Beckenbauer teria envolvido o Bayern na compra de votos para candidatura à Copa de 2006

Ainda que com menos evidência do que o Fifagate e as suspeitas de suborno na escolha das sedes para a Copa de 2018 e 2022, o Mundial de 2006, na Alemanha, agora também está sob investigação, e tudo começou com suspeitas levantadas pela própria imprensa alemã. Desta vez, a figura central das últimas informações divulgadas é Franz Beckenbauer, que poderia ter influenciado o voto de Malta na escolha do país que receberia a Copa de 2006.
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O jornal inglês Daily Mail afirma ter obtido um documento que mostra um acordo entre Bayern de Munique e Federação Maltesa pela realização de um amistoso entre o time bávaro e a seleção maltesa, pelo valor de US$ 250 mil. O presidente da Federação Maltesa, Darmanin Demajo, afirmou que Franz Beckenbauer, então presidente do clube e chefe da candidatura da Alemanha ao Mundial de 2006, esteve diretamente envolvido nas negociações pelo amistoso.
O pagamento do Bayern de Munique à Federação Maltesa, em junho de 2000, teria acontecido cinco semanas antes das votações para a escolha da sede da Copa do Mundo de 2006, em que Malta acabou votando na Alemanha para receber a competição.
Demajo era tesoureiro da Federação Maltesa à época e relatou como tudo aconteceu, mantendo um discurso de suspeita. “Meu entendimento é de que ele esteve em Malta no dia em que o contrato foi assinado com o Mifsud (então presidente da federação). Os alemães sempre disseram que não fizeram nada de errado. Eles podem não ter colocado dinheiro em envelopes, mas o resultado final foi o mesmo. O quebra-cabeça se encaixa. Quatro meses depois de o contrato com o Bayern de Munique ser assinado, fui informado de que US$ 250 mil haviam caído do céu na conta bancária da nossa associação. Como tesoureiro, questionei por que, e descobri que Mifsud havia assinado o contrato por conta própria, sem avisar ninguém, algo que ele não poderia fazer, segundo o estatuto”, explicou.
Beckenbauer está atualmente sob investigação do Comitê de Ética da Fifa. Além do pagamento à Federação Maltesa, precisou negar que uma transferência de 6,7 milhões para a Fifa enquanto era chefe da candidatura alemã para a Copa de 2006 se tratava de dinheiro para a compra de votos a favor do país.
A revista Der Spiegel, no entanto, relatou que um caixa dois de 6,7 milhões teria sido usado para comprar votos para o país, dinheiro que, segundo o veículo, teria sido disponibilizado pelo CEO da Adidas, Robert Louis-Dreyfus. Não há provas concretas de corrupção na votação para a Copa de 2006, mas as coincidências não param de surgir, e o cerco sobre dirigentes alemães deverá ser pesado neste período de “limpeza” pelo qual passa o futebol mundial.



