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Enfim, o Dortmund demite Peter Bosz e busca guinada com ex-técnico do Colônia

Não havia mais como sustentar. Aliás, até parecia que o Borussia Dortmund tinha sustentado Peter Bosz mais do que deveria. O treinador resistiu aos vexames contra o Apoel na Liga dos Campeões, resistiu à queda vertiginosa na Bundesliga, resistiu até mesmo ao empate concedido contra o Schalke 04 no Signal Iduna Park. Mas não teve quem o segurasse depois de perder em casa para o Werder Bremen, até então o vice-lanterna da Bundesliga, e deixar o clube de fora até mesmo da zona de classificação na Liga Europa. Neste domingo, a diretoria aurinegra confirmou aquilo que qualquer torcedor em sã consciência gostaria de ouvir: o técnico holandês foi demitido.

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Em menos de um semestre, Peter Bosz deixou uma impressão de enganação na Alemanha. Afinal, até parecia um casamento perfeito quando a contratação do comandante foi anunciada. Era um técnico que vinha de um bom trabalho com o Ajax, com uma proposta de jogo bastante ofensiva e que sabia lapidar jovens jogadores. Tudo o que o Dortmund precisava naquele momento. Mas que o clube não teve. A passagem do holandês pelo Signal Iduna Park não foi totalmente descartável, especialmente pelo bom início, no qual realmente expôs algumas de suas virtudes. Porém, quando os problemas começaram a surgir, o treinador não soube fugir deles.

Os primeiros sinais do declínio vieram na Liga dos Campeões. O Dortmund até possuía intensidade, mas era um time previsível dentro de suas táticas. Pior do que isso, caía muito de nível no segundo tempo, sem conseguir reagir aos placares adversos. E isso se transformou em uma espiral que engoliu o treinador. Os resultados pioraram cada vez mais, a eliminação na Champions se tornou inescapável e a liderança na Bundesliga foi pisoteada como um mero castelo de areia. Desde o último mês, apenas esperava-se quando a diretoria aurinegra teria a atitude de demitir seu comandante. A pausa de inverno parecia uma boa pedida. Mas nem isso deu para esperar, diante de tudo o que vinha acontecendo.

E vale mencionar que mesmo o rendimento dos jogadores do Dortmund não satisfaz. Independentemente das lesões, as dores de cabeça na defesa são inúmeras, a começar por Roman Bürki. O meio inexistiu nos últimos meses, e até mesmo Julian Weigl pareceu um jogador comum. No ataque, Christian Pulisic e Andriy Yarmolenko se salvaram um pouco, mas nada que resolvesse a crise. E há uma incógnita chamada Pierre-Emerick Aubameyang. Por mais gols que marque, o gabonês não tem sido suficientemente letal e os sinais de desgaste são evidentes. O ponto não é só recuperar o seu máximo futebol, mas também o seu valor no mercado.

Na mesma conferência em que anunciou a demissão de Peter Bosz, o Dortmund já confirmou o seu substituto. E a impressão que fica é a de que os dirigentes esperavam apenas um nome minimamente confiável vagar no mercado. Em um balanço geral, o saldo de Peter Stöger no Colônia é positivo, tirando o clube da segunda divisão e recolocando-o nas competições europeias, após 25 anos de ausência. O problema é que o atual semestre de Stöger está distante de animar. A diretoria alvirrubra também segurou o seu treinador mais do que o deveria, demitindo-o apenas na semana passada. O motivo? A lanterna na Bundesliga, sem uma vitória sequer, além da eliminação na fase de grupos da Liga Europa.

O problema de Stöger no Colônia, de certa maneira, se assemelha àquilo que sofria Bosz no Signal Iduna Park. Depois de perder Anthony Modeste, principalmente, o treinador não conseguiu reinventar o time. Pior do que isso, sequer conseguiu construir resultados, por mais que boa base da equipe tenha permanecido no Estádio RheinEnergie. Deixou os Bodes justamente por rodar em círculos, incapaz de qualquer guinada e com o clube já se acostumando com a ideia de retornar à segunda divisão.

A renovação de ares pode fazer bem a Stöger, é claro, E, tirando os últimos meses, os elogios permeiam o seu trabalho. Conseguiu algo muito além do esperado com o elenco mediano do Colônia e construiu um time eficiente na maior parte de sua passagem. Sua principal missão no Dortmund será extrair o melhor dos jogadores e solucionar as carências da equipe, sobretudo as defensivas. Vem com um olhar menos “viciado” que o de Bosz, com alternativas táticas, o que pode ajudar. E o sarrafo não está tão alto assim no momento. Com o título soando como missão impossível, terá apenas que manter os aurinegros entre os quatro primeiros colocados para ir à Liga dos Campeões. Considerando o equilíbrio tradicional na Bundesliga, a tarefa é acessível.

Stöger, de qualquer forma, não parece ser o técnico que vai conduzir o Borussia Dortmund por muito tempo. Sondado no início da temporada pelos aurinegros, soa mais como um comandante de transição, diante daquilo que se sinalizou em sua apresentação. Será o responsável por salvar uma lavoura e evitar uma catástrofe nesta temporada, longe de estar totalmente perdida. Para, enfim, a diretoria realmente planejar os próximos passos e mirar alguém que conduza o time no longo prazo, como costumam se direcionar as escolhas no Signal Iduna Park.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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