Clubes alemães criticam a expansão da Copa: “Não há razões esportivas”
Todas as confederações se mostraram favoráveis à expansão da Copa do Mundo, ainda que com alguma ressalva aqui ou ali. O mesmo não pode ser dito dos clubes. Os dirigentes de clubes alemães se mostraram bastante irritados com iminente decisão de uma Copa do Mundo com mais seleções – e mais jogos. Não é uma posição isolada. Há alguns dias, o presidente da federação alemã de futebol (DFB), Reinhard Grindel, também se mostrou contrário à ideia e disse que é preciso mais tempo para discutir.
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“A Copa do Mundo com 48 seleções é um sinal errado”, afirmou Karl-Heinz Rummenigge, presidente do Bayern de Munique e também da Associação Europeia de Clubes (ECA). “Apenas razões políticas, não esporte, estão sendo levados em considerando aqui. Eu não posso entender por que um formato de sucesso com 32 times, que se provou bem-sucedido em todos os aspectos com os torcedores, está para ser substituído”, afirmou ainda o dirigente em entrevista ao jornal alemão Sport Bild.
A proposta de expansão da Copa do Mundo já foi aprovada em reunião informal e deve ser apenas validada nesta terça-feira. Isto não significa, porém, que todo mundo está feliz com isso. A ideia de uma Copa com 40 ou 48 seleções incomoda o diretor esportivo do Schalke 04, Christian Heidl.
“Eu não vejo o apelo de nenhuma das opções”, afirmou o dirigente do Schalke. “Eu não lembro do Sr. Infantino sequer consultando os clubes que irão fornecer e pagar os jogadores envolvidos na Copa do Mundo”.
Uma reclamação constante e uma queda de braço, já que a plataforma eleitoral de Infantino, em fevereiro de 2016, foi justamente a expansão da Copa do Mundo. E o ítalo-suíço quer cumprir a promessa diante de africanos e asiáticos, principais interessados na expansão do Mundial.
Os clubes alemães estão insatisfeitos. Alex Rosen, diretor do Hoffenheim, também é contra o aumento do número de seleções. “Nós não precisamos discutir o fato que não há razões esportivas nesta decisão”, criticou Rosen. Opinião compartilhada pelo ex-jogador Rudi Völler, diretor esportivo do Bayer Leverkusen. Ele, porém, se mostrou mais conformado e disse que prefere a Copa com 40 seleções, “o menor dos males”.
Com os clubes contrários à mudança, a Fifa terá que lidar com a insatisfação especialmente dos clubes europeus, mais riscos e poderosos politicamente. Ainda mais porque o calendário de jogos internacionais parece aumentar, com a Liga das Nações da Uefa já próxima de começar.
Infantino já teve que lidar muito com os clubes e seus interesses durante seu tempo como secretário-geral da Uefa. Resta saber como os clubes pretendem se organizar para fazer algo a respeito, porque as mudanças parecem inevitáveis.



