AlemanhaBundesligaChampions League

No milagre de Dortmund, um brio incomum à geração acostumada a falhar

O espetáculo nas arquibancadas começou antes de a bola rolar. Acostumada a abarrotar o Signal Iduna Park, a torcida do Borussia Dortmund soube amplificar o apoio incondicional demonstrado a cada jogo. E a atmosfera certamente contagiou os aurinegros dentro de campo. A virada milagrosa contra o Málaga, com um gol aos 46 e outro aos 48 minutos do segundo tempo, veio graças à vibração do time de Jürgen Klopp. Um brio incomum para uma geração alemã acostumada a falhar nos momentos decisivos.

A qualidade técnica do Nationalelf, do Bayern Munique ou do Borussia Dortmund é irrefutável. Porém, os problemas na hora H se tornaram uma constante para explicar a falta de títulos nos últimos anos. Foi assim com a seleção, semifinalista nas duas últimas Copa do Mundo e nas duas últimas Eurocopas. Também com o Bayern, que morreu na praia em duas das últimas três edições da Liga dos Campeões. E tinha sido demonstrada de maneira precoce pelo Dortmund, eliminado na primeira fase da Champions 2011/12.

O sinal de amadurecimento dos aurinegros tinha surgido já na primeira fase desta Liga dos Campeões. Não apenas sobreviveram ao temido “grupo da morte”, como também deixaram para trás Real Madrid, Ajax e Manchester City. E, depois da classificação tranquila contra o Shakhtar Donetsk, a força de vontade acabou pesando contra o Málaga.

Enquanto a classificação parecia questão de detalhe, o Dortmund continuou pecando pelo desleixo. A equipe desperdiçou um caminhão de gols, especialmente com Mario Götze e Robert Lewandowski, enquanto Roman Weidenfeller fazia milagres para segurar o resultado. Até que Eliseu deixou os boquerones novamente em vantagem e obrigou uma atitude mais incisiva dos alemães.

Neste momento, três nomes se sobressaíram. Marco Reus foi quem mais buscou o jogo e, depois do passe magistral no primeiro tento, foi condecorado com o segundo gol. Felipe Santana foi improvisado como centroavante e seu espírito de luta foi vital na virada. E Nuri Sahin, que saiu do banco e originou os dois gols decisivos com seus lançamentos.

Pela organização e  pelo empenho defensivo, o Málaga teve seus méritos pela classificação. Um feito e tanto para um estreante na Liga dos Campeões, que vive grave crise financeira desde o começo da temporada. Não deu. Pesou a raça do Dortmund. Uma vitória que certamente ficará marcada na história do clube. E, quem sabe, também pode significar um ponto de virada aos alemães na busca pelas taças que faltaram nos últimos anos. Nada mais justo para recompensar a devoção de praxe nas arquibancadas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo