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Capitão do Eintracht Frankfurt, Russ volta a campo 285 dias após retirar tumor e é ovacionado

A classificação do Eintracht Frankfurt às semifinais da Copa da Alemanha, pela primeira vez em dez anos, acabou sendo mero detalhe nesta terça. A celebração na Commerzbank Arena foi muito além da vitória por 1 a 0 sobre o Arminia Bielefeld. Jogadores e torcedores festejaram também o retorno de Marco Russ. O capitão das Águias voltou a entrar em campo depois de 285 dias de ausência. Neste intervalo, retirou um tumor testicular em estágio avançado e enfrentou sessões de quimioterapia, até vencer a doença. Um verdadeiro exemplo de superação.

VEJA TAMBÉM: O Eintracht Frankfurt retribuiu o heroísmo de Marco Russ com a permanência na Bundesliga

Formado nas categorias de base e com carreira praticamente inteira feita no Eintracht Frankfurt, Marco Russ descobriu o câncer no final da última temporada, a partir das alterações no exame antidoping. O defensor de 31 anos participou do primeiro jogo dos playoffs contra o rebaixamento na Bundesliga, marcando um gol contra. Apesar disso, recebeu o reconhecimento da torcida, cantando seu nome, após adiar a retirada do tumor para entrar em campo. Suspenso para a volta, entrou na mesa de cirurgia horas antes de seus companheiros assegurarem a permanência na primeira divisão. Dedicaram o triunfo ao capitão.

Em setembro, independentemente de seu estado de saúde, o Eintracht Frankfurt renovou o contrato de Russ. Já em outubro, ele ganhou alta dos médicos, iniciando um trabalho gradativo para recuperar sua força física e voltar aos gramados. Evolução concretizada nesta terça, ao ser relacionado pelas Águias pela primeira vez. Não estava nos planos que sua entrada acontecesse. No entanto, diante da pressão do Arminia Bielefeld no jogo aéreo, o técnico Niko Kovac lançou mão do camisa 4 aos 47 do segundo tempo. Foi ovacionado pela torcida ao entrar e ajudou a segurar o 1 a 0 no placar. Ao apito final, voltou a ser aplaudido, chorando ao lado da esposa e da filha.

“Foi um momento muito emocionante para mim, depois desse longo e difícil período. Senti um frio na barriga o dia todo, mas, quando eu estava à beira do gramado esperando para entrar, comecei a aproveitar a sensação e a tensão desapareceu”, comentou Russ. “Eu não estava pronto na data que marquei como meta inicialmente, em janeiro. Durante as duas últimas semanas, passei a treinar com o time. Até que a hora chegou”. Vitória na bola e na vida.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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