Loris Karius, goleiro do Mainz 05

“Você sabia que tinha algo de errado, mas não sabia o que era. Então, 80 mil pessoas mostraram que o futebol não é tudo e não encerra tudo. Que todo mundo permanece unido, independente da cor que você veste. É o ponto positivo para levar consigo”.

Marco Reus, atacante do Dortmund

“No campo, nós estávamos totalmente desavisados do que estava acontecendo no estádio. Mesmo o árbitro me perguntou o que estava acontecendo, por que a atmosfera havia se reduzido de maneira tão baixa. Depois do jogo, soubemos imediatamente. O jogo, então, pareceu insignificante. É simplesmente trágico. A única coisa justa é cumprimentar os torcedores”.

Thomas Tuchel, técnico do Dortmund

“Minha compaixão, assim como todos aqueles do time e da comissão técnica, vai para a família das vítimas. Foi uma situação terrível. O time inteiro, inclusive eu, permanecemos desavisados por um longo tempo sobre o que estava acontecendo. Todos nós sabemos que há coisas mais importantes na vida que o futebol. Isso, entretanto, não nos absolve do nosso compromisso de fazer o melhor com nossos talentos ou nos livra da obrigação de aproveitar cada treino ou jogo. Isso deveria ser óbvio para todos, mesmo se os tristes eventos de hoje não tivessem acontecido. Mas eles deixaram isso claro. Foi muito difícil seguir na beira do campo ou em campo, sem saber o que acontecia, mas tendo que seguir em nossa obrigação de fazer o melhor possível”.

Martin Schmidt, técnico do Mainz 05

“Em nome do time, eu gostaria de expressar as nossas sinceras condolências. A maneira como os torcedores agiram foi arrebatadora. Tocou a todos. Descobrimos o que havia acontecido durante o intervalo. O estádio inteiro estava quieto. Uma certa sensação de letargia envolveu o jogo. Nós não éramos capazes de fazer muito mais nesse jogo, mas há coisas que você precisa aceitar. Naturalmente, nossos sentimentos estão com os parentes. Foi inspirador ver o que os 80 mil torcedores fizeram como respeito. Essa solidariedade é impressionante, todos no estádio se uniram como um só. Infelizmente, não é assim sempre”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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