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Bayern lucrou na turnê no Catar, mas sofre crítica por ignorar violações de direitos humanos

O Bayern de Munique aproveitou a pausa de inverno da Bundesliga para faturar. Os bávaros tomaram os rumos do Oriente Médio, realizando treinos e amistosos no Catar e na Arábia Saudita. Entretanto, a passagem da equipe pelos dois países não foi bem aceita por torcedores e autoridades alemãs. Enquanto os catarianos lidam com as acusações de trabalho escravo e suborno na escolha da sede da Copa de 2022, os sauditas são criticados pela condenação ativista Raif Badawi a mil chibatadas, após publicar um texto que criticava o poder dos clérigos do país.

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Alguns deputados alemães aproveitaram os microfones para repreender a postura do Bayern. Membro do Partido Socialdemocrata e líder do comitê parlamentar sobre esportes, Dagmar Freitag esteve entre aqueles que criticaram a postura do Bayern. “Jogadores não precisam ser políticos, mas eles deveriam estar cientes sobre os direitos humanos para dar o exemplo. O esporte é uma voz forte, mas deve ser utilizado em pontos que fazem sentido e que possam ajudar a população”, afirmou, em entrevista ao Süddeutsche Zeitung.

Já Özcan Mutlu, porta-voz do Partido Verde para política do esporte, traçou um paralelo com o caso de Raif Badawi. “Eu achei este comportamento vergonhoso. Desnecessário. Não há honra em disputar um amistoso em Riad quando, só para dar um exemplo, próximo ao estádio o blogueiro Badawi recebia mil chibatadas nas costas”, disse.

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Como justificativa, o Bayern afirmou que a partida em Riad foi bancada por um de seus patrocinadores, enquanto a passagem pelo Qatar se deu pelas condições de treinamento oferecidas pelo país. Os bávaros, porém, não deixaram de participar de eventos comerciais durante a viagem e faturar mais alguns milhões para as suas finanças. Ex-jogador do Al Ahli de Doha, Pep Guardiola também atuou como um dos embaixadores da candidatura catariana para o Mundial de 2022.

Dificilmente a origem do dinheiro dos patrocinadores é colocada em pauta no futebol. O senso crítico em relação a isso, contudo, tem aumentado a partir de pequenos exemplos. Após o ataque ao Charlie Hebdo, Peñarol e San Lorenzo recusaram a oferta de patrocínio do governo do Azerbaijão, diante das cláusulas que determinavam a exclusão dos descendentes de armênios de seus quadros. A resistência até existe. De qualquer forma, os grandes clubes não parecem tão preocupados assim com os direitos humano, enquanto os milhões pingam em suas contas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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