Copa da Alemanha

A Copa da Alemanha enfim premia um trio que fica na memória do Dortmund: Sancho, Haaland, Reus

Tridente aurinegro fez uma partida muito boa no Estádio Olímpico de Berlim e dividiu os holofotes com a goleada sobre o Leipzig

O Borussia Dortmund conquistou sua quinta Copa da Alemanha de maneira superlativa. A goleada por 4 a 1 expressa o jeito como os aurinegros foram muito mais contundentes ao longo da noite no Estádio Olímpico de Berlim. Por incrível que pareça, o RB Leipzig chegou a finalizar mais que o dobro de vezes e poderia ter reduzido a diferença. No entanto, a qualidade ofensiva dos aurinegros pesou demais. Entre a precisão nas conclusões e a sede nos contragolpes, o Dortmund guardou três gols só no primeiro tempo. Deixou o último para os minutos finais e gravou uma das melhores apresentações de seu virtuoso ataque. Afinal, essa decisão serve de exemplo sobre o talento de Marco Reus, Erling Braut Haaland e Jadon Sancho. Os três permitiram tamanha vantagem no placar e são aclamados uma vez mais, agora com o troféu nas mãos.

Sancho e Haaland repartiram entre si os quatro gols, dois para cada. E a atuação do inglês foi superior no geral. Sancho acumula três temporadas completas em altíssimo nível no Signal Iduna Park. É um dos jogadores mais promissores do futebol europeu e, desde sempre, um dos mais capazes de criarem jogadas aos seus companheiros. Sua visão na criação é assombrosa. Ainda assim, seu ano em 2020/21 guardou altos e baixos. Existiram discussões sobre sua possível saída, o camisa 7 também atravessou uma fase irregular, as lesões impediram sua presença no momento mais importante da Champions. Mas a reta final da temporada sublinha seu protagonismo, em especial pelo que aprontou em Berlim.

Durante o primeiro tempo, Sancho foi o homem que dinamitou as esperanças do Leipzig. Anotou dois gols de muita qualidade. Primeiro, com uma batida perfeita, assinou o golaço que abriu o placar. Depois, ao receber com espaço, mostrou imensa frieza para marcar o terceiro. Cairia com o time durante o segundo tempo e até deu sinais de desconcentração, que minaram sua atuação até então perfeita. Quase entregou um gol aos adversários e perdeu uma chance inacreditável. Mas, no último tento, contribuiria um pouco mais com a assistência. Talvez seu adeus esteja próximo. Em Dortmund, ficou claro como é um jogador de primeira prateleira.

Haaland agradece Reus em Berlim (Foto: Imago / One Football)

Haaland não seria tão participativo, mas sua eficácia é indiscutível. E, assim, ele protagonizou a imagem da final em Berlim. O segundo gol é uma prova de como o norueguês combina capacidade técnica com um vigor físico ímpar. Ao partir em velocidade, Haaland tinha a marcação colada de Dayot Upamecano. O zagueiro, um dos melhores da Bundesliga, achou que poderia ganhar do adversário no corpo. Só achou. Mesmo atropelado por uma locomotiva como o beque, Haaland nem se mexeu e continuou com a bola nos pés, vendo o oponente se estatelar no chão. Então, bateu para as redes e fez o que sabe de melhor. No restante do tempo, Upamecano pareceu entender o desafio e foi bem nos combates. O quarto gol, de qualquer forma, de novo teria o carimbo de Haaland e sua pujança. Iniciou o contra-ataque no campo defensivo e, segundos depois, estava na entrada da área adversária para definir. Escorregou, mas a sorte também faz parte do sucesso, e guardou.

O destaque de Haaland na final era mais do que esperado. E nem poderia ser diferente, considerando tudo o que o centroavante já viveu em apenas um ano e meio de Dortmund. O clube abriu as portas e o norueguês se firmou como um dos maiores atacantes do futebol europeu. É mais um cuja a continuidade parece em xeque, mas, pelas vezes que estufou as redes em tão pouco tempo, ninguém duvida de seu lugar na história do BVB. Haaland até encarou problemas de lesão e chegou a lidar com uma “seca” de quatro jogos, algo incomum para suas médias fantásticas. Porém, no fim das contas, não dava para imaginar o BVB campeão sem uma comemoração do garoto. Ela aconteceu, um dos mais empolgados com toda a festa pelo título.

Marco Reus acaba sendo um “mestre ancião” no trio de frente do Dortmund. E esta temporada é uma das mais mornas do capitão, nem tanto por seus problemas físicos, mas pelos próprio rendimento modesto em relação a outros momentos da carreira. A queda de Reus parece gradual, numa fase em que a idade também pesa sobre as pernas combalidas. Mas, em termos de talento, ninguém pode duvidar do camisa 11. É um dos jogadores mais habilidosos do futebol alemão em todos os tempos, talvez o maior de sua geração. Se o time cresce nesta reta final de temporada, isso tem ligação direta com a melhora de seu nível nas últimas semanas, mais participativo com gols e assistências. Algo presente também na final da Pokal.

Sancho vai abraçar Reus depois da assistência (Foto: Imago / One Football)

Reus não concluiu os dois primeiros gols, mas estava lá na origem de ambos. O placar se abre a partir de uma bola roubada pelo capitão, até a definição de Sancho. Já o segundo vem numa interceptação do camisa 11, enfiando o passe a Haaland. Haveria seu carimbo também no terceiro, numa arrancada como em seu auge, dando o toque açucarado para Sancho anotar mais um. E o veterano só não terminaria com uma tripleta de assistências porque Thorgan Hazard perdeu uma chance imensa no segundo tempo. Ainda assim, num jogo tão grande, o capitão se fez imprescindível. Merece demais outro título, considerando que sua história no Dortmund, o clube de seu coração, tem menos taças que sua grandeza particular. Se a Pokal de 2017 ficou marcada pela euforia de um lesionado Reus, que vibrava muito mesmo após sair no intervalo da final, a de 2021 guarda o melhor futebol de uma lenda aurinegra. Pela primeira vez, com a braçadeira para erguer o troféu.

O Borussia Dortmund encarou muitos problemas nas últimas temporadas, que não se restringem somente à dificuldade de competir pela Bundesliga. O BVB contou com equipes desequilibradas, que sofriam apagões, que não mantinham a regularidade. Isso também se nota em 2020/21 e, de certa maneira, ocorreu na própria decisão. Todavia, é inegável que os aurinegros também contam com uma das linhas ofensivas mais irresistíveis do planeta. Haaland, Sancho e Reus formam um daqueles tridentes que merecem ser lembrados com carinho. A Pokal reforça um pouco mais essa lembrança, com todo o futebol fulminante que valeu a conquista. Sem saber até quando os três permanecerão juntos, vale apreciar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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