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As razões para o Dortmund estar interessado em Bernard

O Borussia Dortmund atingiu seu nível atual graças à capacidade de reconhecer novos talentos. Os aurinegros souberam o momento certo de lançar promessas como Mario Götze e Nuri Sahin, bem como o caminho para encontrar valores com Mats Hummels, Robert Lewandowski e Shinji Kagawa. E o próximo alvo na lista do clube é um brasileiro: o meia Bernard, do Atlético Mineiro.

Depois de cravar a ida de Mario Götze ao Bayern Munique, o jornal Bild noticiou o interesse do Dortmund em Bernard, visto como possível peça de reposição do camisa 10 pelo clube. Após o primeiro jogo da decisão do Campeonato Mineiro, a mãe do meio-campista indicou que a mudança para a Alemanha está sendo estudada pela família.

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Segundo a revista Kicker, o diretor-esportivo Michael Zorc passou a última semana na América do Sul negociando com reforços. O Dortmund estaria disposto a pagar até € 20 milhões por Bernard, que tem contrato com o Atlético até 2017. Além disso, os dois clubes precisariam entrar em um acordo sobre a liberação do meia, já que a intenção dos atleticanos é mantê-lo durante a Libertadores – e uma eventual passagem à final o seguraria até o início de julho.

Ainda conforme a publicação, a maior preocupação dos alemães quanto a Bernard seria com suas condições físicas. Além das lesões recentes, a altura e o peso do meia não inspirariam a confiança do Jürgen Klopp, por conta da exigência de seu esquema. Entre os atuais titulares, apenas Jakub Blaszczykowski e Mario Götze possuem menos de 1,80 m. Ambos 12 centímetros mais altos do que o brasileiro, que mede 1,63 m.

A preocupação é compreensível, mas não totalmente justificável. Apesar do pouco peso, Bernard não é tão mirrado assim. Pelo empenho demonstrado na marcação com o Galo, o garoto poderia se encaixar ao Dortmund. Entraria no lado esquerdo do meio-campo, ocupando o lugar de Marco Reus e deslocando o camisa 11 para o centro do campo. Com o brasileiro, os aurinegros perderiam um pouco a incisividade pela ponta, mas manteriam a velocidade e a criatividade, além de ganharem em recomposição.

Outras alternativas ao Dortmund

Bernard, no entanto, não é o único jogador cortejado pelo Borussia Dortmund. Na visita ao continente, Zorc também teria conversado com o Racing sobre Luciano Vietto. O jogador de 19 anos possui mais estrutura física do que o brasileiro, mas não serviria para as mesmas funções, já que atua como segundo atacante. O argentino acumula 11 gols em 30 jogos na temporada e defendeu a seleção no último Campeonato Sul-Americano Sub-20, mas é menos experimentado que Bernard. Em compensação, também deve sair por menos: seu valor de mercado é estimado em € 7 milhões.

Eriksen O terceiro nome que surge no Signal Iduna Park é o de Christian Eriksen, do Ajax. O próprio meia já teria dado declarações de que se encaixaria bem no time de Jürgen Klopp e nunca escondeu o desejo de deixar Amsterdã. Aos 20 anos, é avaliado em € 16 milhões, preço que tende a subir depois da valorização com o tricampeonato holandês. A seu favor, já conta soma quatro temporadas como profissional e tem três Ligas dos Campeões no currículo.

Por suas características de jogo, Eriksen seria o mais natural herdeiro de Götze. É o típico camisa 10, com bom toque de bola e bastante criatividade. Não à toa, soma 62 assistências em 158 jogos pelo Ajax – média de 0,392 por partida, pouco acima dos 0,388 registrados por Götze como profissional. Contudo, apesar dos bons números, paira uma sombra sobre o dinamarquês: a máxima de que ele se esconderia em jogos decisivos. De fato, o meia nunca repetiu na Liga dos Campeões suas ótimas atuações pelo Campeonato Holandês.

Balanceando experiência e preço, as três opções se colocam em pé de igualdade ao Dortmund. E não há “patriotada” em afirmar que Bernard é a mais interessante. Não apenas pelo que pode oferecer ao time, mas também pela possibilidade de deslocar Reus a uma posição onde ficaria mais à vontade, menos sobrecarregado pelas funções defensivas. Uma aposta maior no estilo de jogo direto do Dortmund. O brasileiro vem dando provas sucessivas de personalidade e talento com o Atlético na Libertadores. E, ao que parece, não está tão distante da adaptação ao futebol europeu.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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