O apoio incondicional da torcida do Dortmund não significa paciência infinita com a draga

A torcida do Borussia Dortmund renova a sua paixão pelo clube a cada rodada. Mais do que a maior média de público do futebol mundial, com 80 mil por jogo, os aurinegros ainda podem contar com uma massa que não para de empurrar o time. A cantoria e a vibração na famosa Muralha Amarela são reconhecidas por todo o mundo. E não cessaram mesmo com a péssima fase do time de Jürgen Klopp na Bundesliga. Porque, por mais que continue apoiando, a torcida já se cansou de aplaudir sem muitos motivos os esforços da equipe ao final dos jogos. O estopim veio nesta quarta, após a derrota por 1 a 0 para o Augsburg, que manteve o time na lanterna do campeonato.
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A frustração dos jogadores estava evidente. Que, no fim das contas, se misturou com um pouco de preocupação, diante da raiva que vinha dos ultras. Weidenfeller subiu no alambrado para tentar controlar um pouco a situação, enquanto Hummels também se aproximou para apaziguar os ânimos. Não à toa, um dos nomes mais antigos do elenco, ao lado do zagueiro que salvou o time do pior no jogo contra o Bayer Leverkusen com uma grande atuação.
O péssimo momento do Borussia Dortmund não dá direito para qualquer agressão ou intimidação do elenco, longe disso – afinal, o futebol brasileiro conhece como poucos o peso negativo das organizadas sobre os clubes. Isso não quer dizer, no entanto, que os aurinegros também não têm o direito de reclamar. Uma hora, a corda arrebenta. E se o apoio incondicional não serviu muito para o time tentar sair da crise ao longo do primeiro semestre da temporada, os torcedores pelo jeito querem testar agora a psicologia reversa.
Não é o momento, também, que romperá a devoção dos aurinegros pelo Dortmund. O clube já viveu fases tão ruins quanto esta no passado recente (por exemplo, quando foi salvo da queda na última rodada em 1999/2000 ou quando se aproximou da bancarrota nos anos 2000) e até piores em tempos mais antigos. No entanto, não foi por isso que a quantidade de fanáticos nas arquibancadas diminuiu. A raiva é até natural, diante de jogadores e técnicos que, por mais que marquem história, serão bem mais passageiros do que o amor de cada torcedor pelo clube. Por mais que Klopp ou Reus tenham feito muito, eles não são maiores que a instituição.
Quem sabe, na pressão, o Dortmund consiga mudar de atitude como realmente precisa. Sem que isso, é claro, descambe para a violência. Todo relacionamento tem seu momento difícil. E é só se queixando que muitos deles mudam de verdade.



