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O Bayern 2.0 de Guardiola apresenta cada vez mais armas para massacrar

É quase impossível determinar o sistema tático adotado pelo Bayern de Munique atualmente. O time de Pep Guardiola se torna cada vez mais mutante, sobretudo quando está com a bola. Neuer fica parado na intermediária, enquanto o resto do time parte para a pressão no campo adversário, com muitas trocas de posição e infiltrações. E os recursos ofensivos dos bávaros para quebrar retrancas são cada vez maiores. Prova disso foi dada na vitória por 2 a 0 sobre o Freiburg na Allianz Arena, em que o placar ficou bastante aquém do massacre imposto pelos mandantes – com a trave e o goleiro Bürki evitando o pior.

O fato é que as opções de ataque do Bayern passaram por transformações sensíveis ao longo dos últimos meses. Em 2012/13, a equipe de Jupp Heynckes que conquistou a Champions tinha como principal arma as subidas verticais, de um time que tocava a bola muito rápido e para frente. Guardiola chegou implantando o seu jogo de posse e, apesar disso, o time de 2013/14 dependeu em muitos momentos das bolas aéreas e das jogadas individuais de Robben e Ribéry pelas pontas – as versões atualizadas de seu Messi nos tempos de Barcelona, aqueles capazes de decidirem os jogos sozinhos. Quando não dava certo, porém, o Bayern ficava limitado ao improdutivo toque de bola e virava presa fácil aos contra-ataques, como foi fatal diante do Real Madrid nas semifinais da última Liga dos Campeões.

Em algumas partidas desta temporada, o Bayern pode até ser modorrento e ficar tocando demais a bola. Mas raras são as vezes em que isto acontece. A equipe de Guardiola é muito mais dinâmica, especialmente com o encaixe de Lewandowski e a adaptação de Götze. Os passes constantes se seguem, mas com trocas de posições ainda mais frequentes de seus jogadores. Isso facilita os erros de posicionamento dos adversários e as infiltrações. Além disso, os bávaros têm lançado mão de um recurso mortal em várias ocasiões: os lançamentos da intermediária, nas costas da defesa adversária – algo aprimorado principalmente com Xabi Alonso. Por mais que o Freiburg tenha estacionado o ônibus, manteve a linha de impedimento diante de sua área. Só que a precisão das bolas longas do Bayern acabou sendo mortal.

Os dois gols nasceram assim. No primeiro, Xabi Alonso provou sua maestria mais uma vez e colocou a bola na cabeça de Ribéry, que serviu Robben. Já no segundo, foi a vez do holandês iniciar a jogada, que acabou em um rebote para a conclusão de Thomas Müller. Entre os mais atentos para receber essas bolas estava Juan Bernat, que teve uma atuação monstruosa na Allianz Arena. A forma como o ala espanhol tem subido de produção, aliás, merece destaque. Ao todo, foram 31 finalizações do time da casa, contra só duas do Freiburg.

No mais, o estilo do Bayern parece mais sólido. A movimentação dos jogadores de linha tem sido espetacular, mesmo com os homens mais avançados voltando para buscar o jogo e os mais defensivos aparecendo como elementos surpresas. E uma das chaves para esta confiança está justamente em Manuel Neuer, cada vez melhor em seu papel de líbero, que deixa o time menos vulnerável à pressão alta feita no campo adversário. Não há jogador mais insubstituível no time do que o goleiro, que ainda acumula milagres sob as traves.

O Bayern abre a 16ª rodada da Bundesliga com 12 pontos de vantagem, que podem diminuir dependendo do resultado do Wolfsburg. Assegurar o tricampeonato será apenas questão de tempo, e visando os recordes avassaladores dos dois últimos títulos. Questão maior será sobre os desafios na Liga dos Campeões, especialmente diante de rivais robustos como Real Madrid e Chelsea – pela qualidade de suas defesas. No entanto, os bávaros parecem bem mais amadurecidos em relação ao último ano e às lições de Guardiola. Livrando-se das lesões e da queda de desempenho que os afetaram em 2013/14, são fortíssimos candidatos à taça. Principalmente se continuarem aprimorando suas forças e solucionando suas fraquezas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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