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O Bayern venceu um clássico que serviu mais para expor as carências dos dois times

Rivalidade, grandes duelos nos últimos tempos, ex-jogadores com a camisa adversária: nada disso serviu para fazer o maior clássico alemão viver um bom jogo neste sábado. Diante de tudo o que se passou nas temporadas mais recentes, o mínimo que se espera de Borussia Dortmund x Bayern de Munique é uma partida movimentada. Entretanto, a situação distinta na tabela da Bundesliga, assim como os problemas dos dois times, condenaram o confronto no Signal Iduna Park. No lance decisivo, Robert Lewandowski balançou as redes contra o ex-clube, definindo a vitória por 1 a 0. Mas o que fica são as dificuldades de ambos os lados no jogo.

Quatro gols em quatro erros: vai ser difícil alguém fazer uma atuação defensiva pior que a do Hamburgo

As escalações até poderiam indicar equipes ofensivas, diante da qualidade técnica dos jogadores. Não foi o que se viu em campo. Ainda que o Dortmund contasse com um ataque de bastante mobilidade (Kampl, Reus, Blaszczykowski e Aubameyang iniciaram a partida), o Bayern conseguia travar o meio de campo muito bem, no 3-1-4-2 de Pep Guardiola. Não havia espaço para os aurinegros serem mais diretos no ataque. Resultou em um jogo de muita posse de bola dos dois lados e pouquíssimas chances de gol.

O Bayern aproveitou quando teve a sua grande chance no primeiro tempo, justamente em um contra-ataque, quando o Dortmund tentava romper a muralha bávara. Thomas Müller saiu de frente para o gol e parou em ótima defesa de Roman Weidenfeller. O problema é que a bola subiu e foi parar no centro da área, onde Lewandowski se posicionava. Sem o goleiro na meta, o centroavante só precisou ganhar pelo alto para completar de cabeça. Em Sábado de Aleluia, o “Judas” preferiu não comemorar o tento contra a antiga torcida – já Götze, que começou no banco, recebeu uma enorme vaia quando entrou no jogo durante o segundo tempo.

Especialmente a partir do segundo tempo, a posse de bola era do Dortmund. O time de Jürgen Klopp não criava com qualidade, diante da solidez defensiva do Bayern. E, quando finalizava, mal conseguia assustar Manuel Neuer. Nem mesmo o craque do time Marco Reus vivia uma boa tarde, errando muito mais do que o usual. Então, a solução para os anfitriões foi apostar no abafa, com Adrián Ramos centralizado no ataque, além de Shinji Kagawa e Henrikh Mkhitaryan dando qualidade aos passes.

Não adiantou nada. Durante os minutos finais, o Dortmund até esboçou o empate. Mas, após muitos chutes para fora, a única chance real de gol aconteceu em uma cobrança de falta na entrada da área. Em seu único lampejo, Reus bateu com maestria e ia marcando um belo gol. Até Manuel Neuer aparecer em cima da linha para espalmar com uma só mão e ratificar que, frangos contra o Borussia Mönchenglabach à parte, ele é o melhor goleiro do mundo – e com sobras. Decidiu a vitória por 1 a 0 para o Bayern.

No final das contas, as duas equipes aprendem com os erros do clássico. O Dortmund até que se saiu bem na defesa, não repetindo os erros infantis da maior parte da temporada. Porém, o mínimo descuido foi fatal. Já no ataque, a falta de pontaria predominou outra vez. Quando não tem espaço para fazer o jogo que gosta, os aurinegros não mostram capacidade para variar. Dependem apenas da individualidade. E, como Reus não estava bem, fica fácil de entender a falta de efetividade, mesmo com a equipe finalizando mais do que o dobro dos rivais – foram 15 chutes a sete ao longo da partida.

Já o Bayern tenta se transformar para seguir forte na reta final da temporada. A Bundesliga já está praticamente ganha, mas os bávaros querem a Champions. E, para isso, precisam encontrar soluções para as lacunas que se desenham. O ataque não conta com o poder individual de Robben e Ribéry, precisando se impor de maneira mais física sem a dupla de pontas. Lewandowski resolveu, mas o setor ofensivo deixou a desejar, pouquíssimo acionado. A defesa, por sua vez, não conta com a versatilidade de Alaba. O sistema se saiu bem contra um adversário que costuma abusar da velocidade e dos contra-ataques, o calcanhar de Aquiles do Bayern na última temporada. Neste ponto, Guardiola acertou a mão, ainda que a atual forma do ataque do Dortmund não seja das mais desafiantes.

Com os três pontos, o Bayern segue dez pontos à frente do Wolfsburg na liderança, enquanto o Dortmund estaciona em décimo, cinco pontos atrás da zona de classificação à Liga Europa. Para Jürgen Klopp, o momento é tentar buscar uma boquinha na “segunda divisão” europeia e já começar o planejamento para a próxima temporada. Enquanto isso, Guardiola usa os treinos de luxo do Alemão para se preparar ao que realmente vale neste momento. No Signal Iduna Park, o mais importante, mas com uma atuação longe de ser brilhante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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