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80 anos de Lattek, técnico que tornou o Bayern gigante e venceu a Europa de todas as formas

Se o Bayern de Munique se transformou em uma potência do futebol, deve muito à década de 1970. O clube possuía sua relevância na Alemanha, mas estava muito distante da hegemonia atual. A geração liderada por Franz Beckenbauer começou a desabrochar no fim dos anos 1960, quando conquistou o seu segundo Campeonato Alemão e três das quatro primeiras Copas da Alemanha. No entanto, os bávaros subiram mesmo de patamar a partir da década de 1970. A partir da chegada de Udo Lattek, o mentor por trás daquele esquadrão, que completa 80 anos nesta sexta. Sob a honra de ter dirigido alguns dos maiores esquadrões da história.

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O acaso fez a vida de Lattek mudar de direção por duas vezes. O garoto que se preparava para ser professor virou jogador profissional. Atacante de equipes modestas e famoso por seu cabeceio, encerrou a carreira aos 30 anos, para fazer parte do corpo técnico da federação alemã. Sua vontade mesmo, porém, era virar jornalista esportivo. Só que o sucesso da seleção sob as ordens de Helmut Schön impulsionou a carreira de seu ajudante. Enquanto participava da preparação do Nationalelf para a Copa do Mundo de 1970, foi indicado por Beckenbauer para assumir o Bayern. Apesar da inexperiência, sem nunca ter dirigido uma equipe principal, assumiu o desafio. Para fazer o esquadrão bávaro decolar.

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Lattek impulsionou a grande equipe do Bayern, que já contava com o Beckenbauer, Sepp Maier e Gerd Müller. Tudo bem, o trabalho fica mais fácil com tantos craques à disposição. Mas o técnico foi além, graças a sua capacidade de organizar e motivar a equipe. Nas suas mãos, os bávaros passaram a contar com uma máquina, que ganhou ainda outros talentos, como Paul Breitner. Lattek conquistou a Copa da Alemanha em 1971 e o tricampeonato alemão a partir de 1972. O grande feito, contudo, aconteceu em maio de 1974. O Bayern bateu o Atlético de Madrid em uma final emocionante e conquistou a sua primeira Champions, a primeira de suas cinco. E aquela base ainda venceria, semanas depois, a Holanda de Cruyff na decisão da Copa do Mundo.

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Lattek não permaneceu na Baviera para completar o tricampeonato europeu do Bayern. Uma fase ruim em meados de 1975 custou o seu cargo. Ainda assim, o técnico se manteve no topo do futebol alemão ao ser contratado pelos maiores rivais dos bávaros na época, o Borussia Mönchengladbach. À frente de Jupp Heynckes, Allan Simonsen e Berti Vogts, o técnico conquistou mais um bicampeonato alemão e a Copa da Uefa de 1979, reiterando a força dos Potros. Só não conseguiu repetir o seu feito na Champions, caindo para o grande time do Liverpool na final de 1977.

Após uma rápida passagem pelo Borussia Dortmund, Lattek ainda teve a missão de dirigir o Barcelona a partir de 1981. A passagem de três anos no Camp Nou teve altos e baixos. Ainda assim, o comandante liderou os blaugranas na conquista da Recopa Europeia de 1982, se tornando o primeiro técnico da história a vencer os três títulos continentais da Europa – feito só igualado por Giovanni Trapattoni. O problema viria na sequência, quando Lattek não conseguia liderar o time estrelado por Maradona e acabou substituído por César Luis Menotti.

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A saída do Camp Nou foi a deixa para o comandante ter sua segunda passagem vitoriosa pelo Bayern. Os bávaros bateram na trave na Champions, mas tinham um timaço que faturou o segundo tricampeonato alemão da história do clube. Após a venda de Karl-Heinz Rummenigge e a crise financeira enfrentada na Baviera, Lattek tirou o time da baixa para tornar campeões craques como Matthäus, Augenthaler, Pfaff e Brehme. O treinador deixou a equipe em 1987, para viver um período sabático, mas não sem antes ajudar a formar a base de mais uma seleção alemã que se sagraria campeã do mundo, em 1990.

Lattek ainda tentou voltar a trabalhar na década de 1990, mas não teve muito sucesso por Colônia e Schalke. Em 2000, ao menos, teve o merecido reconhecimento no Dortmund, ao passar dois meses no Westfalenstadion e salvar os aurinegros do risco de rebaixamento. De qualquer maneira, o seu legado estava construído. Mais do que elevar o Bayern, o comandante ainda serviu de referência a alguns dos maiores técnicos do futebol alemão, como Beckenbauer e Heynckes. A partir dos 60 anos, Lattek finalmente completou o seu sonho de ser jornalista esportivo, trabalhando como comentarista na TV alemã. Já atualmente, aos 80, luta contra o Mal de Parkinson. Uma doença que limita a sua vida, mas não a sua história.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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