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Por que Klopp é o homem certo para devolver o Liverpool às glórias

Quando Jürgen Klopp chegou, o Borussia Dortmund não passava por um bom momento. Havia sido 13º colocado na Bundesliga, as finanças estavam um caco, e o espírito da torcida, destroçado. Vibrava pelo espectro do clube campeão europeu e hexa do Campeonato Alemão até o ex-técnico do Mainz implementar a sua filosofia de jogo e energizar os apaixonados com todo o seu carisma. Klopp tem esse desafio pela frente mais uma vez, agora em outro país e outro clube.

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A situação do Liverpool, que confirmou a contratação do treinador de 48 anos nesta quinta-feira, não é tão desesperadora quanto a do Dortmund, oito anos atrás. O clube tem dinheiro, foi vice-campeão recentemente, joga pelo menos a Liga Europa com alguma frequência e ocupa as primeiras posições da Premier League, embora tenha dificuldades de entrar no G4. Ainda assim, é um gigante adormecido que precisa do heavy metal de Klopp para despertar.

A combinação parecia tão natural que a diretoria do Liverpool não demorou uma semana para fechar o negócio, mesmo com outros figurões no mercado, como Carlo Ancelotti, que tem um currículo muito superior. Klopp tem o histórico de ter executado perfeitamente o trabalho que o clube inglês precisa, com direito a dois títulos da Bundesliga e uma final de Champions League, mas não é apenas nisso que se baseia o otimismo em relação a sua contratação. Também nas boas ideias que tem na cabeça, dentro e fora de campo.

Klopp gosta dos seus times marcando alto, pressionando a saída de bola e fazendo a transição em busca do gol com rapidez. Passes precisos e objetivos. Verticalidade. Um estilo parecido ao que deu certo com Rodgers na temporada do vice-campeonato, embora nem Sterling e nem Suárez, duas peças chave daquele esquema, continuem em Anfield. No entanto, segue sendo uma forma de futebol que se adapta bem à intensidade da Premier League e com a qual os torcedores do Liverpool já estão acostumados.

Klopp quando esteve em Anfield com o Dortmund
Klopp quando esteve em Anfield com o Dortmund

Os cofres do Fenway Sports Group são muito mais polpudos para Klopp encontrar as peças necessárias para o seu trabalho, quando tiver acesso ao mercado, mas se existe um clube que serve como representação fiel de que dinheiro não é garantia de sucesso no futebol, este é o Liverpool. Apenas Manchester City, Real Madrid, Chelsea e Barcelona gastaram mais do que ele nos últimos oito anos, e o pentacampeão europeu está assustadoramente distante de ser um dos melhores times do mundo.

O que ameniza a incompetência dos responsáveis pelo mercado é que, uma vez fora da Champions League, os melhores jogadores ficam mais caros e mais dinheiro acaba sendo necessário para quebrar esse ciclo. A não ser que bons e excelentes negócios sejam feitos com frequência. O ranking que considera o período entre o primeiro mercado de Klopp no seu último clube e o do começo da atual temporada – e mostra o Liverpool em quinto lugar – coloca o Dortmund em 34º, com um gasto total de apenas € 196 milhões contra € 633 milhões dos Reds.

Fora da Champions League, é quase impossível contratar jogadores de primeira linha, mas dá para identificar os futuros craques e lapidá-los, como Klopp fez com Reus, Götze, Lewandowski e outros em menor escala. Em outras palavras: gastar melhor. Ideias, e não dinheiro, é o que um clube precisa para florescer, como disse Klopp em uma das suas várias entrevistas interessantes.

Com a boa notícia de que há mais recursos disponíveis e não existe um Bayern de Munique para levar os jogadores embora em escala industrial quando eles estiverem prontos. É verdade que o Liverpool perdeu peças importantes recentemente, inclusive para rivais diretos, mas, se o plano da diretoria der certo, ninguém terá que deixar Anfield Road para conquistar títulos.

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“Você sempre quer ser o time que vence o outro que tem mais dinheiro”, também afirmou o técnico alemão, e ele terá essa oportunidade mais uma vez. O abismo não é tão grande quanto era na Alemanha, mas inegavelmente o Liverpool não tem o poder de atração do Manchester City, do Manchester United e do Chelsea. Precisa de muito trabalho para alcançá-los, e Klopp é o homem certo para sentar atrás do volante. É garantia de sucesso? Claro que não. Mas, também, nenhum treinador do mundo é.

Klopp para o Kop

Acima de tudo isso, o intangível. O que transformou a relação entre Klopp e o Borussia Dortmund em uma experiência catártica foi a química perfeita entre a Muralha Amarela e o carisma do treinador. Quando ele pulava na linha lateral, vestindo um agasalho cinza e um boné amarelo, ou curvava-se em reverência às arquibancadas, não havia torcedor que resistisse ao seu jeito despojado e vibrante.

Essa combinação servia de combustível para inflamar o time a correr alguns quilômetros a mais e se dedicar de corpo em alma, junto com a relação pessoal de Klopp com os jogadores. A torcida do Liverpool não é igual à do Borussia Dortmund, embora ambas cantem “You Will Never Walk Alone” a plenos pulmões, mas no Kop, nome da principal arquibancada de Anfield Road, e no restante de uma das torcidas mais apaixonadas da Inglaterra, há muito material para ele desenvolver um relacionamento tão especial quanto o que teve no Westfalenstadion.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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