Alemanha

Entenda os três pilares da reconstrução da Alemanha de Nagelsmann

Julian Nagelsmann realiza mudanças e tenta azeitar a Seleção Alemã poucos meses antes da disputa da Eurocopa

Anfitriã da Eurocopa deste ano, a Alemanha quer colocar um ponto final na desconfiança. Após vexames históricos nas duas últimas edições de Copa do Mundo, derrotas inesperadas no percurso e uma série de lambanças da DFB (Federação Alemã de Futebol), as Águias vivem momento de reconstrução e tentam retomar o caminho das glórias. O homem escolhido para liderar essa remontada? Julian Nagelsmann, jovem treinador de 36 anos.

Sucessor de Hansi Flick, que durou 15 jogos no comando da Alemanha e conquistou apenas três vitórias no período, Nagelsmann terá muito trabalho pela frente – e ele sabe disso. Apesar das incertezas sobre o futuro da seleção nas mãos do promissor técnico, a tetracampeã mundial deu bela resposta no último sábado (23). Em Lyon, os alemães venceram com autoridade a temida França, por 2 a 0, e arrefeceram o clima de pessimismo que tomava conta dos torcedores.

Era somente um amistoso, é verdade. No entanto, a forma como as Águias competiram e se comportaram em campo, deu esperança de dias melhores para o país que, historicamente, sempre produziu grandes talentos e alcançou conquistas de peso.

Há apenas seis meses à frente da Alemanha, Nagelsmann soma duas vitórias em cinco jogos, ainda com um empate e duas derrotas – para Turquia e Áustria. Quando olhamos os números, o início parece pouco promissor. E de fato, ele está longe de encher os olhos. Todavia, como citado, o triunfo e desempenho diante do forte time da França reacendeu a confiança não só do plantel, mas do país (imprensa + torcida) como um todo.

Dito isso, a Trivela separou alguns pontos interessantes deste começo de trabalho de Nagelsmann. Excêntrico e ambicioso, o treinador já acenou com mudanças significativas no time. Afinal, a Eurocopa está batendo na porta, e o jovem técnico se prepara para aquele que será seu primeiro grande desafio no comando da seleção.

Retorno de Toni Kroos é o maior acerto do início da ‘era Nagelsmann'

Toni Kroos parecia decidido a nunca mais defender a Seleção Alemã depois da eliminação para a Inglaterra, na Eurocopa 2020 (realizada em 2021). Ele chegou a externar isso publicamente e, desde então, não tinha sido mais convocado. Até que Nagelsmann entrou em cena e convenceu o experiente meio-campista a mudar de ideia. No final de fevereiro deste ano, o craque do Real Madrid usou as redes sociais e comunicou seu retorno, citando a influência do novo treinador na decisão.

– Pessoal, sem rodeios: Eu vou voltar a jogar pela Alemanha a partir de março. Por quê? Porque fui convidado pelo treinador da seleção, estou animado com isso e estou certo de que com o time na Euro, muito mais é possível do que a maioria acredita no momento!

Peça importante do Real Madrid, Toni Kroos faz mais uma grande temporada com a camisa merengue. No auge de seus 34 anos, o meia prova a cada jogo que a idade não é um problema. Exemplo claro disso foi a atuação de gala do camisa 8 na vitória sobre a França. Quase três anos desde que se aposentou da seleção, Kroos matou a saudade do torcedor alemão no último sábado (23). O maestro controlou o meio-campo com classe, equilíbrio e calma, e trouxe de volta à equipe coesão e dinamismo, coisa que há muito tempo não se via nas Águias.

Toni Kroos em ação contra a França (Foto: Icon Sport)

Musiala e Wirtz: os novos protagonistas da Alemanha

Além do retorno de Toni Kroos, a ‘revolução' de Julian Nagelsmann na Alemanha passa muito por dois jogadores em especial: Jamal Musiala e Florian Wirtz. O primeiro defende o Bayern de Munique e esteve presente na Copa do Mundo do Qatar, em 2022. Considerado uma das principais promessas do futebol do país, o camisa 42 dos bávaros já é protagonista no clube e na seleção, mesmo aos 21 anos.

Desde 2020 defendendo o time principal do Bayern, Musiala já conquistou os principais títulos: Champions LeagueMundial de Clubes e Bundesliga (3x). E apesar do momento atual do Gigante da Baviera não ajudar, individualmente seus números estão longe de serem ruins. São 12 gols marcados e sete assistências concedidas em 31 partidas. Veloz e versátil, Musiala pode atuar tanto pelos lados de campo como centralizado. Visão de jogo e rápidas tomadas de decisão são outros dois pontos positivos do meia-atacante.

Florian Wirtz é outro nome da nova geração alemã que merece atenção. Revelado nas categorias de base do Bayer Leverkusen, atual líder e sensação da Bundesliga, o jovem meia-atacante de 20 anos vive a melhor temporada da carreira, com 11 gols e 17 assistências em 36 jogos – só contando clube. Diante da França, mostrou sua estrela ao marcar o tento mais rápido da história da Seleção Alemã – sete segundos.

Assim, a ideia de Julian Nagelsmann consiste em montar um time “ao redor” da dupla. O técnico pretende explorar a velocidade e habilidade de ambos em lados opostos – um aberto pela direita e outro aberto pela esquerda. Na faixa central de campo, Musiala e Wirtz ainda seriam agraciados com a companhia luxuosa dos experientes Toni Kroos, Joshua Kimmich e Ilkay Gündogan. Opções para lá de promissoras, não?

Os coadjuvantes escolhidos por Nagelsmann

Seis caras novas pintaram na última convocação de Julian Nagelsmann. Eis os nomes: Waldemar Anton (zagueiro do Stuttgart), Maximilian Mittelstädt (lateral-esquerdo do Stuttgart), Deniz Undav (atacante do Stuttgart), Aleksandar Pavlović (meio-campista do Bayern de Munique), Maximilian Beier (atacante do Hoffeinheim) e Jan-Niklas Beste (ala do Heidenheim).

Com exceção de Pavlović, os jogadores citados têm algo em comum: além de estarem abaixo dos 30 anos, todos são destaques individuais em times de menor expressão da Bundesliga. Isso mostra que Nagelsmann valoriza a meritocracia. Para o comandante da Alemanha, não importa a grandeza do clube, mas sim o desempenho de momento do atleta naquela equipe e o que ele pode proporcionar à seleção.

Outra observação interessante e bastante sugestiva na lista de Nagelsmann é a presença de apenas dois remanescentes da Copa do Mundo de 2014, conquistada pela Alemanha em solo brasileiro. Dos nomes convocados por Joachim Löw para aquele Mundial, somente Toni Kroos e Thomas Müller foram chamados pelo novo treinador. A relação ainda poderia contar com Neuer, porém o goleiro acabou cortado por lesão.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Apaixonado por futebol, uniu o amor pelo esporte mais popular do mundo ao jornalismo. Carioca da gema e grande entusiasta da Premier League, cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na música, vai de Post Malone a Armandinho. Eclético assim como na área técnica. Afinal, Guardiola e Mourinho são suas referências.
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