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Guardiola está fazendo o Bayern de Munique ser ainda mais imprevisível

Pep Guardiola é um técnico inquieto. Técnicos assim costumam ser rotulados como professor Pardal por inventarem demais. No caso de Guardiola, isso não acontece. Ele não tem medo de experimentar, mas procura treinar novidades e fazer o time não se contentar consigo mesmo. Xabi Alonso chegou a dizer que ele inova em cada treino e tenta adicionar novos conceitos ao time em cada jogo. Nesta partida contra o Hertha Berlim na capital alemã, o time mostrou capacidade de tentar novidades com os jogadores talentosos e criativos que tem. Venceu por 1 a 0, mas muito além disso, parece tornar-se mais imprevisível.

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Nos acostumamos a ver Arjen Robben jogar pela ponta direita, com seus dribles para o meio e chutes precisos. Foi assim, aliás, que ele marcou o gol do Bayern de Munique, em um chute de fora da área, puxando da direita para o centro e finalizando. Só que Robben não ficou preso à ponta. Guardiola fez o jogador atuar centralizado em parte do jogo, dando mais uma opção de formação, adiantando Thomas Müller para fazer dupla com Robert Lewandowski no ataque.

Aliás, não só Robben: Ribéry também jogou centralizado em alguns momentos. Todos eles trocando de posição com Mario Götze, que caiu pela direita, pelo meio e mais para o ataque. Tanto que em alguns momentos, o segundo atacante é Robben, em outros Ribéry, em outros Müller ou Götze. A variação do time é enorme.

Dos jogadores de frente, o único que não muda muito de posição é Lewandovski. Os demais tentam mudanças com posicionamento diferente. Xabi Alonso trabalha às vezes como se fosse um zagueiro na saída de bola, se posicionando ao lado de Dante e Boateng, outras vezes como um meia, tabelando com os jogadores do ataque. Foi uma experimentação de Guardiola, algo que não é novidade. No Barcelona, o time chegou a jogar sem nenhum zagueiro de origem, apenas com meio-campistas – os volantes Busquets e Mascherano, por exemplo, ou mesmo os laterais Adriano e Daniel Alves.

Posicionamento médio do Bayern de Munique: muita movimentação (Fonte: Who Scored)
Posicionamento médio do Bayern de Munique: muita movimentação (Fonte: Who Scored)

Só que o Bayern de Munique correu riscos. O placar de 1 a 0 permitia isso. Não aconteceu porque o time bávaro parece tranquilo no jogo enquanto o Hertha não parecia ter forças para ameaçar. Foram poucas as chegadas ao ataque. O ritmo lento deixou o jogo pouco atraente, mas completamente à mercê do Bayern. No seu estilo de passes infindáveis, o time dominou a partida.

Dada a facilidade do controle do meio-campo, Xabi Alonso fez 48 passes no jogo, enquanto Ribèry foi o segundo no fundamento com 113. Até Dante passou da marca dos 100, com 102. Ribèry chegou a recuar para atuar no centro do meio-campo, buscando armar as jogadas. Como a filosofia do time não incluiu muitas jogadas de bola aérea, mesmo com a posse de bola o time cruzou pouco a bola na área. Em compensação, foram muitos chutes a gol: 15 no total, embora só cinco deles no alvo. O Hertha, frágil, só conseguiu quatro chutes e só um deles foi na direção do gol.

A inquietação de Guardiola torna o Bayern de Munique cada vez mais imprevisível. Quando se vê a escalação do time, não se sabe onde cada um estará posicionado. Isso é uma força da equipe, que precisará de um desempenho melhor em jogos grandes. Vimos, contra o Manchester City, o Bayern vacilar e tomar a virada. O jogo, claro, ainda não tinha caráter decisivo, ao contrário. O Bayern já estava classificado e a derrota não mudou a situação do time, que fechará a fase de grupos como primeiro colocado. Mas com as variações, o time pode ganhar força. Até porque a ausência de Philipp Lahm, machucado, foi novamente sentida em Berlim. A boa notícia foi Schweinsteiger, novamente entrando em campo. Pode ser ele o substituto de Lahm, com tanta qualidade quanto o capitão. E é preciso criar alternativas. Guardiola não hesita em fazer isso sabendo que seu time é o mais forte diante de um adversário mais fraco. Aproveita e experimenta para tornar o time ainda mais forte.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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