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Demissão de Domenico Tedesco é resultado de um trabalho ruim em campo e da diretoria do RB Leipzig

Técnico fez um trabalho ruim em campo, que foi piorado pela falta de um diretor esportivo e de alinhamento com a diretoria; Marco Rose é o favorito a assumir

A derrota para o Shakhtar Donetsk foi a gota d’água para a diretoria do RB Leipzig, que perdeu a paciência e decidiu demitir o técnico Domenico Tedesco. A demissão tão cedo na temporada é o último capítulo de um fracasso da própria gestão do clube, que tornou o trabalho do técnico mais difícil ao não contratar um diretor de futebol. Tedesco, porém, também foi responsável por entregar muito pouco com um elenco que poderia fazer mais.

Tedesco chegou ao RB Leizpig em dezembro de 2021, substituindo Jesse Marsch. A campanha com o americano no comando foi decepcionante e ele acabou demitido precocemente, ainda na metade da temporada. A chegada de Tedesco foi uma surpresa, em certo aspecto, até pela sua juventude, 36 anos, e sua irregularidade nos trabalhos realizados até ali. Os trabalhos no Schalke 04 e no Spartak Moscou tiveram bons e maus momentos.

No RB Leipzig, Tedesco foi vítima do seu próprio sucesso, de certo modo. Ele recuperou o time que vinha mal na Bundesliga, subindo de 11º para quarto, conquistando, assim, a classificação à Champions League. Além disso, foi até a semifinal da Liga Europa e conquistou a Copa da Alemanha, primeiro grande título da história do clube.

O problema é que o sucesso na Copa fez com que um problema fosse mascarado: a falta de um diretor de futebol. O clube acreditou que poderia seguir assim. Foi um erro fatal, tanto para identificar os problemas da equipe, quanto para montar do elenco para a temporada seguinte.

O atrito entre a diretoria e o técnico ficam mais claros quando olhamos para as contratações. Apenas o lateral esquerdo David Raum era a primeira opção do técnico. A Kicker relata que ele não era um entusiasta da contratação de Xaver Schlager, que dificultava a sua ideia de ter um meio-campo trabalhando em linha. Ele também queria um atacante alto e forte para substituir o machucado Yussuf Poulsen. O clube foi atrás de Timo Werner, que nem de longe atende a essas características.

O que já não era bom piorou ainda mais quando o clube tentou contratar Max Eberl, do Borussia Mönchengladbach, para o cargo de diretor esportivo. O clube e o técnico estavam em páginas diferentes. E a disputa virou pública quando o diretor geral Oliver Mintzlaff criticou a equipe pelo começo ruim de temporada em empate por 2 a 2 contra o Colônia. Com isso, a desavença se tornou pública. Foi o início de um processo que culminaria na demissão do técnico.

Tedesco cometeu seus erros. Deveria se adaptar ao que tinha e tirar mais de um elenco que é claramente talentoso e pode ir muito além do que tem feito em termos de desempenho. Ele foi indiscutivelmente atrapalhado pela gestão do RB Leipzig, mas poderia e deveria ter se adaptado a fazer algo melhor. A derrota para o Shakhtar em casa pela Champions foi só o capítulo final de um processo que parecia inevitável.

Com a saída de Tedesco, Marco Rose, que é de Leipzig e está desempregado, se torna o favorito para assumir o cargo. O ex-técnico do Borussia Dortmund e do Borussia Mönchengladbach, que já trabalhou no Red Bull Salzburg de 2017 a 2019. Tem experiência com o estilo dos times da Red Bull e isso seria um trunfo para alguém que teria uma missão duríssima pela frente. As expectativas seguem altas e atende-las não será das coisas mais fáceis.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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