Alemanha

A lenda Thomas Muller renova com Bayern e completará 25 anos no único clube da carreira

Desde 2000 no clube, Muller é a cara do Bayern de Munique supervencedor dos últimos anos e continuará assim até 2025

Aos 10 anos, o garoto Thomas Muller saiu do clube de sua vila, o TSV Pähl de Weilheim in Oberbayern, na Baviera, para chegar ao gigante Bayern de Munique, em 2000. Não poderia imaginar que mais de duas décadas depois ainda estaria defendendo as mesmas cores e nesta terça-feira (19) confirmou a renovação até 2025, completando ao término do contrato 25 anos com os Bávaros.

– O 25 fica até 25. Estou muito satisfeito por termos prorrogado hoje o contrato com Bayern de Munique por mais um ano – escreveu Muller, em sua conta no X (ex-Twitter). Ele também falou ao site oficial do clube alemão.

– Estou feliz que minha jornada no Bayern continue. Quero desempenhar o meu papel para continuarmos a ter sucesso, tanto como equipe como todo o clube. É importante para mim ser uma referência e ajudar a orientar a equipe na direção certa. Quero entusiasmar nossos torcedores com gols, ajudando a criar gols, meu amor pelo jogo, minha paixão pelo futebol – e espero que com muitos mais títulos – celebrou.

Thomas Muller é a personificação de jogador de um clube só. Como Rogério Ceni é a cara do São Paulo, Francesco Totti da Roma, o meia-atacante foi o rosto do Bayern de Munique supervencedor da última década. Passou por todas as categorias de base dos Bávaros até estrear pelo profissional, aos 18 anos, em 15 de agosto de 2008, atuando por 11 minutos contra o Hamburgo.

Um ano e um mês após debutar, aos 19 anos, 11 meses e 30 dias, marcou o primeiro gol, e logo dois de uma vez, frente ao Borussia Dortmund, rival que dividiria as taças com o Bayern nos anos seguintes. Falando em título, o roteiro que seria padrão pelo restante da carreira, aconteceu pela primeira vez justamente nesta temporada 2009/10, quando levou a Bundesliga e a DFB-Pokal.

Ainda em 2010, o meia, já como titular, sofreria um revés dolorido na final da Champions League, repetido na edição de 2012, quando marcou o gol do empate antes de perder nos pênaltis para o Chelsea. A redenção seria na temporada 12/13, quando enfim venceu a decisão, em cima do Dortmund, a primeira vítima de Muller como jogador profissional. Seguindo como a referência do meio-campo da equipe e absoluto nos 11 iniciais, ajudou o Bayern a levar mais um título europeu em 2020.

Passados 13 anos das duas primeiras conquistas nacionais, Muller pode se orgulhar de ter levantado mais 11 Campeonatos Alemães, todos consecutivos entre 2013 e 2023, outras cinco Copas da Alemanha e oito Supercopas – somado a dois Mundiais de Clubes, duas Supercopas da Europa e duas Champions, são 32 taças no clube. A passagem no profissional conta com 684 jogos, o segundo jogador com mais partidas pelo Bayern, atrás apenas de Sepp Maier com 706 – que deve ser alcançado pelo jogador até 2025. São ainda 237 gols e 261 assistências.

O jovem Thomas Muller no início pelo Bayern de Munique (Foto: Icon Sport)

Jogando com os meiões sempre na altura da canela, Muller era por vezes tratado como um jogador esforçado e só, talvez pelo perfil discreto ou pela ausência de firulas dentro dos gramados. Se mostrou muito além disso. Raras as vezes atuando como um nove, preferia ser a dupla de um centroavante para ter a liberdade de flutuar para o meio e os lados do campo, motivo que explica as tantas assistências na carreira. Ajudou e muito a potencializar o atacante Robert Lewandowski, que alcançou números impressionantes de gols pelos Bávaros.

A qualidade vista no Bayern também foi levada à Seleção Alemã desde 2010, quando defendeu o país pela primeira vez sob comando de Joachim Löw, mesmo técnico que levaria o título da Copa do Mundo de 2014, com Muller sendo um dos protagonistas da campanha. Inclusive, o meia foi quem abriu o placar no histórico 7 x 1 construído em cima do Brasil no Mineirão, concluindo um escanteio vindo na área aos 11 minutos do primeiro tempo. Na Nationalelf, marcou 45 gols em 126 jogos. Ele chegou a se aposentar da seleção após a precoce eliminação no Mundial do ano passado, mas voltou atrás e segue vestindo a camisa branca.

Atualmente, vive momento de reserva e sua importância não está nos gramados, e sim no vestiário do Bayern, transmitida na liderança do elenco. Vendo a promessa Jamal Musiala se firmar cada vez mais na sua função de meia-atacante, Muller jogou apenas 18 vezes, sendo sete como titular, com média em campo de 39 minutos.

Neuer e Ulreich também renovaram com o Bayern até 2025

Antes de Muller, o Bayern renovou com outro ídolo da geração vencedora. Aos 37 anos, o goleiro Manuel Neuer firmou novo acordo, também até 2025, mesmo após uma crise na relação entre jogador e clube. Aproveitou para entender também o vínculo do reserva da meta do time, Sven Ulreich, pelo mesmo período.

Seria 2025 o ano definitivo para o Bayern dar adeus aos últimos nomes do time supervencedor dos anos 2010? Tudo dependerá de como os experientes e ídolos Muller e Neuer estarão dentro do campo.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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