Com Götze, Bayern mostra supremacia na Bundesliga
“O Bayern Munique confirma que o clube acertou os termos com o jogador da seleção alemã Mario Götze para o jogador chegar ao Bayern a partir do dia 1º de julho em 2013. O Bayern está preparado para ativar a cláusula de recisão acertado entre Borussia Dortmund e Mario Götze”. Foi assim, em um comunicado no seu site, que o Bayern anunciou a contratação de um dos mais promissores jogadores do futebol alemão. E logo do seu maior rival local atualmente, o Borussia Dortmund.
A contratação é um claro sinal de força e conhecimento de mercado, porque contratar a maior promessa do futebol alemão por € 37 milhões como cláusula de rescisão é claramente um erro do Dortmund. Um erro que, perto de um gigante poderoso como o Bayern, custará caro dentro de campo, porque dificilmente o time terá uma reposição à altura. E o rival terá um jogador capaz de desequilibrar, em um elenco que já tem vários jogadores com essa capacidade. Pior do que perder um dos seus principais jogadores é reforçar o seu adversário com ele. É o que o Dortmund vive. É o que o Bayern está acostumado a fazer há anos.
O Bayern contratou Mario Manduzkic nesta temporada, vindo do Wolfsburg. O croata se tornou titular e importante na equipe bávara. E o Wolfsburg sofre na metade de baixo da tabela. Na temporada 2011/12, o Bayern tirou um jogador de peso do Schalke 04. O goleiro e capitão Manuel Neuer, da seleção alemã, trocou Gelsenkirchen por Munique. Virou jogador-chave dos bávaros, além de enfraquecer um rival. Em 2011, tirou Luiz Gustavo do Hoffenheim. O brasileiro era um destaque e tornou-se uma espécie de reserva de luxo no atual campeão. Em 2009, tirou Mario Gómez do Stuttgart por € 30 milhões. É uma prática comum do Bayern, o time com maior visibilidade e maior força, dentro e fora de campo.
Há um grande equilíbrio em distribuição nos direitos de TV do futebol alemão, como mostramos aqui. O que diferencia o Bayern dos demais clubes é a capacidade de faturar na área comercial, quesito que o clube bávaro é líder no mundo. E essa força financeira faz o time gastar € 40 milhões em Javi Martínez, um volante excelente, mas que certamente não vale tanto quanto foi pago. É uma demonstração de força. Assim como foi com Mario Gómez, que já valeu o dinheiro investido nele. Com Mario Götze, um reforço ainda mais barato que Martínez e mais capaz de fazer diferença.
Por outro lado, a cláusula de rescisão de Götze ser “apenas” € 37 milhões em um clube que quer competir com o Bayern na Alemanha e com Real Madrid e Barcelona na Europa não é muito inteligente. Qualquer um desses clubes (e outros, como os clubes ingleses) poderia pagar essa cláusula de rescisão com relativa tranquilidade. O clube deveria ter se protegido melhor para impedir a saída do seu craque com facilidade. Ainda mais para um rival local e direto pelo título da Bundesliga.
O Bayern tem uma força desproporcional no seu país. Desproporcional por dois motivos: primeiro, é mais eficiente para captar recursos em seu estádio e, principalmente, em acordos comerciais. Mas também porque clubes como o Borussia Dortmund não conseguem capitalizar em cima daquilo que conseguem. O time não conseguiu segurar Shinji Kagawa e além de perder Götze para a próxima temporada, deve perder ainda Robert Lewandowski. O time consegue captar jogadores de ligas menores ou até de clubes menores e transformá-los em estrelas, mas será difícil manter o nível perdendo tantos jogadores.
O Dortmund terá que começar a gastar também e isso é difícil para um time que não tem esse costume. A contratação mais cara na última temporada foi Marco Reus, que custou € 18 milhões. Edin Dzeko, especulado pelo time, é um bom nome para substituir Lewandowski. Já mostrou sua capacidade no Wolfsburg, quando o time foi campeão alemão. Outros especulados são jogadores médios, que teriam que provar o seu valor, como Pierre-Emerick Aubameyang, do Saint-Etienne, Kevin De Bruyne, do Werder Bremen e que pertence ao Chelsea, Álvaro Negredo, do Sevilla e Rafa Wolski, da Fiorentina. Outro dos especulados é um jogador médio e não sairá disso: Nicklas Bendtner, atualmente na Juventus, mas que pertence ao Arsenal.
Bayern com um super elenco. Quem sai?
Pelo lado dos bávaros, a contratação de Götze é mais um indício que alguns jogadores podem deixar o time. O elenco do Bayern é um dos mais recheados do mundo e a chegada de mais uma estrela deve fazer com que outros deixem a equipe. Atualmente, Arjen Robben não é titular absoluto e a chegada de Götze torna sua presença ainda menos necessária. Uma negociação parece provável e seria até inteligente do Bayern, dado que o holandês não é dos que mais fica confortável no banco de reservas.
No ataque, muito se especula uma formação do próximo técnico bávaro, Pep Guardiola, sem um centroavante fixo, com o chamado “falso nove”. A coluna Alemanha falou sobre isso quando o técnico foi anunciado, em janeiro. Com isso, o elenco ficaria inchado demais com três nomes para essa posição: Mario Gómez, Mario Mandzukic e Claudio Pizarro. É provável que no mínimo um deles saia – talvez até mais de um. Até porque seria uma forma de enxugar um pouco a folha salarial.
Com um elenco como esse, o time se qualifica novamente como um candidato a ganhar todos os títulos na próxima temporada. É a base da seleção alemã ainda mais evidente. A pergunta que fica é: será que o Bayern terá adversário doméstico na próxima temporada? A tendência é que não tenha. De novo.



