Alemanha

Ancelotti: ‘Essa foi a demissão mais autoritária de toda a minha carreira’

Treinador detalhou que problemas internos e influência de terceiros culminou em sua demissão do Bayern de Munique

Carlo Ancelotti sempre foi conhecido pelas boas saídas dos clubes em que trabalhou. O treinador com passagens por diversos gigantes europeus e que agora comanda a seleção brasileira, sempre se destacou pela forma como lidava com despedidas. No entanto, a saída de um clube em específico não deixou saudade no italiano.

Em sua biografia “O Sonho”, lançada em julho, Carletto foi enfático ao dizer que a sua demissão do Bayern de Munique, clube que treinou entre 2016 e 2017, não foi das melhores e sim uma de suas piores experiências da carreira.

— Fui demitido quatro vezes por grandes clubes: Juventus, Chelsea, Real Madrid e Bayern de Munique. Isso prova que não é preciso um presidente instável ou um dono imprevisível para ser demitido. Acionistas de uma empresa também podem tomar essa decisão. Foi a demissão mais autoritária de toda a minha carreira. Depois que saí, eles chegaram às semifinais da Liga dos Campeões e foram eliminados pelo, adivinhem quem, Real Madrid — relembrou o treinador.

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção (Foto: IconSport)

Ancelotti revelou que relacionamento com a diretoria foi o motivo

A demissão de Ancelotti, ocorrida em 28 de setembro de 2017, foi justificada como um “mau” entrosamento com toda a diretoria. Na biografia, o treinador afirmou que havia uma forte influência por parte dos acionistas.

— Dominamos a concorrência na Bundesliga nessa temporada, terminando com 15 pontos de vantagem, mais cinco do que Pep Guardiola tinha conseguido nas duas temporadas anteriores. No entanto, no Bayern isso não foi considerado um sucesso. Era o mínimo que os dirigentes esperavam. Quando a comunicação social fazia barulho por algo, notava uma grande diferença. O que era completamente novo para mim era trabalhar num clube que não era gerido por um único proprietário carismático — escreveu.

— Em vez disso, havia um grupo de acionistas com diferentes composições, enquanto antigos jogadores lendários tinham tradicionalmente influência ao nível de gestão no clube. A meio da temporada, houve uma mudança na presidência, com Uli Hoeness a assumir a liderança. O presidente do conselho era Karl-Heinz Rummenigge, que jogava no Inter na mesma época em que eu jogava na Roma. Se por acaso dei uma pancada no meu futuro chefe quando jogava contra ele? Claro que sim. Afinal, esse era o meu trabalho — completou.

Conhecido pelo bom relacionamento que mantém com todos, Ancelotti também acusou a diretoria bávara de obrigá-lo a tomar uma medida disciplinar contra o elenco, algo totalmente contra a sua vontade.

— Certa vez, os chefes me pediram para impor mais disciplina entre os jogadores e me deram uma lista de cinco pontos para ler para eles. No entanto, eu sentia que estávamos trabalhando com uma equipe profissional de elite, não uma equipe juvenil, e que os jogadores deveriam ser tratados com igualdade. Então, fiquei em frente à equipe no vestiário, tirei o papel do bolso e disse: ‘Tenho ordens da diretoria para ler esta lista para vocês‘. Essa foi a minha maneira de me distanciar dessa tarefa — explicou.

— Então, no final de setembro, jogamos contra o Paris Saint-Germain, pela Champions League, e decidi deixar nossos pontas veteranos no banco, além de deixar nossos zagueiros avançarem mais, enquanto nos concentramos principalmente nos ataques pelo meio. Foi um erro. O time estava desequilibrado. O placar final de 3 a 0 foi a derrota mais pesada do Bayern na competição em 21 anos — afirmou.

— No dia seguinte à partida, a diretoria do clube se reuniu e concluiu que o problema era meu. ‘O desempenho do nosso time desde o início da temporada não correspondeu às nossas expectativas’, disse Rummenigge. ‘A partida em Paris demonstrou claramente que precisávamos agir.’ — completou Ancelotti.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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