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O carisma e o futebol intenso e ofensivo de Klopp deixarão saudades no Dortmund e futuro é incerto

Depois de sete anos, Jürgen Klopp deixará o comando do Borussia Dortmund. O treinador chegou a ser um dos mais desejados da Europa ao final da temporada 2012/13, quando o time chegou ao vice-campeonato da Champions League apresentando um futebol de muita intensidade, velocidade e ofensividade. Esta foi a maior característica de Klopp no comando do time, imprimindo sempre muita pressão no adversário no campo de ataque e com um jogo vertical e veloz. A péssima temporada e a relação desgastada com alguns dos membros da direção do clube levaram à decisão do técnico, que já tinha pedido para sair na temporada passada, mas foi convencido a continuar. O destino do treinador ainda é desconhecido, mas as especulações sobre o seu destino já são grandes. Com um grande trabalho no clube alemão e um carisma incrível, Klopp é um nome que tem capacidade para assumir grandes clubes pela Europa.

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O técnico assumiu o comando dos aurinegros em 2008 e participou do momento de retomada, conquistando o bicampeonato da Bundesliga em 2010/11 e 2011/12, além da Copa da Alemanha em 2011/12 e uma campanha sensacional na Champions League da temporada 2012/13, que acabou com o vice-campeonato com a derrota para o rival Bayern de Munique na final. Nesta temporada, a campanha do time no Campeonato Alemão é muito ruim, com 33 pontos em 28 jogos e só o 10º lugar, sem perspectivas de classificação para nenhuma competição europeia. O ponto positivo foi a campanha do time na Champions League, mas a eliminação nas oitavas de final diante da Juventus, com duas derrotas, também deixou isso para trás.

“Eu sempre disse que no momento que eu acreditasse que eu não sou o técnico perfeito mais para esse clube extraordinário, eu iria dizer isso”, afirmou o treinador, em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira. “Eu definitivamente acredito que esta seja a decisão certa. Ninguém deve ser grato a mim. Os dois lados investiram muito e tiveram muito retorno”, analisou Klopp, já com um tom de despedida. “É muito pouco comum que uma história dure sete anos. Como pessoal, eu gostaria de ver que algo tão bonito não chegasse a um fim”.

Aos 47 anos, Klopp terá outro destino ao final da temporada, mas parece não querer seguir os passos do seu hoje rival. Quando Guardiola deixou o comando do Barcelona, em 2012, quis tirar um ano sabático antes de assumir o Bayern de Munique e se tornar rival de Klopp. O técnico alemão, porém, não deve fazer o mesmo. “Eu não penso nisso [a saída do Dortmund] como um peso tirado dos meus ombros. Eu não estou cansado, embora eu pareça estar”, explicou.

“É uma notícia difícil para todos nós. Nós tivemos um relacionamento especial e foi uma decisão muito difícil de tomar”, disse o executivo-chefe do clube, Hans-Joachim Watzke. “Depois de um sucesso fantástico neste clube, Klopp será sempre lembrado aqui”, declarou ainda o dirigente. “No tempo de Klopp no clube, nós escrevemos um conto de fadas no futebol”, afirmou o diretor esportivo do Dortmund, Michael Zorc. “Todo mundo envolvido no clube deveria garantir que ele tenha a despedida que ele merece”, continuou ainda Zorc.

O último desafio de Klopp no comando do Borussia Dortmund será tentar subir algumas posições na tabela da Bundesliga, além de tentar um último título: a Copa da Alemanha. Os aurinegros estão na semifinal da competição e precisam vencer o rival Bayern de Munique para chegarem à final. O jogo será no dia 28 de abril, na Allianz Arena. Será o último confronto de Klopp com Guardiola, ao menos com os dois comandando Dortmund e Bayern, respectivamente. “Meu último desejo é terminar a temporada na mais alta posição possível e que nós possamos fazer uma carreata aberta com o título da Copa”, contou Klopp.

Para onde vai Klopp?

O primeiro lugar que parece ameaçado pela saída declarada de Klopp do comando do Borussia Dortmund é o de Manuel Pellegrini, técnico do Manchester City. O time caiu muito de rendimento e de candidato ao título inglês, o time já passa a ficar ameaçado de ficar fora da Champions League. Isso sem falar na campanha no próprio torneio continental, caindo nas oitavas de final, mais uma vez.

Especulou-se que Alejandro Sabella, ex-técnico da Argentina que conduziu o time à final da Copa do Mundo de 2014, poderia ser o substituto de Pellegrini. Klopp pode ser um candidato mais forte, embora o grande sonho dos dirigentes do Manchester City seja mesmo Pep Guardiola. O ex-treinador do Barcelona, porém, não deve deixar o Bayern de Munique ao menos antes de 2016. A não ser que houvesse uma improvável e inesperada ida de Guardiola ao Manchester City e o Bayern certamente olharia para Klopp como substituto ideal para Pep.

O estilo de jogo de Klopp se encaixaria com muito do que se joga atualmente no futebol inglês, com um jogo de intensidade e velocidade. O Arsenal, por exemplo, poderia se beneficiar do modo Klopp de treinar, mas o time se recuperou bem na temporada e tem em Arsène Wenger um técnico histórico, mais uma vez caminhando para terminar a temporada bem.

Quem pode querer contar com os serviços do alemão é o Real Madrid. As especulações sobre o futuro de Carlo Ancelotti já são quentes. A pressão no clube madridista é grande, mesmo ele sendo o atual campeão da Champions League e disputando o título espanhol. Porém, ele é um dos nomes cotados para justamente substituir Pellegrini no Manchester City. Por isso, Klopp pode se tornar uma opção para os merengues.

Outro time que ainda não tem o futuro definido é o Paris Saint-Germain. Laurent Blanc passou por tempestades durante a temporada, muito embora tenha se recuperado e neste momento o time vá bem. Mas com Klopp no mercado, donos com muito dinheiro e pouco juízo, tudo é possível.

O substituto

Segundo o jornal alemão Bild, que foi quem primeiro informou sobre a saída de Klopp do Dortmund antes mesmo do anúncio do clube e do técnico em coletiva, o favorito a substituir o treinador é Thomas Tuschel, ex-técnico do Mainz 05. Ele deixou o comando do time em maio de 2014 e está sem trabalhar desde então. Assim como Klopp, viria do Mainz para tentar o sucesso no clube aurinegro. Segundo o Deutche-Welle, o treinador receberá uma proposta de quatro anos de contrato, com salário de € 5 milhões por ano.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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