Bundesliga

Guirassy voltou com tudo e definiu a merecida virada do Stuttgart para cima do Dortmund

Guirassy saiu do banco e garantiu o gol da vitória do Stuttgart, num jogo em que o time perdeu muitas chances, mas conseguiu se impor na luta pelo terceiro lugar com o Dortmund.

O Stuttgart sentiu falta de Serhou Guirassy nas rodadas anteriores da Bundesliga. O guineense vivia um início de campanha surreal, com 14 gols em oito jogos, mas uma lesão muscular o tirou da equipe e os suábios sofreram duas derrotas consecutivas sem ele. Neste sábado, Guirassy voltava a pintar na Mercedes-Benz Arena. O centroavante ainda era opção no banco de reservas, mas não precisaria disputar o jogo inteiro para fazer a diferença. Saiu do banco e definiu a virada por 2 a 1 sobre o Borussia Dortmund, num confronto direto pela terceira colocação na tabela. Num duelo em que os alvirrubros perdiam muitas chances, o artilheiro mostrou a que veio com um tento de pênalti na reta final.

Apesar da virada no placar, o Stuttgart merecia muito mais a vitória na Mercedes-Benz Arena. Os alvirrubros foram amplamente superiores durante toda a partida, mas com dificuldades para converter suas finalizações. O primeiro tempo teve 16 a 2 nos arremates para os suábios. Perderam um pênalti e pararam nas boas defesas de Gregor Köbel, enquanto Niclas Füllkrug balançou as redes logo na primeira chegada do Dortmund. Ao menos, o empate de Deniz Undav não demorou. Já na segunda etapa, o Stuttgart tomou um susto numa bola na trave, mas seguia melhor. Contou com a entrada de Guirassy no final, para sofrer e converter o penal decisivo.

Com o gol, Guirassy chega a 15 tentos na Bundesliga. O problema é só a concorrência de Harry Kane, que fez mais dois e chegou a 17 na campanha. Os gols do guineense, de qualquer forma, botam o Stuttgart na rota da Champions. Já o Dortmund atravessa uma sequência ruim na Bundesliga. O desempenho na Champions pode animar dentro do “grupo da morte”, mas o time de Edin Terzic perde fôlego na luta pelo G-4. Depois da pancada do Bayern no clássico, de novo o time deveu demais na visita à Mercedes-Benz Arena.

O clássico “quem não faz, toma”

Sebastian Hoeness escalou o Stuttgart no seu 4-4-2, com a espinha dorsal formada por Alexander Nübel no gol, Hiroki Ito na zaga, Angelo Stiller no meio e Chris Führich na ligação. O ataque reunia Deniz Undav e Enzo Millot, com a opção de Serhou Guirassy no banco. Já no Dortmund, Edin Terzic deixava Marco Reus e Donyell Malen na reserva. Gregor Kobel era um nome importante no gol, com Mats Hummels liderando a defesa. O meio tinha Felix Nmecha, Salih Özcan e Marcel Sabitzer. Na frente, Karim Adeyemi e Julian Brandt apoiavam Niclas Füllkrug.

O Stuttgart tentou mostrar quem mandava desde os primeiros minutos. Saiu para o jogo e pressionou, até ganhar um pênalti aos dez minutos. Lançado em profundidade por Waldemar Anton, Deniz Undav ia driblando o goleiro, mas foi derrubado por Gregor Kobel na área. Pênalti e cartão amarelo para o suíço. No entanto, Kobel se redimiu da melhor maneira possível: acertou o canto e defendeu a cobrança de Führich. O rebote ainda seguiu vivo na área, mas a zaga aurinegra conseguiu travar. Seria só o início do ótimo primeiro tempo do arqueiro.

O Stuttgart manteve a postura e continuou acuando o Borussia Dortmund, com muitas dificuldades para construir seu jogo. Os suábios venciam a batalha no meio-campo e martelavam bem mais na frente. Kobel era quem segurava o marcador zerado. O goleiro seria testado por Enzo Millot, Jamie Leweling e Undav, mas manteve a segurança com boas defesas. Como se não bastassem os problemas do BVB, a equipe perdeu o lesionado Mats Hummels aos 28, substituído por Ramy Bensebaini.

O Dortmund conseguiu avançar um pouco mais em campo a partir dos 30 minutos. Porém, quem continuava arriscando mais era o Stuttgart. Aos 34, os suábios chegaram a 12 finalizações contra nenhuma dos aurinegros. O problema era a falta de precisão, mesmo que Kobel fosse seguro sob as traves. E a velha máxima do “quem não faz, toma” preponderou logo na primeira chegada perigosa do BVB: a equipe abriu o placar com seu primeiro arremate, aos 36 minutos. Foi uma jogada em que o meio-campo do Stuttgart deixou a defesa exposta. Julian Ryerson escapou pela direita e cruzou rasteiro. A bola ia passando por todos, mas não por Füllkrug, que fez seu trabalho sem dificuldades.

O Stuttgart sentiu o gol, mas pelo menos conseguiu uma resposta antes do intervalo. O empate já saiu aos 42, num lance muito inteligente dos alvirrubros. Hiroki Ito tem grandes méritos, num excelente lançamento para romper as linhas. Leweling dominou nas costas da defesa, pela direita. Ajeitou com cuidado para Undav se infiltrar na área e finalmente bater Kobel. Ainda quase deu tempo de uma virada nos acréscimos, mas Kobel reapareceu para mais uma defesa decisiva, agora em cabeçada de Millot.

A volta providencial de Guirassy

O primeiro tempo não deixou lições ao Borussia Dortmund rumo à segunda etapa. Quem mandava em campo era o Stuttgart, numa tônica que se preservou na volta do intervalo. Marco Reus e Donyell Malen até tentaram dar novos ares ao time, com as saídas de Brandt e Adeyemi. Entretanto, os suábios eram melhores no trato com a bola e também recuperavam com rapidez na pressão. A virada poderia ter vindo primeiro numa escapada de Führich, aos nove minutos, mas a finalização passou raspando a trave. Os alvirrubros abafavam, mas faltava o golpe certeiro. Faltava Guirassy.

Na sorte, quase o Dortmund anotou o segundo em sua primeira finalização da etapa final. Num ataque enfim bem pensado pelo time, Sabitzer chutou prensado e a bola caprichosa bateu no pé da trave. O lance isolado não impediu Terzic de mudar de novo, com Gio Reyna dando mais ofensividade no lugar de Nmecha. Já a bem-vinda entrada de Guirassy no Stuttgart ocorreu aos 21, ao lado de Josha Vagnoman. Os times levaram um tempo para se acertar, mas, quando Guirassy apareceu, serviu uma boa bola para Vagnoman. Só a finalização não foi à altura, num chute fraco para fácil defesa de Kobel. Na reta final, Youssoufa Moukoko e Silas Katompa Mvumpa davam novas energias aos times.

Depois dos 30 minutos, a balança de novo voltou a pender para o Stuttgart. Os suábios tinham tinham melhores recursos na frente e se combinavam com mais qualidade. Faltava só a precisão no desfecho das jogadas. Num dos lances, aos 34, Anton cabeceou com espaço após escanteio e a bola por pouco não entrou. Isso até que, aos 37, o filme do primeiro tempo se repetisse. Guirassy invadiu a área em velocidade, num grande passe de Millot, e sofreu o pênalti de Kobel. O árbitro até aliviou ao arqueiro, que corria o risco de ser expulso com o segundo amarelo – num momento em que as cinco trocas dos aurinegros já tinham acontecido.

Na marca da cal, Kobel até acertou o canto na hora de saltar, mas Guirassy bateu firme o penal e tirou do alcance do suíço. Bola nas redes, numa virada mais do que merecida do Stuttgart. Não era uma partida boa o suficiente do Dortmund para acreditar numa reação, por todas as dificuldades do time na criação. Cabia até o terceiro dos alvirrubros, numa bola rasteira que Silas mandou na parte externa das redes. Na reta final, pouco se viu do BVB. Os méritos do Stuttgart ficaram ainda mais claros.

Como fica na tabela

O Stuttgart finca o pé na terceira colocação da Bundesliga, com 24 pontos. As duas derrotas recentes fizeram os suábios ficarem para trás na luta pela liderança, a cinco pontos do Bayern de Munique e a quatro do Bayer Leverkusen – que ainda joga na rodada. Ainda assim, o time demonstra condições de sonhar com a Champions League e preserva seu posto no G-4. O Borussia Dortmund, por sua vez, fica com 21 pontos, na quarta posição. Lá se vão três rodadas sem vencer, com o risco da ultrapassagem do RB Leipzig.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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