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Quatro gols em quatro erros: vai ser difícil alguém fazer uma atuação defensiva pior que a do Hamburgo

O Hamburgo é o único clube que nunca caiu na Bundesliga. Ainda. Porque, do jeito como a equipe vem jogando, a torcida pode esperar o pior. A queda não aconteceu por um triz na última temporada e, desta vez, a chance de salvação permanece porque alguns dos concorrentes conseguem ser mais incompetentes – como o lanterna Stuttgart ou o Paderborn, que chegou até a ser líder e entrou em espiral. Para quem viu a atuação dos Dinossauros contra o Bayer Leverkusen neste sábado, fica até difícil de acreditar que é possível ser pior do que isso: o time da casa venceu por 4 a 0 na BayArena, com quatro gols de falhas da zaga.

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Para quem tomou de 8 a 0 do Bayern de Munique há menos de dois meses, levar a metade do Leverkusen nem parece tão ruim. Entretanto, esse jogo deu mais motivo para a torcida passar raiva do que o massacre dos bávaros. Primeiro, porque o goleiro Rene Adler evitou que o placar fosse muito pior, realizando defesas essenciais, especialmente no começo do segundo tempo. E também porque o Leverkusen parecia jogar com 13, 14 jogadores, ao invés de 11. A defesa do Hamburgo bem que poderia vestir vermelho, se quisesse, só ajudando os rivais.

O protagonista do desastre foi Johan Djourou. O zagueiro da seleção suíça está longe de ser um primor tecnicamente. Mas, entre tantas atuações infelizes em sua carreira, esta talvez tenha sido a pior. Errou praticamente em tudo, do passe para os companheiros ao posicionamento. Deu a brecha para os dois gols de Gonzalo Castro e os dois de Kiessling. Porém, o camisa 5 não fez tudo sozinho. Porque as pixotadas também aconteceram por outros pés, como os de Westermann e Diekmeier.

Olhando no papel, o elenco do Hamburgo não é um dos três piores da Bundesliga. Possui jogadores ruins, é verdade, mas alguns nomes de qualidade – como Adler, Behrami, Van der Vaart, Lasogga e Marcelo Díaz. O problema é que nem todos esses medalhões estão jogando bem. E a falta de estrutura no clube, que influencia dentro e fora de campo, vem de alguns anos. Na saída de campo, em uma cena recorrente na Bundesliga, os jogadores tentaram acalmar os torcedores insatisfeitos.

Mas, do jeito que está, só conversar não resolve, é preciso fazer. A equipe não vence há seis rodadas, o segundo maior jejum na Bundesliga atualmente – superado apenas pela draga do Hannover, que não ganha nem par ou ímpar desde o final do primeiro turno. Além disso, os Dinossauros ainda perderam seus últimos três jogos, pior do que qualquer outro no período. Sorte do Hamburgo que ele não depende só de suas próprias forças, mas pode contar também com os deslizes dos outros.

* Para quem quiser ver os lances bisonhos, segue o link do site da ESPN, com os melhores momentos da partida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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