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Planejamento: mais um ótimo exemplo dado pelo Dortmund

É verdade que a janela de transferências foi aberta há pouco tempo, mas, entre os maiores gastadores, surge um clube que fez fama nos últimos tempos pela austeridade na condução de suas finanças. O Borussia Dortmund é o quinto clube que mais empreendeu dinheiro em reforços, atrás apenas de Monaco, Barcelona, Manchester City e Anzhi. Um gasto de € 47,5 milhões, que garantiu as contratações de Pierre-Emerick Aubameyang, Sokratis Papastathopoulos e, por último, Henrikh Mkhitaryan, confirmado nesta segunda.

É verdade que, olhando o balanço financeiro, não há nenhuma loucura dos aurinegros nessas movimentações. Os alemães já lucraram € 43,4 milhões com a venda de atletas, incluindo as saídas de Mario Götze, Felipe Santana e Leonardo Bittencourt. De certa forma, Sokratis e Mkhitaryan chegam como reposição dos dois primeiros. E Aubameyang, ao que tudo indica, entra em um planejamento de médio prazo.

Embora possa atuar pelos flancos do ataque, Aubameyang aparece como alternativa a Robert Lewandowski, cuja perda até o início da próxima temporada parece iminente. A transferência acaba mais uma vez engrandecendo o trabalho de Jürgen Klopp e da diretoria na montagem do elenco. Mesmo com o artilheiro ainda disponível, os aurinegros já trabalharão a adaptação de seu potencial substituto.

E a atitude do Dortmund em planejar com antecedência suas contratações não é inédita. O próprio Marco Reus, que acertou seu retorno ao clube bem antes da pré-temporada passada, é um exemplo. De certa forma, um modelo que segue o Bayern Munique, acostumado a fechar com seus reforços bem antes da abertura do mercado. Nos últimos meses, Pep Guardiola, Mario Götze, Xherdan Shaqiri e Dante foram exemplos dessa postura.

Se a administração das finanças e a maneira de lidar com a torcida são costumeiramente apontadas como “exemplo do futebol alemão”, este planejamento na montagem do elenco também pode ser colocado na lista. Sem dúvidas, o sucesso recente de Bayern e Dortmund passa por esse mérito. E é difícil questionar o futuro da dupla a partir deste ponto.

O novo Dortmund de Mkhitaryan e Aubameyang
Sokratis e Aubameyang, os primeiros reforços apresentados pelo Dortmund
Sokratis e Aubameyang, os primeiros reforços apresentados pelo Dortmund

Com o acerto de Mkhitaryan, o Borussia Dortmund parece ter fechado o ciclo de grandes contratações – Bernard e Christian Eriksen não devem vir, apesar das especulações. O próprio Jürgen Klopp já tinha indicado seu desejo de contar com os reforços o quanto antes, para facilitar a construção do time durante a pré-temporada. E o armênio, que igualou Márcio Amoroso como maior compra da história do clube, por € 25 milhões, deverá ser peça-chave nesta nova etapa.

Mkhitaryan é o provável substituto de Götze, como central na trinca de meias do 4-2-3-1 dos aurinegros. Não possui a criatividade e a capacidade de armação do antigo camisa 10, mas pode tornar o time ainda mais letal nas finalizações. No último Campeonato Ucraniano, foram 25 gols em 29 jogos, sendo 14 de pé direito e 10 de pé esquerdo. Números que demonstram não só a capacidade goleadora do meio-campista, como também sua polivalência.

Aubameyang, por sua vez, foi trazido por € 13 milhões. Vice-artilheiro da última Ligue 1, atuou tanto como referência no ataque quanto como ponteiro. Adaptabilidade que permite a entrada do gabonês no time já nesta temporada, combinando velocidade, habilidade e qualidade nas conclusões.

Com a dupla, o Dortmund reforça ainda mais seu caráter de time vertical, incisivo nas ações ofensivas, com novatos mais ao estilo de Reus do que de Götze. O clube segue com dinheiro para novas contratações, mas deve trabalhar melhor a composição do elenco, que na temporada passada mostrou-se raso demais para a maratona entre Liga dos Campeões, Bundesliga e Copa da Alemanha. Ao menos no papel, os aurinegros parecem ter forças para continuar desafiando a supremacia do Bayern.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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