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Bayern sofreu apenas quatro gols em um turno completo da Bundesliga, e isso é fantástico

Não foi das partidas mais típicas para o Bayern de Munique na Bundesliga. Depois que Erwin Soto abriu o placar, os bávaros precisaram buscar a virada contra o Mainz 05. Schweinsteiger e Robben, aos 44 do segundo tempo, deram conta do recado para anotar 2 a 1 na Coface Arena. Ao final do primeiro turno do campeonato, a equipe de Pep Guardiola abre pelo menos 11 pontos de vantagem sobre o segundo colocado – que pode ser até de 14 pontos, dependendo do resultado do Wolfsburg contra o Colônia. E o que impressiona ainda mais são os números defensivos do Bayern. Em 17 rodadas, o time sofreu apenas quatro gols. Pronto para ser um dos melhores da história da Europa.

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Quando Soto abriu o placar, aproveitou uma das maiores falhas defensivas da equipe. O ataque em velocidade do Mainz 05 acabou sendo fatal para a desorganização do Bayern. Por sorte, a precisão de Schweinsteiger na cobrança de falta e o oportunismo de Robben acabaram prevalecendo. Mas os bávaros sofreram um tento, situação a qual não estavam acostumados nesta Bundesliga. Sobretudo, porque a função de Neuer como líbero costuma protegê-los de jogadas mais agudas dos adversários.

Neuer é o jogador mais imprescindível no Bayern atual. A função do goleiro na retaguarda da defesa é fundamental para evitar os contra-ataques dos adversários – não por coincidência, a maior fraqueza dos bávaros na temporada passada. Consertando boa parte do problema, a equipe sofreu apenas quatro gols na primeira metade da Bundesliga. A melhor marca da história do Campeonato Alemão e também desta temporada entre as principais ligas europeias. Para se ter uma noção, Barcelona e Juventus dividem a segunda colocação da lista, com sete gols sofridos. Quase o dobro do Bayern e, mesmo assim, muito pouco para um time que já passou por ao menos 16 partidas.

Uma das virtudes do Bayern está nas poucas oportunidades que dá para os adversários atacarem. São apenas 6,3 finalizações contrárias por partida, a menor entre as cinco grandes ligas europeias. Mas, para isso, não basta apenas fechar os espaços dos adversários. Manuel Neuer também faz uma temporada estupenda sob as traves, imprescindível em muitos jogos da campanha. As atuações contra Borussia Mönchengladbach e Hertha Berlim, sobretudo, estão entre as melhores de sua carreira.

No atual estágio, o Bayern pode mirar o recorde de defesa menos vazada da história do futebol europeu. Uma marca difícil, mas não impossível diante dos números atuais dos bávaros. Em 1969/70, o Fenerbahçe sofreu apenas seis gols em 30 rodadas do Campeonato Turco. Já entre as grandes ligas, os melhores números são do Cagliari, que tomou 11 tentos em 30 partidas também em 1969/70. Na Alemanha, o recorde de gols sofridos em uma temporada completa é do próprio Bayern, que buscou 18 bolas na rede em 2012/13. Um número fácil de se bater nas atuais condições da equipe de Pep Guardiola.

De fato, o abismo de nível na Bundesliga dá uma grande vantagem ao Bayern. De qualquer forma, o clube consegue tornar ainda mais espantosa essa diferença. Os números estão aí para provar isso. E, se já devastou os recordes no último bicampeonato, os bávaros estão prontos para ir além em 2014/15.

As melhores médias de gols sofridos da história do futebol europeu:

Fenerbahçe – 1969/70 – 0,2 gols sofridos por jogo
Trabzonspor – 1978/79 – 0,233 gols sofridos por jogo
Bayern de Munique – 2014/15 – 0,235 gols sofridos por jogo*
Porto – 1979/80 – 0,3 gols sofridos por jogo
Porto – 1983/84 – 0,3 gols sofridos por jogo
Dynamo Kiev – 1967 – 0,306 gols sofridos por jogo
Porto – 1881/92 – 0,324 gols sofridos por jogo
Trabzonspor – 1981/82 – 0,344 gols sofridos por jogo
Dynamo Kiev – 2001/02 – 0,346 gols sofridos por jogo
Cagliari – 1969/70 – 0,367 gols sofridos por jogo
Benfica – 1977/78 – 0,367 gols sofridos por jogo
Trabzonspor – 1979/80 – 0,367 gols sofridos por jogo
Slovan Bratislava – 1998/99 – 0,367 gols sofridos por jogo
Levski Sofia – 1998/99 – 0,367 gols sofridos por jogo
CSKA Sofia – 2007/08 – 0,367 gols sofridos por jogo

* Em 17 partidas

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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