Alemanha

Philipp Lahm é a favor de uma Superliga Europeia, desde que ela envolva mais países

O diretor da Eurocopa de 2024 gosta da ideia cosmopolita de uma grande liga europeia de clubes

Um dos assuntos mais debatidos do futebol europeu no momento é a Superliga Europeia, um novo torneio que reuniria alguns dos principais clubes do continente e que recebe muita resistência de quem acredita que seria apenas mais um passo para cristalizar a desigualdade econômica. Philipp Lahm, no entanto, não é um deles. Gosta da ideia, desde que ela se amplie para receber representantes de diversos países da Europa.

O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, é um dos grandes entusiastas da ideia. Liverpool e Manchester United estiveram em discussões sobre um plano de € 6 bilhões com apoio do banco de investimentos JP Morgan. O ex-presidente do Barcelona, Josep Bartomeu, renunciou anunciando que havia aceitado participar da Superliga Europeia.

Por outro lado, Fifa, Uefa, clubes importantes como Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, grupos de torcedores e ligas nacionais como a Premier League são contrários.

Em uma coluna para o Guardian, Lahm começa exaltando como o futebol evoluiu desde os tempos em que os marcadores podiam bater à vontade em Diego Maradona. Para ele, isso mostra que é importante haver regras que consideram os interesses comuns de todos e que foi benéfico especialmente para partidas internacionais, o que ajudou a impulsionar a Champions League.

Reconhece que existe espaço para ajustes, como a aplicação da regra de mão na bola e o fair play financeiro, o que o leva a pensar que “nunca haverá igualdade absoluta”, mas a uniformidade de regras permite que o futebol seja desfrutado por todos os países. Nesse sentido, lhe agrada a ideia cosmopolita de uma grande liga europeia, desde que ela também inclua equipes gregas ou dinamarquesas ou belgas, além de apenas Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália.

“Há, claro, regras no basquete, no tênis de mesa e no Eurivision, mas o impacto do futebol é maior”, escreveu. “Este esporte global que enche estádios no mundo inteiro oferece oportunidades únicas para encontros além das nossas fronteiras. Pessoas de todos os lugares jogam futebol ou participam como torcedores, seja a final da Champions League ou a Eurocopa. E esses dois formatos – seleções e clubes – se completam e se beneficiam um do outro”.

Segundo Lahm, o futebol é o esporte mais popular em 120 países e em quase nenhum europeu ele não está no topo da lista. Disse que o continente é o Vale do Silício desse esporte. “As marcas não são Facebook, Amazon e Google, mas Real Madrid, Juventus, Paris Saint-Germain, Arsenal, Barcelona, Bayern de Munique, Manchester City e Manchester United”, escreveu. “Com a digitalização e a globalização, eles desenvolveram comunidades mundiais”. Torcedores desses clubes podem ser encontrados em todos os cantos do planeta, continua. Essa expansão de mercado transformou-os em “uma espécie de monopólio”.

“Cinco dos oito times nas quartas de final da Champions League deste ano são da Inglaterra e da Alemanha, as duas ligas mais fortes financeiramente. Isso levanta uma questão que precisa da nossa atenção: quem pode participar? Nos últimos anos, os maiores clubes expressaram desejo de criar uma Superliga dos 16 ou 20 clubes mais fortes da Europa. Resistência à ideia nasce de preocupações de que estabeleceria uma elite do futebol”, afirmou.

“Por outro lado, os clubes e os jogadores querem competir com seus iguais. A chegada da Bundesliga em 1963 foi acompanhada de preocupações similares, mas se tornou um grande sucesso. Assim como gosto (desconsiderando a pandemia por um instante) do conceito de realizar a Eurocopa em 12 cidades europeias, eu gosto da ideia cosmopolita por trás de uma liga europeia. No momento, clubes de apenas cinco ou seis países participariam – times estabelecidos de Madri, Manchester, Munique, Paris e Londres”.

“Mas assim como jogadores de Istambul, Varsóvia e Bratislava têm uma chance na Euro, não seria melhor incluir equipes de Bruges, São Petersburgo, Atenas, Copenhague e Praga em uma liga europeia? Investidores estão certamente interessados nesses locais tão atraentes. Também não podemos esquecer que o começo da União Europeia nos anos 1950 foi com apenas seis países”, completou.

Como diretor da Eurocopa de 2024, que será organizada pela Alemanha, e começando a distribuir colunas por jornais em diversas línguas, Lahm que participar desse debate e acredita que a opinião dos torcedores – cujas representações até agora foram amplamente contra a Superliga – e da imprensa são importantes.

“Acho importante mencionar uma última coisa: todos os países e clubes precisam preservar – ou mesmo enfatizar – sua própria identidade e características únicas. As particularidades culturais enriquecem o todo. O futebol italiano tem pontos fortes diferentes do jogo disputada na Espanha, na Inglaterra ou na Alemanha. Nosso continente teve campeões de locais diferentes como Dinamarca, Grécia e Holanda, a antiga Checoslováquia, a ex-União Soviética e Portugal”, disse.

“Em 2018, a Croácia chegou à final da Copa do Mundo. Polônia, Hungria e Áustria revezaram no topo do futebol europeu. Ajax, Dínamo Kiev, Estrela Vermelha, Benfica e Budapeste alcançaram glórias no passado. Grandes lendas do futebol vieram de Bulgária, Finlândia, Romênia, Gales e Noruega. A diversidade é a força da Europa”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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